Gi, kimono ou uniforme? Qual é o nome certo da roupa de Jiu-Jitsu

Afinal, qual é o nome da roupa de jiu-jitsu?

O nome correto é kimono, e no jargão internacional do esporte ele é chamado de gi (do japonês keikogi, “roupa de treino”). No Brasil, kimono virou termo genérico. Lá fora, principalmente em academias americanas e europeias, gi é o termo padrão. Os dois estão certos. “Uniforme” também aparece em federações, mas é raro no dia a dia da academia.

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Esse texto explica de onde veio o kimono do jiu-jitsu, por que ele é desenhado do jeito que é, como escolher um que dure, e os cuidados básicos pra ele não cheirar mal na primeira semana.

Kimono ou gi: qual termo usar?

A pergunta aparece muito porque jiu-jitsu brasileiro tem raiz japonesa, mas se popularizou no Brasil e nos Estados Unidos. Cada região consolidou um vocabulário.

No Brasil

Kimono é o termo dominante. Academia, federação, loja, todo mundo fala kimono. Se você falar “gi” pra um faixa-branca brasileiro, ele provavelmente vai entender, mas não é o jeito natural.

Em academias internacionais

Gi é o padrão. As principais marcas (Shoyoroll, Hyperfly, Tatami, Atama, Vulkan) usam gi nas descrições de produto. Competições estrangeiras (IBJJF Pan, Worlds, ADCC With Gi) usam gi nos boletins.

E “uniforme”?

Termo técnico de federação. Aparece em regulamento da CBJJ e IBJJF quando o documento precisa ser formal. Ninguém treina dizendo “vou pegar meu uniforme”.

De onde veio o kimono do jiu-jitsu

O kimono moderno do jiu-jitsu evoluiu do judogi, o uniforme criado por Jigoro Kano no fim do século XIX pra prática de judô. Quando Mitsuyo Maeda (Conde Koma) chegou ao Brasil em 1914 e começou a ensinar Carlos Gracie, a vestimenta era basicamente um judogi tradicional, com calça larga e jaqueta de algodão grosso.

Com o tempo, o jiu-jitsu brasileiro desenvolveu seu próprio jogo de pegadas, finalizações e raspagens. O kimono foi sendo adaptado: gola mais firme, mangas mais curtas (pra dificultar pegada do oponente), calça com cordão reforçado, tecido específico chamado pearl weave ou gold weave, mais leve que o judogi tradicional mas resistente o suficiente pra aguentar tração.

Hoje, o kimono de jiu-jitsu é regulamentado por federações. A IBJJF, por exemplo, define medidas exatas de manga, comprimento da jaqueta e cor permitida em competição (branco, azul royal e preto, sem misturas).

Por que o kimono importa na prática

Diferente de outras artes marciais onde a roupa é só vestimenta, no jiu-jitsu o kimono é parte ativa do jogo. Você usa as lapelas pra estrangular, as mangas pra puxar o adversário pra dentro da guarda, a calça pra controlar o quadril dele. Sem kimono, o jogo muda completamente, vira “no-gi”, outra modalidade do esporte.

Por isso a qualidade do kimono interfere no treino. Tecido fraco rasga em poucas semanas. Gola mole não suporta estrangulamento. Costura ruim abre em sparring intenso. Um kimono ruim atrapalha o aprendizado porque você passa o tempo ajustando ele em vez de focar na técnica.

Pra quem está começando, vale conferir o guia Melhor Kimono Feminino para Jiu-Jitsu, que cobre marcas, tipos de tecido e faixas de preço.

Anatomia do kimono: o que cada parte faz

Jaqueta (top)

A parte de cima. Tem lapelas grossas que servem pra pegada e estrangulamento, mangas curtas (cumprindo o regulamento IBJJF de chegar no máximo a 5cm acima do punho), e costuras reforçadas nos ombros e axilas, áreas de maior tensão durante luta.

Calça

Geralmente de rip-stop (tecido leve e resistente) ou sarja de algodão. Cintura ajustável por cordão. Joelhos reforçados em modelos competitivos. Pra mulheres, modelos femininos costumam ter cintura mais alta e corte mais ajustado nas pernas.

Faixa

Tecnicamente parte do kimono. Indica a graduação do praticante. Se você quer entender melhor como o sistema funciona, o hub Graduação no Jiu-Jitsu explica as faixas, ordem de promoção e quanto tempo cada nível leva.

Como escolher seu primeiro kimono

Peso do tecido

Os tipos mais comuns são:

Pearl weave (350-450g/m²): equilíbrio entre leveza e resistência. Boa pedida pra iniciantes.

Gold weave (550-700g/m²): mais pesado, mais durável, mas suado em clima quente. Bom pra quem treina em academia com ar-condicionado ou em regiões frias.

Single weave (300-400g/m²): tecido mais simples, mais barato. Costura tende a ceder mais rápido.

Tamanho

Kimono usa numeração A0 a A5 (adulto). Mulheres frequentemente usam F1, F2, F3, F4 nas marcas que oferecem corte feminino. Comprar maior pra “encolher depois” geralmente não funciona porque kimono encolhe pouco se você lavar em água fria. Compre o tamanho certo desde o início.

Cor

Branco é o mais usado e o único permitido em competições da CBJJ pra faixa branca. Azul royal e preto também são oficiais. Cores alternativas (cinza, rosa, verde) podem ser usadas no treino, mas não em torneios IBJJF.

Marca

Marcas nacionais boas: Atama, Vulkan, Bullterrier, Krugans. Internacionais: Shoyoroll, Hyperfly, Tatami, Origin. Faixa de preço varia de R$ 300 (entrada) a R$ 1.500+ (premium importado).

Cuidados pra o kimono durar

Lavagem

Sempre em água fria. Lavar em água quente encolhe o tecido e desbota cores. Use sabão neutro, evite amaciante porque ele cobre as fibras e deixa o tecido escorregadio, atrapalhando pegadas.

Secagem

Nunca na máquina. Secar em máquina cozinha o tecido. Sempre estendido em local arejado, de preferência na sombra. Se possível, vire do avesso pra preservar a cor.

Higiene entre treinos

Lavar depois de cada treino, sem exceção. Kimono usado e guardado úmido vira foco de fungo (especialmente o famoso “tinea”, que causa micose de tatame). Se não dá pra lavar imediatamente, pelo menos pendure em local ventilado.

Tempo de vida útil

Um kimono de qualidade média, usado em 3 a 4 treinos por semana, dura entre 1 e 2 anos. Sinais de que tá na hora de aposentar: gola sem firmeza, costuras abertas, calça com furos no joelho, tecido fino e meio transparente.

Perguntas frequentes sobre o kimono de jiu-jitsu

Kimono e gi são a mesma coisa?

Sim. Kimono é o termo usado no Brasil. Gi é o termo internacional. Os dois se referem à mesma vestimenta.

Posso usar judogi pra treinar jiu-jitsu?

Tecnicamente funciona, mas não é ideal. Judogi tem corte diferente, mangas mais longas e tecido mais pesado, o que pode dar vantagem injusta ao oponente em pegada. Em competição IBJJF, judogi não é permitido.

Qual a diferença entre kimono masculino e feminino?

O corte. Modelos femininos têm cintura mais alta, manga mais ajustada e largura do tronco menor. Mulheres podem usar kimono masculino sem problema, mas o feminino costuma ser mais confortável.

Quanto custa um kimono iniciante?

Entre R$ 300 e R$ 500 você consegue um kimono bom de marca nacional. Abaixo disso, o tecido tende a ser fraco e a costura a ceder rápido.

Preciso de mais de um kimono?

Depende da frequência de treino. Se você treina 2 vezes por semana, um kimono basta. Se treina 4 vezes ou mais, dois kimonos facilitam o revezamento durante a lavagem.

Pode lavar kimono com roupa normal?

Pode, mas separe por cor (branco com branco, colorido com colorido). Nunca lave junto com peças que soltam fiapo, como toalhas.

Leia também: Melhor Kimono Feminino para Jiu-Jitsu

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