Alliance diz que Matheus Knorr não representa a equipe há anos e que nunca soube de denúncias contra ele, Mário Reis não se pronunciou

A Alliance Jiu Jitsu afirmou ao BJJ Girls Mag que Matheus Linhares Knorr, preso na última sexta-feira (18) em Canoas, no Rio Grande do Sul, competiu pela equipe no passado e que hoje não existe nenhum vínculo esportivo entre os dois. A resposta chegou em 22 de setembro, assinada pela Alliance, três dias depois de a redação procurar a organização.

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Knorr, de 34 anos, é professor de jiu-jitsu e dono da Aspira BJJ, em Canoas. Ele trabalhava como motorista de aplicativo e foi preso preventivamente pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) do município, depois que a passageira Thaiane Azambuja denunciou que ele fez uma corrida sem roupa da cintura para baixo, em 11 de setembro. A prisão e a denúncia estão nesta matéria.

O que a Alliance respondeu

O BJJ Girls Mag perguntou à Alliance se a equipe sabia de processos envolvendo Knorr antes do caso, se houve alguma apuração interna, se pretende tomar alguma medida agora e se tem um posicionamento oficial sobre o caso. Estas foram as respostas, na íntegra:

1. Matheus Knorr representou a equipe Alliance Jiu Jitsu em algumas competições no passado, mas não representa a equipe há vários anos. Durante o período do vínculo, não chegou ao conhecimento da Alliance Jiu Jitsu ocorrência ou denúncia daquela natureza; atualmente, teve ciência apenas das notícias divulgadas.

2. Não houve, à época, procedimento interno relacionado a fatos dessa natureza, pois nenhuma informação nesse sentido chegou ao conhecimento da Alliance Jiu Jitsu durante o vínculo.

3. Não há atualmente vínculo esportivo vigente em relação ao qual caiba a adoção de medida de natureza contratual.

4. A Aliance Jiu Jitsu considera incompatível com seus valores qualquer forma de abuso ou violência, especialmente contra crianças e adolescentes, e entende que situações dessa natureza devem ser apuradas com seriedade pelas autoridades competentes.

Por que a redação também procurou Mário Reis

A Aspira BJJ, academia de Knorr, tratava publicamente o professor Mário Reis como o líder dela. Em 11 de março de 2020, o perfil da academia publicou fotos de um seminário com a legenda “Registro oficial do seminário do nosso Sensei @marioreisjiujitsu”. Em outras publicações do mesmo período aparecem seminários e graduação de faixas pretas da Aspira conduzidos por ele. É esse vínculo que explica o pedido de posicionamento, porque no jiu-jitsu é o professor de cima que gradua, chancela e responde pela linhagem do professor de baixo.

Vale deixar claro: Mário Reis não é acusado de nada neste caso, e as publicações que documentam esse vínculo são de 2020. A pergunta que a redação fez a ele é a mesma que fez à Alliance, ou seja, se sabia de denúncias ou processos envolvendo Knorr e se pretende tomar alguma medida agora.

A redação procurou a Alliance Mário Reis no dia 19 de setembro, por email, com as mesmas perguntas e prazo até esta quinta-feira (24). Até a publicação desta matéria, não houve resposta. Se chegar, será publicada aqui com o mesmo destaque.

O que a delegada disse sobre o histórico dele

No dia da prisão, a delegada Angélica Giovanella Marques, titular da DEAM de Canoas, falou à imprensa gaúcha sobre o que a investigação encontrou. “Nós conseguimos a partir de uma investigação bastante qualificada a identificação desse indivíduo e a apuração do histórico que envolve esse indivíduo. Ele respondeu já alguns inquéritos policiais envolvendo crimes sexuais”, disse à Agência GBC. Segundo ela, “ele já respondeu por estupro, importunação sexual e ele também tem um histórico de violência doméstica”.

A entrevista da delegada foi publicada pela Agência GBC no mesmo dia da prisão e pode ser lida na íntegra em “Ele já respondeu por estupro e importunação sexual”, diz delegada após prisão de motorista de aplicativo denunciado por dirigir sem roupas em Canoas.

Vale dizer com clareza o que isso significa: responder a inquérito ou a processo não é o mesmo que ter sido condenado. A delegada falou de registros anteriores que apareceram na apuração, e nenhum deles foi julgado dentro deste caso.

Sobre a corrida de 11 de setembro, ela contou que a passageira percebeu o que estava acontecendo durante o trajeto. “Ele estava conduzindo esse veículo, como motorista de aplicativo, nu da cintura para baixo, ele estava usando uma camisa. Essa vítima verificou então, que ele durante a corrida, além de nu, ele estava se masturbando”, afirmou.

O que diz a defesa

Os advogados de Knorr informaram à imprensa que ele “já prestou depoimento e apresentou provas acerca de sua inocência” e que “a prisão será contestada no momento oportuno”. Antes de ser preso, ele publicou um vídeo no Instagram, em colaboração com o perfil da Aspira BJJ, em que chamou a acusação de “totalmente incabível” e disse ser vítima de um golpe, com ameaças e pedidos de dinheiro. O vídeo saiu do ar depois da prisão, e o BJJ Girls Mag mantém uma cópia arquivada.

O espaço segue aberto para Matheus Knorr, a defesa dele e a Aspira BJJ pelo email bjjgirlsmag@gmail.com, e qualquer manifestação será publicada com o mesmo destaque.

Por que a gente pergunta para as equipes

Quando um professor é preso, a pergunta que aparece no tatame no dia seguinte é sempre a mesma: quem sabia, e desde quando? Equipe grande no jiu-jitsu funciona como uma chancela, porque o nome dela aparece no kimono, no pódio e na divulgação da academia, e é isso que leva mãe e pai a matricularem o filho ali. Por isso a gente procura a equipe, pergunta o que ela sabia e publica a resposta do jeito que ela mandou.

A Alliance respondeu em três dias, e isso merece ser registrado, porque a maioria das organizações que a gente procura nesses casos simplesmente não responde.

Se você treina jiu-jitsu e passou por alguma situação de violência com alguém do meio, o BJJ Girls Mag recebe relatos com sigilo pelo email bjjgirlsmag@gmail.com.


Esta matéria é uma apuração editorial do BJJ Girls Mag, portal de comunicação e informação especializado em jiu-jitsu feminino. O caso segue sob investigação da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, e não há julgamento até aqui. As manifestações citadas foram reproduzidas na íntegra, e novas manifestações serão publicadas com o mesmo destaque.

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