Fala, galera! De uns tempos pra cá muitas meninas vem pedindo para eu escrever sobre o assunto, e ainda mais agora que é época de treino forte para o Panamericano e Mundial de Jiu-Jitsu IBJJF.
Competir no jiu-jitsu não é fácil, convenhamos… além de ter que se dedicar muito aos treinos, os atletas precisam de preparação física, alimentação correta, suplementação etc, e por isso muitas atletas acabam fazendo o uso de anabolizantes para ter mais ganho de força muscular, explosão e para cumprir todos os treinos da semana.
Como sabemos, nosso esporte não possui fiscalização para as faixas menores – o exame antidoping só é realizado nos campeões na faixa preta. Ídolos como Preguiça e Gabi Garcia já foram barrados no exame que acontece anualmente, deixando alguns inclusive de fora dos eventos da IBJJF por um ano. Caso o atleta tenha lutado e no exame tenha acusado uso de anabolizantes, o mesmo acaba perdendo o título.
Pensando nisso, conversamos com algumas meninas que já lutaram com atletas que fazem uso de anabolizantes, e também com quem já tomou. Confira:
“Ela era fisiculturista mesmo… Tomava muita coisa. Eu achei que eu fosse morrer hahahaha. Anos depois um professor meu encontrou ela em Abu Dhabi.. E ela se gabava lá de que amassava os homens de lá. E na academia levantava mais peso que os caras também. Na luta, ela me deu uma sacudida que arrancou minha vértebra do lugar e pinçou meu nervo ciático.. Quase morri.. Fim da história.”
(Aline de Moraes, 27 anos, faixa roxa)
“Estou tomando atualmente, e força ‘tá que tá’. Estou pegando os mesmo pesos do meu mestre na musculação, tô treinando com mais explosão, força. Eu estou tomando 20g por dia de Oxandrolona há duas semanas. Eu treinando fazendo uso de anabolizante e sem, são coisas totalmente diferentes. Tomo porque treino muito com homens e a diferença da força deles sobre a minha é absurda. Eles fazem força comigo para ganhar vantagem porque sou mulher, então tomo para ter pelo menos uma força mais ou menos igual à deles. Só acho sacanagem quando é alguém do meu peso, aí evito de rolar porque a diferença é bem gritante.”
(Roberta Alves, 30 anos, faixa roxa).
“Eu fui lutar um campeonato na minha cidade e vi a minha adversária, mas não pesquisei nada sobre ela. E então um amigo meu me mostrou com quem eu ia lutar, me mostrou foto e tal… lutadora de MMA, a mulher era enorme de forte… era assustador de ver. Na hora da luta, quando o juiz disse: “combate”, ela disse: “boa luta”, com uma voz absurda de grossa. No final foram 4 pontos pra cada, e o juiz acabou dando pra ela, mas eu tive que fazer uma força absurda perto da força que eu faço normalmente com as meninas da minha categoria. Só na pegada que ela fez, eu já senti a força dela.”
(Gisele Rodrigues, faixa azul, 20 anos).
Pensando nisso, vamos analisar alguns pontos: é justo você que treina todos os dias, não toma nada além de suplementos, lutar com alguém que faz uso de anabolizantes? Provavelmente responderá que não, até porque mais injusto ainda é a fiscalização das confederações, que não tem nenhum tipo de barreira que impeça esse tipo de atitude. Por outro lado, se você escolheu viver do esporte, lutar, competir e ser um atleta de alto nível, é “justo” você ter de cumprir todos os treinos para ser campeão sem “tomar nada”, tendo que lutar com tanta gente que toma? Será que o corpo aguentaria mesmo fazer todos os treinos, preparação física sem tomar nada “a mais”?
O certo mesmo seria nenhum atleta fazer o uso desses tipos de substância – e mais do que isso, o certo seria uma confederação que fiscalizasse corretamente todos os atletas federados, a fim de impedir que os mesmos lutassem sob efeito delas. Enquanto isso, seremos obrigados a lutar com pessoas que fazem uso desenfreado de anabolizantes – sem chance de revogar, afinal não temos órgão responsável que barre esse tipo de atitude.
Na sua opinião, até que ponto o doping é efetivo da forma que é realizado pela IBJJF?


