PNL para atletas de jiu-jitsu

Treinar a mente é tão importante quanto o corpo: já pensou em “reprogramar” suas percepções para criar um estado de confiança total?

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Quem compete sabe: não é fácil estar ali e se colocar à prova.

Mas também não existe nada mais gratificante que colher os frutos da dedicação.

Em meio a estes dois extremos – ansiedade e satisfação – está a nossa mente. Comandando nossas reações fisiológicas, capaz de dar força extra e também capaz de botar tudo a perder.

Uma das técnicas que mais surtiu efeito para mim nesta luta para colocar a mente para trabalhar a meu favor foi a PNL – Programação Neurolinguística. A proposta: “reprogramar” a mente com foco nos resultados que eu queria alcançar.

Modelos mentais

Para alguém cética como eu, em um primeiro momento, a coisa toda parecia até ficção científica. E aí, pesquisando aqui e ali, adaptando as técnicas para o meu momento no jiu-jitsu, vi que a coisa realmente fazia sentido.

Basicamente a lógica da PNL é o seguinte: cada um de nós tem um modelo mental, uma maneira de interpretar o mundo e a nós mesmos. Mas isso não significa que a gente não possa aperfeiçoá-lo.

E aí, quando temos um campeonato, por exemplo, o evento é igual para todos. Porém, as informações do ambiente são absorvidas por cada um de nós pelos nossos canais sensoriais (NEURO), e passam por nossos filtros, nossas crenças (PROGRAMAÇÃO) e geram diferentes emoções, que acabam interferindo em nossos comportamentos (LINGUÍSTICA).

Então, voltando para o exemplo do campeonato, se você interpreta aquilo como uma ameaça, dificilmente vai reagir positivamente ali. Você pode até pensar momentaneamente assim, mas o pulo do gato é ser capaz de perceber tudo isso e mudar rapidamente a situação – “reprogramar” a coisa.

Ancoragem

Depois que entendi a lógica, fui estudar a técnica, e claro, treinar. A principal foi a ancoragem: aqui era lançar âncoras, ou seja, criar gatilhos que pudessem acionar um estado de confiança total.

Não é à toa que a gente vê a galera concentrada com seus fones de ouvido ou dando tapas no corpo e na cara antes de entrar no tatame. É tudo âncora: pode ser um estímulo qualquer, desde um ritual de entrada no tatame, uma música, um gesto, um cheiro, que você associa a um estado mental. Uma ligação neurológica entre estímulo e o estado emocional.

Beleza, mas como criar uma âncora? Alguns passos:

  1. Lembrar-se de uma experiência de sucesso e revivê-la nos detalhes. Aquele campeonato que você apavorou, por exemplo. Lembrar-se daquele momento, do que você viu, do que sentiu, do que falou para você mesmo. Sentir novamente aquele entusiasmo.
  2. No auge do sentimento, ancorar este estado com algum gesto simples, que você consiga reproduzir com facilidade. Pode ser um ritual para entrar no tatame, uma forma de se aquecer. Associe este movimento como um gatilho para sentir todo esse entusiasmo novamente.
  3. Ensaiar. Frequentemente usar o gatilho criado e acionar este estado emocional até que você consiga trazer isso à tona quando quiser.

Quando você se acostuma a acionar as âncoras que criou, entra automaticamente no estado de ânimo que quer estar. Medo, ansiedade, receio ou qualquer outro sentimento que mais atrapalha que ajuda ali deixam de fazer sentido. Ao contrário: dão lugar à confiança e, principalmente, ao prazer de estar ali, independentemente do resultado que você vai alcançar.

E quando você se dá conta, é só diversão. Como tinha que ser desde o início.

A ancoragem é só uma das inúmeras técnicas trazidas pela PNL. Vale a pena dar uma “googlada” sobre o assunto e adaptar para sua própria realidade, usando seus próprios exemplos. Foi assim que fiz, quase uma autoterapia. Se não funcionar para você, na pior das hipóteses é um estímulo para trabalhar ainda mais seu autoconhecimento. Algo útil em qualquer aspecto da vida, né?

Lidar com a mente foi só um dos inúmeros aprendizados que o tatame me proporcionou. Como não amar nossa arte suave, não é mesmo?

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