Treinador goiano se manifestou publicamente após ingressar com ação judicial contra o BJJ Girls Mag. Tiago Gomes acumula duas condenações criminais pelo Tribunal de Justiça de Goiás por violência doméstica e familiar contra mulheres
O treinador de jiu-jitsu e advogado Fernando Marques Faustino, conhecido no esporte como Fernando “Boi”, publicou em 1º de junho de 2026, em seu perfil oficial no Instagram (@fernandoboisamba), nota oficial sobre a cobertura editorial realizada pelo BJJ Girls Mag a respeito do caso do faixa marrom Tiago Gomes de Oliveira.
A nota afirma textualmente que o professor e a equipe que ele dirige “não possuem qualquer envolvimento, ciência ou responsabilidade sobre atos pessoais praticados por terceiros que, em algum momento, possam ter frequentado nossa academia”. A publicação acrescenta que repudiam “veementemente qualquer ato dessa natureza, venha de onde vier”, citando como pilares da equipe os valores de respeito, disciplina, ética e família. A nota também informa que foi obtida tutela antecipada na Justiça de Goiás, com multa diária de R$ 1.000 em caso de descumprimento.
O que dizem as duas sentenças contra Tiago Gomes de Oliveira
Tiago Gomes de Oliveira é faixa marrom de jiu-jitsu, programador, natural do Rio de Janeiro, com endereço declarado em Goiânia. Acumula duas sentenças condenatórias em primeiro grau pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, ambas em ações movidas pelo Ministério Público estadual em juízos especializados em violência doméstica e familiar contra a mulher. As decisões estão sujeitas a recurso e não há trânsito em julgado neste momento.
Processo nº 5354736-82.2024.8.09.0051, julgado pelo 2º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia, com sentença prolatada em 9 de outubro de 2025 pela juíza Simone Monteiro. A ação julgou procedente a acusação por lesão corporal em violência doméstica e familiar contra a mulher (artigo 129, §9º do Código Penal, combinado com a Lei Maria da Penha).
Segundo a denúncia, na madrugada de 28 de dezembro de 2019, em Goiânia, o condenado invadiu o condomínio da vítima, esmurrou a porta do apartamento, agrediu a ofendida com tapa no rosto, puxou-a pelas escadas e a levou à força ao interior de seu veículo, dirigindo pelo bairro enquanto a ameaçava de morte. O caso foi presenciado pelas filhas da vítima.
Processo nº 5355031-22.2024.8.09.0051, julgado pelo 3º Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Goiânia, com sentença prolatada em 31 de outubro de 2024 pela juíza Mônice de Souza Balian Zaccariotti. A ação foi julgada parcialmente procedente, pelos crimes de violência psicológica (artigo 147-B do Código Penal) e perigo de contágio de moléstia grave (artigo 131 do Código Penal), na forma da Lei Maria da Penha. A acusação relata que, entre outubro de 2022 e outubro de 2023, em Goiânia, o condenado humilhou reiteradamente a ofendida com xingamentos relacionados a perdas familiares dela, declarou abertamente intenção de agredi-la fisicamente e manteve com ela relações sexuais sem proteção, sem alertá-la de que estava contaminado pela bactéria Treponema pallidum, agente causador da sífilis.
Ambas as decisões condenatórias foram proferidas em primeiro grau e estão sujeitas a recurso. Não há, neste momento, trânsito em julgado.
O que aconteceu na cobertura editorial
Em 22 de maio de 2026, o BJJ Girls Mag enviou, por meio do número de WhatsApp disponibilizado publicamente pelo professor Fernando Marques Faustino, pedido formal de manifestação oficial sobre o caso, com prazo de cinco dias úteis, conforme previsto na Lei 13.188/2015 (Direito de Resposta). Quatro perguntas foram apresentadas no pedido, abrangendo o vínculo institucional do atleta condenado, a ciência da equipe sobre o processo criminal em andamento, eventuais medidas internas adotadas e a existência de posicionamento institucional sobre o caso.
A mensagem foi entregue ao destinatário no mesmo dia, conforme registro do aplicativo. O prazo de cinco dias úteis se encerrou em 28 de maio de 2026, sem qualquer resposta enviada pelo professor ou pela equipe ao canal oficial do veículo de informação especializado em jiu-jitsu feminino. A publicação editorial foi realizada na mesma data, em conformidade com o protocolo institucional do BJJ Girls Mag, que prevê registro público quando há ausência de manifestação no prazo concedido.
Em 30 de maio de 2026, o professor Fernando Marques Faustino, advogado em causa própria (OAB-GO 21.018), e a Federação Goiana de Mixed Martial Arts (FEGMMA) ingressaram com ação judicial no Plantão da Macrorregião 01 do Tribunal de Justiça de Goiás, processo nº 5490478-11.2026.8.09.0051. Foi concedida tutela antecipada parcial determinando a remoção de publicações específicas, sob pena de multa diária de R$ 1.000, limitada a 20 dias. A ação corre pelo rito dos Juizados Especiais Cíveis, com audiência de conciliação designada pelo CEJUSC e prazo de quinze dias úteis para apresentação de contestação pela parte ré.
O BJJ Girls Mag tomou conhecimento da decisão liminar e cumpriu o determinado dentro do prazo estabelecido, sem prejuízo do exercício do direito constitucional de defesa, do contraditório e da liberdade de imprensa, que serão exercidos nas instâncias processuais cabíveis.
Padrão de ações ajuizadas pelo treinador contra mulheres relacionadas ao caso Tiago
A apuração editorial do BJJ Girls Mag identificou, por meio de consulta ao sistema PROJUDI do Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (projudi.tjgo.jus.br), que Fernando Marques Faustino figura como autor (polo ativo) em múltiplas ações ajuizadas em que o polo passivo (réus) é majoritariamente composto por mulheres. Todos os processos são públicos e podem ser consultados livremente no sistema do TJGO.
Entre as pessoas físicas processadas constam, conforme registro do sistema: a filha da vítima Juliana de Castro Ferreira e Silva, que era adolescente à época em que presenciou o ataque sofrido pela mãe em 28 de dezembro de 2019 e hoje é pessoa com deficiência (PCD) em razão de esclerose múltipla; uma terceira mulher também identificada nos registros públicos de consulta processual do TJGO; e a editora deste veículo, Samanta Fonseca Dias, responsável pela cobertura editorial do caso Tiago Gomes de Oliveira.
Procurada pelo BJJ Girls Mag, a vítima Juliana de Castro Ferreira e Silva afirmou ao veículo que interpreta as ações como uma forma de retaliação e declarou acreditar que Tiago Gomes de Oliveira, condenado nos dois processos criminais relatados, esteja por trás das iniciativas. Em mensagem enviada ao veículo, a vítima afirmou: “Ele entrou contra você, uma outra Juliana e a minha filha, que é PCD, tem esclerose múltipla. Só mulheres. Por que não entrou contra os homens? O Tiago está por trás disso. Ele fez a mesma coisa quando as vítimas denunciaram ele. Eles querem tentar ganhar dinheiro.”
Direito de resposta: manifestação da editora Samanta Fonseca
Em exercício do direito de resposta previsto na Constituição Federal (artigo 5º, inciso V) e na Lei 13.188/2015, a editora deste veículo, Samanta Fonseca Dias, registra manifestação pessoal sobre a ação judicial movida contra ela pelo professor Fernando Marques Faustino:
“Em 30 de maio de 2026, fui acionada na Justiça pelo professor Fernando Marques Faustino, no processo nº 5490478-11.2026.8.09.0051, em trâmite no Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, sob o rito dos Juizados Especiais Cíveis. O processo é público e pode ser consultado livremente por qualquer cidadão no sistema PROJUDI do TJGO, no endereço projudi.tjgo.jus.br.
Minha conduta editorial se restringiu a procurar formalmente o professor Fernando Marques Faustino, por meio do número de WhatsApp disponibilizado publicamente por ele, para apresentar quatro perguntas e oferecer prazo de cinco dias úteis para manifestação institucional, conforme exige a Lei 13.188/2015. Não obtive resposta dentro do prazo concedido. A publicação editorial registrou esse fato, sem qualquer afirmação para além do que constava nos documentos oficiais consultados.
Após a publicação, dezenas de homens manifestaram opinião pública sobre o caso, em comentários abertos nas redes sociais do BJJ Girls Mag e nas redes do próprio professor. Nenhum deles foi acionado judicialmente. O professor Fernando Marques Faustino escolheu processar três mulheres: a editora deste veículo, a filha de uma das vítimas criminais do Tiago Gomes de Oliveira (pessoa com esclerose múltipla, que era adolescente à época do ataque sofrido pela mãe) e uma terceira mulher. Apresento publicamente, no exercício do direito constitucional de defesa e do contraditório, a indagação: por que a opção judicial recaiu exclusivamente sobre mulheres?
Fica registrado o questionamento sobre o caráter possivelmente retaliatório das ações ajuizadas, a ser apreciado pelas instâncias processuais cabíveis e pela opinião pública.”
Apuração editorial em curso
O BJJ Girls Mag mantém apuração editorial ativa sobre a movimentação do condenado Tiago Gomes de Oliveira no esporte, com colaboração de fontes locais, dentro do protocolo editorial de proteção a fontes e a pessoas envolvidas. Eventuais informações de relevância pública, devidamente documentadas e com prazo de manifestação concedido às partes citadas, serão divulgadas em matérias específicas, sempre observando o rito do direito de resposta previsto na Lei 13.188/2015 e os limites legais aplicáveis.
Canal aberto
O canal institucional do BJJ Girls Mag permanece aberto para manifestações formais do condenado Tiago Gomes de Oliveira, de sua defesa, do professor Fernando Marques Faustino, de sua defesa, ou de qualquer pessoa juridicamente legitimada, pelo email bjjgirlsmag@gmail.com. Toda manifestação encaminhada será publicada com o mesmo destaque editorial conferido à matéria principal, conforme determina a legislação aplicável.
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