Se você já praticou alguma atividade física além do jiu-jitsu, provavelmente se deparou com pessoas de idades diferentes durante os treinos/aulas. Eu, por exemplo, durante cinco anos me dediquei ao ballet clássico e outras danças, antes de iniciar o jiu-jitsu. Na época, eu tinha 16 anos, estava terminando o colégio e estava no auge da minha disposição física e de tempo livre. Quando passei a frequentar academias de artes marciais, já aos 20 e poucos anos, me deparei com a mesma situação. Comparadas comigo, na minha “turma” existem pessoas mais novas, mais velhas, mais fortes, com mais disponibilidade de tempo, condições físicas melhores etc.
Ainda nesta semana, em algum dos sites de jiu-jitsu que eu acompanho, me deparei com alguns relatos de pessoas que se desmotivaram com a arte suave, pois ouviram dizer que “o jiu-jitsu é para todos”, mas quando chegaram na academia tinham pessoas muito mais fortes, mais novas, com muito mais tempo para treinar. Parei então para refletir sobre o que queremos dizer quando soltamos a frase: o jiu-jitsu é para TODOS.
Se você começou a treinar ainda criança ou adolescente, chegará o momento em que precisará escolher se viverá do esporte ou como a grande parte da população, irá fazer uma faculdade e começar a trabalhar no modelo tachado ainda como convencional. E neste momento, se você escolher não viver do jiu-jitsu, precisará colocar foco em outras atividades do seu dia a dia.
Das pessoas que treinam comigo ou mesmo que conheço, em sua maioria levam o jiu-jitsu como um hobby ou até mesmo como prática de exercício na melhoria da saúde, é comum ouvir uma reclamação ou outra sobre a falta de tempo, o esforço que é necessário para estar presente em todos os treinos, o trânsito que se pega para chegar na academia, o dia em que foi preciso trabalhar até mais tarde, um filho ou parente que precisou ser acompanhado numa consulta médica, etc. Por isso, costumo dizer que é necessário muito amor e dedicação para seguir a longa e dura caminhada do jiu-jitsu, assim como de outros esportes.
O fato é que se você, assim como eu, escolheu viver essa vida de trabalhador e jiujiteiro nas horas vagas, vai se deparar muitas vezes com pessoas com maior disponibilidade de tempo para os treinos. Por consequência, essas pessoas poderão (mas não necessariamente vão) evoluir mais rápido do que nós. Mas calma! É possível trabalhar, treinar e até mesmo chegar à tão esperada black belt, e para isso você não precisará ser a(o) mais forte da academia, nem a(o) mais nova(o).
Conheço pessoas que têm mais disponibilidade de tempo do que eu, mas quando chegam aos treinos não estão focadas, nem sempre estão presentes e, assim como evolução é uma consequência dos seus esforços, o contrário também é verdadeiro. Não adianta ser ter muito tempo disponível, estar na academia e não treinar de verdade.
Por experiência, posso dizer que conciliar trabalho, treinos, casa e família não é a coisa mais simples do mundo, porém é possível. Não faço a quantidade de treinos que eu gostaria na semana, mas tem sido suficiente para alcançar meus objetivos.
O que vale é a paixão que se tem para praticar as atividades na sua vida, seja no trabalho “formal” ou no jiu-jitsu. Independentemente do tempo que tenha disponível para praticar, enquanto estiver no tatame, dê o seu melhor, seja o seu melhor!
E você, qual a sua disponibilidade de tempo para o jiu-jitsu? Conta aqui pra gente 🙂 Oss
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