Você conhece as regras?

As regras são, constantemente, tema de debate e polêmica na comunidade do jiu-jitsu. Há quem diga que a arte suave não é atrativa para o público leigo por conta da complexidade de suas regras e, por isso, não costumamos ver nossa arte na televisão, por exemplo.

50-50

Um dos problemas em relação às regras do jiu-jitsu é a “amarração” da luta. Quanto a regra permite isso? Uma posição que causa polêmica quando falamos em amarração é a guarda 50/50. Uma das alterações no Livro de Regras da Federação Internacional de Jiu-Jitsu (IBJJF) (que você pode acessar por aqui) foi com esse caso. Não há mais vantagens em situações de raspagem que comecem e terminem nessa posição. Rodrigo Totti, árbitro e professor de jiu-jitsu, falou sobre a nova regra: “Acontecia muito com os atletas mais malandros, conhecedores das regras. Colocavam na guarda 50/50 para ficar fazendo vantagem, voltava e ficava querendo controlar a luta e ganhar dessa forma, ficando uma luta muito feia, chata. Então, acabar com essa vantagem da 50/50 foi excelente”.

Essa atualização foi publicada em março de 2015, com renovações que dizem respeito aos uniformes, recursos durante a luta, arbitragem, dentre outros. Leia mais sobre a mudança nesta matéria da Graciemag.

Um exemplo muito emblemático quando falamos de amarrar a luta é o combate entre Keenan Cornelius e Paulo Miyao em 2013, na final do absoluto faixa marrom do Abu Dhabi World Pro. Os dois foram desclassificados após tomarem quatro punições por falta de combatividade e saíram da competição sem medalhas e premiação (você pode assistir a luta aqui).

A repercussão (ou a falta dela) da modalidade na mídia sempre gera o debate acerca das regras. Por que mesmo em canais de lutas não vemos tantos programas de jiu-jitsu fazendo sucesso? Por que quase não há transmissão televisiva dos campeonatos? Parte da comunidade da arte suave defende que um dos principais motivos é a amarração, que torna as lutas chatas de assistir, principalmente para o público leigo. Breno Sivak fala bem sobre o tema, em texto para a Graciemag (veja aqui), justamente na época da desclassificação de Cornelius e Miyao.

Como destaquei, algumas alterações nas regras mudaram esse cenário, que antes da profissionalização da arbitragem era bem diferente. Mais um exemplo é a dupla puxada: os atletas precisam definir, em 20 segundos, quem vai jogar por cima e por baixo, ou serão punidos. Esse tempo já chegou a ser de 30 segundos. Mas há quem defenda que nossa arte pode ficar ainda mais atrativa se contar com punições mais severas, como ocorre com o shido, no Judô (como defende Breno Sivak em seu texto).

Falta de conhecimento

Ser árbitro é, com certeza, um trabalho difícil. Passível de erros, o(a) árbitro(a) é uma figura muito criticada em todos os esportes. É claro que erros grosseiros ainda acontecem, mas a arbitragem no jiu-jitsu se profissionalizou muito e atingiu um nível diferente das décadas anteriores.

O problema é que muitos competidores e (pasmem!) seus professores, não conhecem as regras ou o edital de um campeonato. Pessoalmente já presenciei, em uma competição, um faixa branca que pulou na guarda pela segunda vez, depois de já ter sido repreendido pelo árbitro quando fez isso pela primeira vez; e ele simplesmente não sabia o motivo de ter sido punido. Nessa época, a atualização do Livro de Regras da IBJJF era relativamente recente, mas não era desculpa para não conhecê-la.

Não pense que “ah, é muito chato ler edital”, “já sei as regras e as datas”, “não vai acontecer nenhum problema”. Pelo contrário, é fundamental que você leia o edital e entenda as regras. Ainda vemos as pessoas perdendo a data de checagem, indo com uniforme errado, tendo que arrancar patch na hora da luta, sendo desclassificadas por condutas não permitidas. Quando você vai disputar um campeonato, principalmente se for pela primeira vez, é imprescindível ler o edital e ficar por dentro das regras da Federação ou organização responsável. Com certeza, você pode evitar muitos problemas.

E o(a) professor(a), qual é  o seu papel? Para Rodrigo Totti,

“o papel do professor é muito importante, ele é exemplo para o aluno. É ele quem que norteia o aluno. E eu vejo muito professores também desconhecendo muito a regra, que não leem edital, não sabem qual o dia da checagem, coisas básicas para fazer uma mudança do aluno”.

Os responsáveis por uma equipe de jiu-jitsu também precisam ter em mente a importância do entendimento do esporte como um todo por parte de seus alunos. Isso inclui não só saber posições mirabolantes ou ganhar campeonatos, mas também ter postura, respeito, disciplina e ter o conhecimento das regras, fato que influencia muito no seu entendimento de como o jiu-jitsu funciona por completo.

Também temos AQUI uma matéria bem bacana falando sobre o trabalho dos árbitros, com depoimentos de profissionais renomados pela IBJJF.

E você, o quanto conhece das regras de jiu jitsu? Bom fim de semana à todos.

Oss

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