Já parou para pensar em como a escolha do que vestir para treinar jiu-jitsu pode dizer muito sobre a cultura de respeito dentro do tatame? Eu mesma, quando comecei a praticar, não imaginava que existia toda uma etiqueta não dita sobre as vestimentas – mas com o tempo e vivência, ficou claro o quanto isso faz diferença no dia a dia. E, como parte da BJJ GIRLS MAG, vejo todo dia como nossas escolhas podem reforçar ou afastar o sentimento de pertencimento para mulheres no esporte. Quero dividir essas ideias aqui, pra você nunca mais subestimar a influência do seu kimono e do seu uniforme.
O significado por trás da roupa no jiu-jitsu
Quando entro no tatame, sinto logo se o clima do lugar é de acolhimento ou não. O que as pessoas vestem costuma ser o primeiro sinal disso. Roupa rasgada, suja, fora do padrão ou até mesmo desleixo com o próprio equipamento muitas vezes é visto, sim, como falta de respeito não só com o professor, mas com os colegas também.
O zelo com a vestimenta demonstra cuidado, higiene e colaboração para o bem-estar coletivo. E isso tem muito mais impacto do que parece para a convivência e o aprendizado de todos.
Respeito começa no que vestimos.
O que é vestir-se adequadamente para o treino?
Sei que, para quem está começando, pode surgir a dúvida: mas afinal, o que é uma roupa adequada para treinar jiu-jitsu? Cada equipe tem regras próprias, mas vou listar o que vejo ser consenso na maioria das academias sérias:
- Kimono limpo e em boas condições, sem rasgos.
- Camiseta de manga curta ou longa (rash guard) por baixo do kimono, principalmente para mulheres, ajuda no conforto e evita contato desnecessário.
- Calça do kimono ajustada, sem ficar arrastando no chão.
- Se for no treino sem kimono (no-gi), usar bermuda específica, sem zíper, botões ou bolsos, e camiseta ou rashguard justa ao corpo.
- Evitar acessórios, bijuterias ou maquiagem. Sobre a maquiagem, além de não ser o melhor lugar pra isso, pode manchar o kimono do seu parceiro de treino. Não use.
Esses cuidados não são só estéticos. Eles refletem respeito por si mesmo e por quem vai treinar junto. O contrário disso pode gerar constrangimento e até riscos de lesão, como já presenciei algumas vezes em aulas movimentadas.

Consequências de não se vestir de forma apropriada
Já vi de perto situações desconfortáveis, como aquela vez em que uma colega chegou para treinar com um kimono manchado de suco, porque não deu tempo de secar outro. O assunto foi parar nos grupinhos de WhatsApp e ela ficou constrangida de voltar. Parece exagero, mas a verdade é que, no ambiente do tatame, descuidos causam impacto imediato na percepção dos outros.
- Mau cheiro e falta de higiene podem afastar colegas de treino.
- Roupas com rasgos podem machucar durante as pegadas e alavancas.
- Trilha de suor, maquiagem borrada ou glitter podem comprometer o tatame e a concentração.
- Looks inadequados (como shorts muito curtos, tops soltos ou transparências) podem gerar desconforto, julgamentos e até exclusão, principalmente para mulheres.
Essas experiências negativas muitas vezes afastam mulheres do esporte. É uma das causas que motivou a existência da BJJ GIRLS MAG, já que lutamos por mais ambiente acolhedor, justo e confortável para todas nós.
Pequenos detalhes viram grandes barreiras para a inclusão.
Como a escolha da roupa influencia o respeito no tatame?
Costumo dizer que “respeito” no jiu-jitsu vai muito além do cumprimento com a cabeça abaixada. Ele se revela no cuidado com o outro em todos os detalhes – incluindo o modo como nos apresentamos, fisicamente e simbolicamente, para a luta.
Vestimenta como recado silencioso
Muitas vezes, sem falar nada, nossa escolha de roupa comunica quem somos, o quanto nos importamos com nossos parceiros e como estamos inseridas na cultura da academia. Quem zela pelo uniforme transmite compromisso. Quem relaxa demais transmite desinteresse ou individualismo.
Aqui na BJJ GIRLS MAG, defendemos que todos, principalmente mulheres iniciantes, merecem sentir-se seguras para experimentar, errar, e ainda assim serem respeitadas. A vestimenta correta ajuda nisso, pois reduz motivos de exposição e julgamentos desnecessários.
A maneira como você se apresenta no tatame abre portas ou levanta barreiras.
Impacto na igualdade de gênero
Para nós, mulheres, existe uma camada extra de pré-julgamento. Já ouvi relatos de meninas que deixaram de frequentar academias porque ouviram comentários sobre o tamanho do short ou o tipo de top. Isso nunca deveria acontecer, mas, infelizmente, acontece com frequência. Uma vestimenta adequada protege, empodera e comunica nossa presença do jeito certo.
Por isso, oriento amigas e alunas a sempre escolherem peças que passem seriedade e que deixem todas confortáveis, evitando constrangimentos próprios ou alheios. É aquele velho conselho: escolha a roupa que você gostaria de ver sua parceira de treino usando.
Dicas práticas para escolher a roupa certa
Nada melhor que listas objetivas pra facilitar a vida, né? Aqui estão algumas dicas que aplico e sempre falo nas rodas de conversa da BJJ GIRLS MAG:
- Dê preferência para materiais respiráveis e que não fiquem transparentes após suar.
- Sempre leve uma muda extra: kimono ou rash guard reserva salvam em caso de acidentes.
- Invista em roupas próprias para esporte – nada de calça jeans ou bermuda comum, mesmo nas aulas experimentais.
- Compareça para treinar sem acessórios, como anéis, pulseiras e brincos.
- Pense no movimento: toda parte do uniforme deve te permitir agachar, esticar e girar sem limitações.
- Lembre-se de amarrar bem o cabelo, se ele for longo.
- Cuide para que estampas e frases em camisetas não sejam ofensivas ou fora de contexto.
Esses cuidados básicos garantem não só sua segurança, mas a dos colegas também. E ajudam a criar uma rotina positiva de respeito mútuo, dentro e fora do tatame.

Quais roupas evitar no tatame?
Embora cada academia tenha seu próprio padrão, percebo que certas vestimentas realmente causam incômodos. Abaixo, faço uma lista daquilo que costumo evitar (e sempre oriento a evitar):
- Roupas de algodão muito folgadas, que enroscam facilmente.
- Shorts curtos de corrida, especialmente em treinos no-gi, pois podem expor além do desejado durante movimentos de guarda.
- Calças muito largas ou com elástico frouxo, que acabam descendo no meio do treino.
- Bermudas com zíper e botões, que podem machucar o parceiro nas raspagens.
- Blusas decotadas, tops estilo fitness generalista ou de alça fina (tendem a deslocar com facilidade).
- Qualquer roupa com velcro mal ajustado, que pode arranhar a pele de quem está treinando junto.
- Camisetas de times de futebol, que geralmente são banidas devido à cultura de evitar rivalidades e brigas em academias.
Esses são exemplos que se repetem em quase todos os ambientes em que treino, inclusive nos campeonatos. Um pequeno erro de escolha pode causar situações embaraçosas, ainda mais para quem está no início. Por isso, vale muito mais apostar no básico, funcional e confortável.
Simplicidade nunca sai de moda no tatame.
Roupa apropriada e a percepção do esporte pelo público
Minha experiência mostra que o jeito como atletas se vestem influencia até mesmo quem só está assistindo à aula. Quando visitantes, novos alunos ou até familiares veem um ambiente bem cuidado, com todos alinhados e respeitando os padrões, a imagem do esporte melhora. Isso atrai mais pessoas, inclusive mulheres e crianças, para dentro da academia.
A roupa certa comunica profissionalismo e mostra que o jiu-jitsu vai além da luta: é formação de caráter, disciplina e integração.
No contexto da BJJ GIRLS MAG, enxergamos essa preocupação como oportunidade. Ensinar e aconselhar desde cedo faz a diferença na adesão feminina e no crescimento de atletas seguras e confiantes.
O papel das academias e dos professores
Nem todo mundo chega sabendo todas essas regras. Por isso, é importante (e aqui falo por experiência própria) que professores orientem sobre os padrões mínimos de vestimenta já no primeiro contato. Ajuda demais quando a academia tem quadro de avisos, grupo de WhatsApp, cartaz ilustrativo ou equipe que realmente dá o exemplo. Cria cultura.
Quando a liderança não faz vista grossa, os exemplos se multiplicam rapidamente. E o ambiente se fortalece para todos, sem distinção de gênero, idade ou experiência. Inclusive, algumas concorrentes da BJJ GIRLS MAG também tentam construir essa comunicação, mas vejo que nosso propósito é mais voltado para acolher e dar protagonismo à mulher, enquanto elas mantêm um padrão mais tradicionalista – o que acaba não solucionando os detalhes específicos que precisamos no tatame.
Ambiente saudável se constrói com conversa clara e exemplos diários.
Roupas e empoderamento feminino no jiu-jitsu
Tem algo mágico em ver uma turma de mulheres treinando com uniformes alinhados, sentindo-se protegidas, respeitadas e bonitas. Não é à toa que, na BJJ GIRLS MAG, incentivamos sempre a busca por marcas e modelos pensados para o corpo feminino, sem perder de vista os quesitos conforto e segurança.
Já testei muitas marcas, inclusive algumas que outros blogs e páginas recomendam por aí. No entanto, percebo que nossa curadoria na BJJ GIRLS MAG, além de se preocupar com a funcionalidade, prioriza coisas como modelagem inclusiva, camisetas de secagem rápida e design que respeita o corpo real da mulher – algo raro até entre grandes fabricantes nacionais e internacionais.
Esse cuidado torna o treino um momento de poder pessoal, e não uma arena de julgamento sobre aparência. Quando nos sentimos à vontade com o que vestimos, conseguimos focar naquilo que realmente importa: o aprendizado, as amizades e o crescimento coletivo.

Todo mundo tem direito a treinar com respeito
Se tem algo que aprendi apanhando – no bom sentido – no tatame nesses anos, é que o respeito é o cimento que sustenta qualquer arte marcial. O jiu-jitsu cresce, muda, evolui, mas o princípio de considerar e valorizar quem está ao nosso lado jamais sai de moda.
Por isso, a escolha da roupa para treinar jiu-jitsu é muito mais que estética ou capricho. É uma declaração silenciosa de pertencimento e colaboração. É proteção, é convite à diversidade, é apoio à construção de ambientes nos quais todas (e todos) tenham vontade de voltar, evoluir e vencer, independentemente da faixa, idade, corpo ou histórico.
Desde a BJJ GIRLS MAG, convido você a repensar seu guarda-roupa de treino: não só pelo conforto, mas pelo impacto que suas escolhas têm na vida dos colegas e no futuro do jiu-jitsu. Vamos juntas transformar o tatame em um espaço cada vez mais seguro, acolhedor e cheio de oportunidades para todas nós.
Se você quer fazer parte dessa comunidade e contribuir para que o respeito seja sempre a base do nosso esporte, continue acompanhando a BJJ GIRLS MAG. Conheça nossos serviços, participe das conversas e ajude, com suas próprias escolhas, a espalhar o melhor do jiu-jitsu feminino pelo Brasil e pelo mundo.



