Caso Leandro Lo: entenda a punição do PM absolvido no júri

Quando o nome do Leandro Lo apareceu novamente estampando manchetes, menos de três anos após sua morte, percebi o quanto o desfecho do caso, tão emblemático para o jiu-jitsu, ainda está vivo nas conversas das comunidades marcadas pelo esporte. Especialmente em espaços como o nosso onde luto e luta se misturam em busca de justiça, respeito e transformação.

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A trajetória de Leandro Lo e o impacto do crime

Leandro Lo não era apenas um campeão mundial de jiu-jitsu. Ele representava superação, humildade e reconhecimento internacional. Falo isso porque acompanhei sua carreira e a explosão de orgulho coletivo toda vez que ele lutava e subia ao lugar mais alto do pódio. Em agosto de 2022, sua trajetória foi interrompida por um disparo na cabeça, durante um show de pagode no Clube Sírio, na zona sul de São Paulo. O lutador caiu, não retornou mais. O autor do disparo foi identificado como o tenente da Polícia Militar Henrique Otavio Oliveira Velozo, de 33 anos, que desferiu dois chutes na cabeça de Leandro, e logo depois abandonando o local e se dirigindo a uma casa noturna.

Falar do episódio é também revisitar a dor coletiva do esporte. Com a discussão entre Lo e o PM, seguida por provocações, queda e, depois, pelo tiro, toda a comunidade sentiu o peso da violência e das consequências de decisões tomadas em segundos. Henrique se entregou no dia seguinte à Corregedoria. Foi preso, primeiro em regime temporário, tornando-se preso preventivamente logo depois. Aguardou o julgamento por três anos e regime fechado, no presídio Romão Gomes, uma penitenciária “especial” para policiais.

Um campeão mundial tombou no auge e uma comunidade inteira ainda sofre o luto

Como o caso evoluiu até o julgamento

Desde o início, havia uma movimentação enorme não só nas redes sociais, mas também entre advogados, ativistas, atletas e familiares. O inquérito policial investigou o homicídio por motivo fútil, tramitando no 16° DP, Vila Clementino. Muitos esperavam que o processo no Tribunal do Júri trouxesse uma resposta clara e contundente. E, para ampliar ainda mais o debate, a imprensa e portais especializados intensificaram a discussão sobre violência envolvendo membros das forças policiais, aproveitando dados recentes que apontam crescimento de letalidade.

Segundo levantamento da Agência Brasil, só em 2024, as polícias brasileiras foram responsáveis por mais de 6 mil mortes, com aumento de letalidade em estados como São Paulo. Esses dados apenas mostravam que não era só mais um caso, mas um símbolo.

O julgamento e a surpreendente absolvição no júri

Sem dúvidas, o que mais marcou em tudo isso foi o contraste das expectativas populares com o resultado do julgamento. Em novembro de 2025, no Tribunal do Júri, a maioria dos jurados aceitou a tese da legítima defesa apresentada pelos advogados de Henrique Velozo, declarando-o inocente. Uma decisão questionada por muitas pessoas do universo do jiu-jitsu e dos direitos humanos, especialmente pela família de Lo, que sentiu uma segunda perda.

“Enterrei meu filho pela segunda vez”, disse a mãe de Leandro Lo.

A defesa do policial bateu na tecla de contradições dos depoimentos. Aliado ao princípio da dúvida favorável ao réu, os jurados entenderam ser impossível afirmar, sem margem de dúvida, a intenção de matar fora da legítima defesa, sendo 4×3 nos votos.

Essa absolvição criminal, no entanto, não encerrou o processo administrativo. Dentro da PM, uma nova análise ganhava corpo.

Sessão do Conselho de Justificação da Polícia Militar de São Paulo, mesa diretora e advogados Decisão administrativa: Conselho de Justificação da PM

Foi só em 1º de dezembro, após o fechamento do julgamento interno da Polícia Militar, que o destino funcional de Henrique Velozo foi divulgado oficialmente. O Conselho de Justificação reuniu três oficiais superiores, que, de forma unânime, consideraram o tenente culpado e determinaram seu afastamento das funções oficiais, a redução de seu salário para um terço e a proibição do uso da farda.

Um breve resumo:

  • Perda de função administrativa
  • Recebimento de apenas um terço do salário original
  • Proibição do uso de qualquer uniforme da corporação
  • Esperar em afastamento nova decisão sobre seu futuro

Essa decisão não anulou a absolvição criminal, mas mostra como a responsabilidade administrativa vai além do julgamento penal, já que analisa também a conduta ética, a repercussão social dos atos e a honra da instituição, como sempre defendemos nos debates de ética policial nessa área. O trâmite foi acompanhado de perto tanto por autoridades quanto pela defesa de Velozo, que agora aguarda possibilidade de reversão ou reintegração.

Impactos sobre a família, comunidade e o esporte

Toda a comunidade sentiu a dor da família Lo, que foi exposta publicamente. O depoimento da mãe de Leandro, mostrando o sentimento de reviver a tragédia diante da absolvição, escancarou que o ciclo da violência não se encerra com a decisão do júri. O trauma permanece, assim como os debates sobre justiça, punição e responsabilidade social.

Na homenagem a Leandro Lo aqui no BJJ Girls Mag, a memória do atleta segue viva, como fonte de inspiração para toda a comunidade do jiu-jitsu. O caso também resgata o debate sobre comportamento de lutadores, policiais e violência estrutural, tema que já tratamos de formas preventivas no nosso portal.

Nem todo julgamento encerra a dor.

O que mudou desde então? Dados e reflexões sobre violência policial

Esse episódio não aconteceu em um vácuo. Ao analisar indicadores nacionais recentes, percebemos uma preocupação crescente com a presença e o comportamento de agentes de segurança fora de serviço, especialmente em contextos de lazer ou eventos sociais. Por exemplo:

A análise de dados da violência, inclusive envolvendo agentes, exige responsabilidade e informação de qualidade, como buscamos oferecer aqui, diferente de outros portais que se restringem ao factual sem aprofundamento crítico ou conexão com o jiu-jitsu e o esporte feminino.

Nossas abordagens, como no texto sobre violência contra a mulher, mostram que a luta no tatame também é pelo respeito fora dele.

O debate e o papel da sociedade e dos praticantes

Sem dúvidas, os desdobramentos do tema vão além do crime, pois estimulam debates sérios sobre ética dentro e fora do jiu-jitsu, convivência nos espaços de prática e conduta de autoridades. As decisões do Tribunal do Júri e do Conselho de Justificação da PM mostram como a sociedade ainda está dividida diante de situações que envolvem poder, autoridade e esporte.

O judiciário absolveu, a corporação puniu mas ainda falta justiça, de acordo com os fãs e a comunidade do jiu-jitsu

O jiu-jitsu feminino tem um papel valioso nesse cenário: provocar questionamentos, conectar vozes, informar, estimular acolhimento e inclusão, reforçando princípios de respeito.

O futuro do tenente Velozo e novos rumos do caso

Com a punição administrativa já em vigor, Henrique Velozo permanece afastado, com salário reduzido e sem direito ao uso da farda. Sua defesa não descansa: aguarda a decisão final das instâncias superiores e estuda medidas para tentar o retorno ao trabalho. Como alguém que convive com lideranças esportivas e jurídicas, sei que o caminho é longo e, por vezes, imprevisível.

O que está garantido, ao menos por ora, é que o caso Leandro Lo ficará marcado tanto como tragédia pessoal, quanto como símbolo de discussão sobre segurança, honra e convívio nos espaços públicos e esportivos.

O legado de Leandro Lo e o compromisso do jiu-jitsu

Rever um episódio como esse exige sensibilidade. Não é apenas uma narrativa policial ou esportiva, mas a soma de dramas humanos, disputas por justiça e necessidade coletiva de repensar práticas e valores. Como mulher do jiu-jitsu, reforço o nosso papel: continuar sendo espaço de apoio, informação e transformação para atletas, familiares e todos envolvidos com a arte suave.

Se você compartilha desses valores, já teve que enfrentar situações de conflito ou quer fortalecer o ambiente do jiu-jitsu com ética e respeito, convido a conhecer nossos outros conteúdos e serviços.

Perguntas frequentes sobre o caso Leandro Lo

O que foi o caso Leandro Lo?

O caso envolve o assassinato do lutador octacampeão mundial Leandro Lo, ocorrido em agosto de 2022 durante um show em São Paulo, após uma discussão e confronto físico com o tenente da Polícia Militar Henrique Otavio Oliveira Velozo.

Quem foi punido no caso Leandro Lo?

O tenente Henrique Velozo foi punido administrativamente pelo Conselho de Justificação da Polícia Militar, mesmo tendo sido absolvido criminalmente no Tribunal do Júri.

Por que o PM foi absolvido no júri?

O júri aceitou a tese de legítima defesa apresentada pela defesa de Henrique Velozo, que destacou contradições nos depoimentos das testemunhas e argumentou que não havia provas suficientes para condenação.

Qual punição o PM recebeu no caso?

O policial foi afastado de suas funções, teve o salário reduzido para um terço e está proibido de usar o uniforme da corporação, aguardando definição final sobre sua permanência na PM.

O caso Leandro Lo já foi encerrado?

O processo criminal foi encerrado com a absolvição do policial, mas as questões administrativas ainda podem ter novos desdobramentos, conforme recursos e decisões pendentes.

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