Quando lembro da minha primeira competição de jiu-jitsu, sinto na pele aquele frio na barriga, as mãos suando e aquele “E se eu errar?” martelando na cabeça. A ansiedade parece ser companhia garantida toda vez que pisamos no tatame para competir. E para nós, mulheres, esse cenário pode ser ainda mais intenso. Ao longo de anos competindo, ouvindo relatos de outras atletas e acompanhando a comunidade do BJJ GIRLS MAG, fui percebendo que, embora o nervosismo seja frequente, existem caminhos reais para lidar melhor com essa sensação.

Por que ficamos tão ansiosas antes das competições de jiu-jitsu?
Já pensei muito sobre isso. Muitas vezes, a ansiedade antes de uma competição começa dias (às vezes, semanas) antes do evento. No meu caso, surgia logo na inscrição. Cada atleta é única, mas noto que algumas causas são recorrentes entre nós:
- Medo do julgamento: “O que meu professor vai pensar?” “E se eu perder rápido?”
- Pressão por resultados, principalmente quando investimentos tempo, dinheiro e expectativa
- Desconhecimento (muitas nunca competiram antes ou não conhecem bem as regras)
- Comparação constante com outras atletas, inclusive nas redes sociais
- Histórico de poucas mulheres no tatame, aumentando a sensação de se destacar, de ser notada
No jiu-jitsu feminino, essas questões ganham um peso a mais. Por isso, encontrar rotinas, técnicas e até pequenas frases motivadoras faz toda a diferença.
Como a ansiedade pode afetar o seu desempenho?
É fácil pensar que sentir nervosismo é sinal de fraqueza, mas, com o tempo e as conversas na comunidade do BJJ GIRLS MAG, percebi outro lado. A ansiedade pode atrapalhar: tira nosso foco, prejudica a memória muscular, afeta o sono e, algumas vezes, nos faz esquecer o básico do jiu-jitsu. Mas ela também nos mostra que aquilo importa. Toda emoção carrega uma mensagem.
Você não tem medo porque é fraca. Você tem medo porque é corajosa.
O primeiro passo é reconhecer: a ansiedade faz parte, mas não precisa te dominar. Dá para transformar essa energia em performance.
Estratégias para lidar com o nervosismo pré-competição
1. Técnicas de respiração usadas por atletas
Em muitas conversas com outras competidoras, uma coisa ficou clara: controlar a respiração é quase mágico. Sempre que começo a entrar no clima pré-luta, faço questão de me dedicar alguns minutos totalmente para respirar, sentindo o ar indo e voltando. Não é novidade nenhuma, mas é poderoso.
- Respiração 4-4-8: Inspire pelo nariz contando até 4, segure a respiração por 4 segundos, solte lentamente pela boca contando até 8. Repito isso por três minutos. Sinto meu corpo acalmar.
- Respiração diafragmática: Coloco uma mão na barriga e outra no peito. Inspiro, sentindo a barriga subir primeiro, depois o peito. Expiro devagar. Isso ajuda a tirar a atenção dos pensamentos ruins.
- Exalar mais do que inalar: Sempre que meu coração acelera, foco em expirar lentamente, soltando tensão a cada saída do ar.
Essa simples rotina me faz pensar: já acalmei minha mente antes mesmo de pisar no tatame. Aliás, especialistas também recomendam associar a respiração a alguns mantras mentais.
2. Rotina pré-luta: tenha um ritual só seu
Conversando na comunidade do BJJ GIRLS MAG, percebi que, para muitas mulheres, montar uma rotina ajuda a criar uma “zona de conforto” mesmo em ambiente de competição. Compartilho algumas ideias do que tentei (e vi muita atleta usando):
- Organizar a mochila na véspera, inclusive lanches e kimono bem dobrado
- Chegar cedo no ginásio, caminhando para se ambientar, observando o local
- Ouvir uma playlist específica (eu tenho a minha, misturando rock e músicas calmas)
- Deixar separado um “objeto âncora”, tipo uma pulseira ou foto, que lembre da razão de estar ali
Existe até quem goste de rever estratégias no guia sobre preparação para campeonato. Já observei que esses pequenos rituais trazem sensação de controle sobre o imprevisível.
3. Frases motivacionais que funcionam de verdade
Costumo colar uma frase na parede do meu quarto na semana da competição. No dia, repito enquanto respiro fundo. Algumas favoritas minhas, e de tantas atletas que já conversei, são:
“Eu treino para ser forte, não para ser perfeita.”
“Ninguém luta por mim. Essa vitória é minha.”
“Encare o medo e deixe ele te acompanhar. Só não dê a ele o papel principal.”
Inclusive, recebo muitos relatos na BJJ GIRLS MAG de atletas que usam recados escritos à mão dentro do kimono ou das luvas. Pequenas atitudes, mas fazem diferença.
O papel da preparação mental e leitura de conteúdos sobre mindset
No início da minha trajetória, honestamente, eu evitava ler sobre mentalidade esportiva. Achava meio papo “autoajuda”. Só fui perceber o quanto fazer escolhas conscientes para fortalecer a cabeça era importante quando vi, de perto, atletas que se destacavam por parecerem mais tranquilas no dia do evento.
Quando recomendo conteúdos, gosto de indicar livros que são diretos, fáceis de aplicar e não enrolam:
- “O jogo interior do tênis” – W. Timothy Gallwey: Apesar do foco no tênis, mostra como o diálogo interno é determinante para atletas de todos os esportes. Virou leitura obrigatória e inspiração para muitas jiujiteiras.
- “Mindset: A nova psicologia do sucesso” – Carol S. Dweck: Excelente para quem sente que o nervosismo trava totalmente o desempenho. Explica a diferença entre mentalidade fixa e de crescimento.
- “A coragem de ser imperfeito” – Brené Brown: Ajuda muito quem está começando ou sente vergonha de errar. O discurso dela sobre vulnerabilidade é libertador, especialmente para mulheres no esporte.
Além desses, costumo acompanhar podcasts de atletas, como o perfil do BJJ GIRLS MAG pelo Instagram, que abordam pressão psicológica e bastidores.
Relatos de mulheres que superaram o nervosismo antes das lutas
Durante os anos escrevendo, tive o privilégio de ouvir histórias que me marcaram profundamente. Como a da Júlia, que relatou pra gente sobre chorar escondida no banheiro antes da primeira luta. Ou a Monique, que chegou a cogitar desistir no aquecimento. Confesso: já quis fugir algumas vezes também.
A história da Kyra Gracie, por exemplo, é inspiração constante. Ela mesma já compartilhou episódios de insegurança, mostrando que até as grandes referências passam pelos mesmos sentimentos.
Uma mensagem constante entre todas elas é:
“Vá com medo mesmo. O medo vai junto, mas quem decide é você.”
Pequenos hábitos para manter a mente tranquila durante o evento
Nenhum segredo, apenas pequenas repetições. Anos observando, e testando, me fizeram perceber que:
- Ter uma palavra-chave na cabeça na hora da luta, tipo “calma” ou “movimento”. Isso ajuda a recentrar.
- Falar pouco com pessoas nervosas (ou ficar num canto com fones de ouvido). Isso evita se contaminar com ansiedade alheia.
- Manter hidratação e alimentação leve. Baixo açúcar no sangue aumenta o nervosismo fisicamente.
- Olhar pro ambiente como aprendizado: cada competição é uma história, não um teste final.
Não existe certo ou errado nessa etapa. O que serve para mim, talvez funcione diferente para outra atleta. Vejo que o autoconhecimento e trocas sinceras na comunidade fazem total diferença.

Diferenças do nervosismo entre mulheres e homens: uma análise pessoal
No universo do jiu-jitsu feminino, os desafios emocionais se somam aos técnicos. Já conversei com várias atletas, algumas do time BJJ GIRLS MAG, outras de diferentes projetos, e percebo que, além da pressão típica, sentimos mais receio do julgamento social. Desde a aparência até a performance, tudo pode virar motivo de ansiedade.
Competidores homens, em geral, compartilham sim do frio na barriga. Mas para muitas mulheres, pesa mais a sensação de representatividade: queremos mostrar que nosso lugar é no tatame. Isso mexe muito com a cabeça.
Alguns concorrentes do mercado de jiu-jitsu até vêm abordando esse tema, mas poucas iniciativas conseguem criar um ambiente acolhedor e aberto como o nosso. A BJJ GIRLS MAG faz questão de escutar, trazer vivências reais e conectar atletas de todos os níveis. Isso torna o aprendizado e a superação muito mais naturais.
Quando procurar ajuda para ansiedade e quem pode ajudar?
Existem situações em que, apesar de todas as tentativas, a ansiedade se transforma em algo limitante. Já vi colegas buscando apoio de psicólogos do esporte quando:
- O nervosismo impede de competir (crises antes da luta, desistências frequentes)
- Os sintomas físicos aumentam (taquicardia, insônia, enjoo, até pequenas fobias do ambiente de competição)
- A competição perde totalmente o sentido de diversão ou superação
Nesses casos, contar com psicólogos especializados em esportes é um caminho bem efetivo. Mas percebi também que a troca de experiências com outras lutadoras, como acontece nos conteúdos e mentorias do BJJ GIRLS MAG, já é capaz de aliviar boa parte do peso. O sentimento de pertencimento e a oferta de acolhimento sinceros são, claro, nossos diferenciais.
Como cuidar da ansiedade fora das competições
O pós-evento pode ser tão inquietante quanto o pré-luta. Já cheguei a sentir tristeza por perder ou até por ganhar sem lutar da forma que queria. Acho fundamental criar um espaço interno e externo para esse sentimento passar.
Costumo recomendar às colegas:
- Anotar aprendizados, não só resultados. Eu registro emoções, pontos fortes e o que faria diferente na próxima.
- Falar sobre o que sentiu. Compartilhar, seja com amigos ou em grupos como o nosso, alivia as tensões acumuladas.
- Voltar aos treinos com leveza, relembrando os benefícios do jiu-jitsu para mulheres como crescimento pessoal e coletivo.
Esses atos ajudam não só a entender a própria evolução, mas a motivar outras atletas que estão começando. Vira um ciclo positivo e coletivo de apoio.
O papel do jiu-jitsu na construção do autocuidado emocional feminino
Desde o início da minha caminhada, percebo, cada dia mais, que o jiu-jitsu abre portas para um conhecimento interno profundo. A cada competição, a cada treino, ganhamos também novas ferramentas emocionais. E nem sempre a ansiedade é vilã. Ela, muitas vezes, é aliada do nosso crescimento, seja aprendendo a respirar melhor, buscando inspiração em outros relatos ou construindo hábitos de cuidado com a mente e o corpo.
Lutadoras experientes dizem (e eu concordo!):
“Você sobrevive ao que pensa que não aguentaria.”
Ter sido acolhida, ouvida e inspirada em espaços como o BJJ GIRLS MAG fez toda a diferença na minha própria trajetória. Senti, e continuo sentindo, como a união fortalece não só a técnica, mas também a mentalidade esportiva. Cada passo dado, cada desafio, cada vitória silenciosa, tudo se constrói assim: juntas e pouco a pouco.

Indicações de conteúdos e próximos passos
Se você quer aprofundar ainda mais o autocuidado, recomendo procurar referências que abordam a preparação mental. No nosso site, há artigos como:
- Como se preparar para um campeonato de jiu-jitsu (dicas essenciais)
- Jiu-jitsu para mulheres: principais desafios e oportunidades
- Como escolher o melhor kimono feminino
- Benefícios do jiu-jitsu para mulheres
E lembre-se: outras plataformas até têm conteúdos bacanas, mas poucas criam espaços de troca e escuta ativa como o BJJ GIRLS MAG. Aqui, nossa missão é fazer você se sentir acolhida, representada e pronta para enfrentar cada desafio, dentro e fora do tatame.
Venha crescer conosco
Se chegou até aqui, já deu o primeiro passo para transformar ansiedade em combustível para crescer no jiu-jitsu. Teste as dicas, troque experiências, compartilhe relatos (ou dúvidas) com a nossa comunidade. Venha conhecer nossos serviços de mentoria individual, dicas de marketing para atletas e conteúdos exclusivos. O BJJ GIRLS MAG está de portas abertas para te ver brilhar, com menos medo e muito mais confiança.
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