Caso Renê Jadan: ex-atleta formaliza boletim de ocorrência por assédio sexual contra professor de jiu-jitsu que atuava em projeto social, em Salvador

Atualização editorial — junho de 2026. Esta matéria trata de fatos relatados ao período em que o professor citado atuou no projeto social Boa Luta, entre 2017 e 2022. O BJJ Girls Mag esclarece que não afirma que o investigado atue atualmente no projeto. O Projeto Social Boa Luta confirmou à redação, em nota oficial datada de 19 de junho de 2026, que o profissional citado não integra o quadro do projeto desde outubro de 2024, não possuindo qualquer vínculo institucional desde então. A atual gestão e o atual professor responsável pelas aulas não têm qualquer relação com os fatos aqui relatados. A íntegra da nota do projeto está reproduzida ao final desta matéria.

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O BJJ Girls Mag é um portal de comunicação e informação especializado em jiu-jitsu feminino. Esta matéria é uma apuração editorial sobre denúncia formalizada perante a autoridade policial. O caso corre nas instâncias próprias, e a pessoa citada teve direito de resposta garantido, conforme detalhado ao final.

Uma ex-atleta do projeto social Boa Luta, no bairro da Boca do Rio, em Salvador (BA), formalizou boletim de ocorrência contra o professor de jiu-jitsu Renê Jadan. O registro foi feito em 15 de maio de 2026, na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher de Brotas. A ocorrência, de número 00365624/2026, foi classificada pela autoridade policial sob a natureza de assédio sexual, previsto no artigo 216-A do Código Penal.

A denunciante pediu para não ser identificada, e o BJJ Girls Mag preserva integralmente a identidade dela.

O que diz a denúncia

Segundo o relato apresentado à polícia, Renê Jadan atuava como líder do projeto Boa Luta e teria usado a posição de liderança para constranger e coagir alunas ao longo dos anos em que esteve à frente do projeto. A denunciante afirma ter sido assediada inúmeras vezes e relata que o investigado se relacionava com diversas alunas, parte delas menores de idade à época, de acordo com o relato.

Ainda de acordo com a denúncia, em determinado momento um grupo de mensagens reuniu algumas alunas, em sua maioria menores de idade na época, em que eram relatadas situações ocorridas na academia. Quando soube da existência desse grupo, segundo o relato, o investigado teria conduzido um treino em forma de punição contra as integrantes, no qual ele e uma segunda pessoa, citada no relato, aplicavam técnicas de asfixia, tapando boca e nariz das alunas. A denunciante afirma que o episódio foi seguido de novas condutas de coação.

A denunciante relata que permaneceu vinculada ao projeto entre 2017 e 2022 e que era desencorajada a sair, sob a alegação de que não encontraria outro espaço e de que não seria reconhecida como atleta profissional.

Onde o investigado atua atualmente

De acordo com perfis públicos em redes sociais, Renê Jadan segue atuando como professor de jiu-jitsu, à frente de uma escola que leva o seu nome. O BJJ Girls Mag optou por não divulgar endereços nem identificar alunos, e reforça que não vincula a este caso o atual projeto social, sua gestão ou seu professor atual.

Proteção a crianças e adolescentes

Em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente (artigos 17, 18 e 143), o BJJ Girls Mag não identifica e não identificará qualquer criança ou adolescente mencionada neste caso, ainda que de forma indireta.

Direito de resposta

Em respeito ao contraditório e ao direito de resposta previsto na Lei 13.188/2015, o BJJ Girls Mag contatou Renê Jadan em 26 de maio de 2026, apresentando os fatos e solicitando manifestação formal sobre os seguintes pontos: a confirmação de eventual relação inadequada entre treinador e alunas no período mencionado; a confirmação da aplicação de técnicas de asfixia em treino tratado como punição; a existência de protocolo de conduta com as atletas do projeto; e eventual posicionamento público sobre a denúncia e a investigação. Até a publicação desta matéria, não houve resposta. O canal permanece aberto, e a manifestação do investigado, caso enviada, será publicada com o mesmo destaque.

Nota de esclarecimento do Projeto Social Boa Luta

Em manifestação enviada à redação, o Projeto Social Boa Luta encaminhou a seguinte nota, aqui reproduzida na íntegra:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

O Projeto Social Boa Luta, comprometido com a transparência, a ética e a proteção de seus alunos e familiares, vem a público esclarecer informações divulgadas recentemente em publicação nas redes sociais relacionadas a fatos atribuídos a um profissional da área de jiu-jítsu.

Esclarecemos que o referido profissional não integra o quadro de professores, colaboradores ou prestadores de serviço do Projeto Boa Luta desde outubro de 2024, não possuindo qualquer vínculo institucional com o projeto desde aquela data.

O Projeto Boa Luta não possui participação nos fatos mencionados na publicação e não tem qualquer relação com os acontecimentos divulgados, os quais, segundo informado, encontram-se sob apuração das autoridades competentes.

Reafirmamos nosso compromisso inegociável com a integridade física, emocional e moral de nossos alunos, bem como com a adoção de práticas pautadas no respeito, na responsabilidade e na proteção de crianças, adolescentes e suas famílias.

Por respeito às partes envolvidas e à necessária observância do devido processo legal, entendemos que a apuração dos fatos compete exclusivamente às autoridades responsáveis, a quem cabe conduzir as investigações e promover o devido esclarecimento do caso.

O Projeto Boa Luta permanece à disposição para prestar os esclarecimentos institucionais que se fizerem necessários.

Salvador, 19 de junho de 2026.

PROJETO SOCIAL BOA LUTA
Transformando vidas através do esporte.

Observação editorial

O BJJ Girls Mag registra que Renê Jadan é, neste momento, investigado, e não foi condenado em qualquer instância. As informações reproduzidas nesta matéria referem-se a relato apresentado à autoridade policial e a documento de registro de ocorrência, não constituindo afirmação de autoria por parte do veículo. A apuração editorial não substitui a investigação policial nem o processo judicial, que seguem nas instâncias competentes. O BJJ Girls Mag segue acompanhando o caso e reforça seu compromisso com a apuração responsável, a proteção das vítimas e fontes, e o respeito à presunção de inocência.

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