Mulheres evoluem mais treinando com homens: o mito da evolução feminina no tatame

Foto: Luchini Fotografias

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Desde que iniciei no jiu-jitsu me deparo em determinadas situações com aquela velha polêmica sobre a mulher no tatame evoluir muito mais treinando com homens do que com outras mulheres, e por incrível que pareça, esse discurso geralmente é pronunciado por eles. No inicio cheguei realmente a acreditar nesse mito, afinal, além de mim, só havia outra menina nos treinos dos adultos, e ela já estava na arte a muito mais tempo do que eu. Até que outras meninas iniciaram na equipe e pude perceber a grande diferença que era treinar com elas.

Até então, eu acreditava que treinar com homens me tornaria mais forte, pois seria forçada a usar o máximo da minha força até que ela evoluísse. Mas com o passar do tempo passei a compreender que no jiu-jitsu nada se trata apenas de força, mas tudo depende de técnica. Conforme fui adquirindo segurança, técnica e fui passando a compreender como funcionava o jogo nos rolas, as diferenças passaram a ser gritantes para mim.

Biologicamente falando, são inegáveis as diferenças fisiológicas entre homens e mulheres e o principal fator para a diferença de força é a concentração do hormônio da testosterona, que especialmente por possuir um efeito anabólico acaba proporcionando um desenvolvimento de massa muscular muito maior nos homens, que obviamente, possuem maior concentração desse hormônio, o que lhes resulta muito mais força, potência e velocidade.

Mas é importante lembrar que o jiu-jitsu não se trata especificamente de força, afinal, a principal característica da arte, e é justamente essa que leva muitas mulheres a praticá-la, é a possibilidade de oponentes usarem a força do outro a seu favor. Quem nunca assistiu a um daqueles clássicos vídeos de “jiu-jitsu versus bodybuilder” em que um atleta super forte e musculoso é amassado por uma mulher graduada?

É interessante entender também que o jiu-jitsu engloba muito mais que força e bom desempenho físico (embora ele seja fundamental), na verdade as capacidades coordenativas e a flexibilidade também fazem parte desse conjunto, e modéstia à parte, nesse quesito a natureza nos favoreceu.

Mas a principal questão ao qual quero chegar nesse texto é que, lutar com homens e lutar com outras mulheres são dois jogos completamente diferentes e sim, nós evoluímos muito mais lutando com outras mulheres. Por quê? Porque sem dúvidas temos mais oportunidade de lutar com “explosão”, o rola é muito mais solto, conseguimos colocar muito mais em prática o uso das técnicas, das movimentações e de ataque, é uma luta de igual para igual, pois mesmo que sejamos capazes de lutar de igual para igual com alguns homens também, o rola nunca é o mesmo. Das duas, uma: ou passamos a maior parte do rola na defensiva, tendo que usar apenas técnicas de defesa e quase nunca de ataque, ou vamos pra cima e temos nosso ataque travado (geralmente na base da força).

Além do mais, quem nunca passou por aquela chata situação de ser “um descanso”? Quando você não está na defensiva ou sendo travada na base da força, sente que não está rolando de verdade, porque seu oponente masculino está “pegando leve” com você.

A reflexão que gostaria de fazer aos homens com esse texto é: quando for treinar com uma mulher, a veja como um oponente qualquer, lembra sim que ela é mulher e exige certos cuidados (onde vai pegar, onde vai amassar), mas nunca pega leve com ela por ser mulher. Gostamos sim, e precisamos, lutar com homens, pois a luta nos exige muito daquilo que precisamos melhorar, especialmente em técnica. Mas assim como crianças evoluem melhor lutando com outras crianças, que têm o mesmo nível de força e o mesmo peso, nós também evoluímos mais lutando com outras mulheres, pois se trata de uma luta equiparada.

Essa sem dúvidas não é uma opinião exclusivamente minha, mas da maioria das mulheres que praticam jiu-jitsu e sentem as diferenças entre os dois tipos de rolas. Além do mais, quando uma mulher disser que partilha dessa opinião, não tente provar que ela está errada, afinal, essa é uma experiência exclusivamente nossa, e só uma mulher pode dizer o que sabe que é melhor pra ela mesma.

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