Suffrajitsu: a história das mulheres com o jiu-jitsu não é tão recente


Poucos sabem, mas o jiu-jitsu teve muita importância para as mulheres britânicas no início do século XX no auxílio da resistência delas na lutar pelo direito ao voto. O jiu-jitsu aqui citado é o tradicional japonês (e não o jiu-jitsu brasileiro, que estava começando a ser desenvolvido por Carlos Gracie nessa mesma época, inclusive), e viria a ser uma das grandes armas de mulheres extremamente guerreiras que lutavam contra a exclusão de seus direitos ao voto, conhecidas mundialmente como “sufragistas”.

Após diversas agressões provindas de policiais e também daqueles que eram contra o voto feminino, toda vez que as sufragistas se manifestavam ou praticavam alguma desobediência civil como método de luta para conquista do voto, Edith Garrud, mulher e praticante de jiu-jitsu, passou a ensinar para suas colegas a arte milenar, visto que o jiu-jitsu era uma ótima ferramenta de autodefesa, já que usa a força do oponente contra ele próprio e você não precisa ser a pessoa mais forte do mundo para conseguir se defender.

Aliás, sabemos muito bem que a vantagem do jiu-jitsu (tanto o tradicional quanto o brasileiro) é a oportunidade do mais fraco também ter a oportunidade de se proteger e ter efetividade nisso. As sufragistas viam a necessidade de terem um mecanismo de autodefesa nas mangas, visto que muitas foram assassinadas, abusadas e machucadas, principalmente por policiais que queriam reprimir cada vez mais o movimento das mulheres que lutavam pelo direito ao voto. O jiu-jitsu tornou-se, portanto, um aliado à luta da emancipação feminina na Inglaterra.

No site da BBC, um trecho mostra como o jiu-jitsu levou força ao movimento feminino da época:

Eles não esperavam, naquela época, que mulheres pudessem responder fisicamente àquele tipo de agressão e, muito menos, oferecer resistência efetiva, disse Martin Dixon, presidente da British Jiu-Jitsu Association. Era a maneira ideal de as mulheres lidarem com situações em que eram agarradas no meio de uma multidão.

As sufragistas inglesas conseguiram o seu direito ao voto em 1918, com restrições. Somente em 1928 alcançaram os mesmos direitos que os homens nesse quesito. A história do passado dessas mulheres inglesas demonstra a força e resistência que todas nós possuímos dentro de nós; voltando para a atualidade e para a nossa realidade, o Brasil, vemos como nós podemos nos beneficiar de uma arte marcial, principalmente o jiu-jitsu brasileiro. O jiu-jitsu brasileiro é amigo das mulheres.

Ele é um mecanismo de autodefesa que cada vez mais comprova sua eficiência – afinal, vira e mexe vemos notícias de como o jiu-jitsu foi fundamental para que alguma mulher se defendesse, como por exemplo, no recente caso da atleta faixa azul da Ryan Gracie/Almeida JJ –  sabemos e jamais estimulamos que haja reação à assaltos, à bandidos. Mas em situações nas quais nós mulheres podemos estar sempre sujeitas, como assédios e abusos seja numa balada, num bar, seja voltando pra casa durante à noite e correndo riscos que vão muito além de um assalto, contar com o jiu-jitsu só agrega à nossa própria segurança.

Sabemos que o objetivo real para uma mudança de uma violência que atinge especificamente as mulheres é a transformação social, a educação, ensinar homens a não estuprarem, a não abusarem, a não mexerem conosco ou insinuar qualquer coisa usando qualquer justificativa: “ela estava bêbada”, “ela estava com roupas muito sensuais”. Mas enquanto isso não acontece, façamos por nós mesmas.

Pois é um fato que milhares de mulheres são violentadas, mortas, constantemente. Uma arte marcial nas mangas só nos ajuda a resistir. E acredite: se no começo do século XX não esperavam que as mulheres pudessem responder fisicamente a alguma agressão provinda de homens, continuam em pleno século XXI, não esperando nenhuma reação. Vi um ditado uma vez, que dizia o seguinte: “É melhor ser um guerreiro em um jardim, que um jardineiro numa guerra”; e se tem algo que nós mulheres sabemos mais do que ninguém é que estamos bem longe de viver num jardim. Guerreiras já somos, no dia-a- dia, constantemente. Então, por que não acrescentar mais mecanismos de resistência em nossa luta cotidiana?

Caso queira ler mais sobre as sufragistas, e a história da mulher no esporte, acesse este post AQUI e AQUI.

Boa semana à todos! Oss.

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