Líder de equipe feminina Ana Rodrigues é acusada de pressionar vítima de Melqui Galvão ao silêncio; atleta nega

A atleta Lívia Barasine, cuja denúncia originou a prisão temporária do treinador Melqui Galvão em maio de 2026, afirmou em vídeo público ter sido pressionada por Ana Rodrigues, referência no jiu-jitsu feminino, e por Diego Sodré a não levar adiante a denúncia. Ambos negam categoricamente as acusações.

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Ana Rodrigues respondeu em vídeo público de cerca de dez minutos, no qual afirma jamais ter tomado conhecimento de qualquer relato de abuso sofrido por Lívia. Diego Sodré, por meio de seu advogado, divulgou nota oficial classificando como “categoricamente falsa” a alegação de que tentou dissuadir, influenciar ou impedir qualquer pessoa de denunciar supostos crimes de natureza sexual.

O caso Melqui Galvão

Melquisedeque de Lima Galvão Ferreira, conhecido como Melqui Galvão, foi preso temporariamente em Manaus em maio de 2026 e transferido para São Paulo, conforme noticiado pela CNN Brasil e pelo G1. O treinador é investigado por suspeitas de abuso sexual contra alunas. A investigação foi iniciada em São Paulo a partir da denúncia formal de uma atleta de 17 anos, identificada como Lívia Barasine, e tramita sob segredo de justiça. A apuração da Polícia Civil de São Paulo identificou relatos de ao menos três vítimas, além de outras possíveis vítimas em diferentes estados.

O relato de Lívia Barasine

Em vídeo publicado em suas redes sociais, Lívia Barasine afirmou ter procurado Ana Rodrigues, atleta que admirava por seu posicionamento público a favor das mulheres no esporte, em busca de apoio. A vítima alega ter sido convidada por Ana para uma viagem a Las Vegas, onde teria auxiliado na preparação da atleta para uma competição. Foi nessa viagem, segundo o relato de Lívia, que ela teria compartilhado os detalhes do que havia acontecido.

Em sua declaração pública, Lívia afirma: “Eu confiei em uma mulher que publicamente diz ser protetora das mulheres, que é contra assédio, contra abuso.” A atleta alega ter recebido orientação de Ana Rodrigues e Diego Sodré para não levar adiante a denúncia e para retornar ao ambiente vinculado ao treinador que ela identificou como agressor. Lívia também menciona que oportunidades de competição teriam sido apresentadas a ela caso a denúncia fosse abandonada.

A resposta de Ana Rodrigues

Em vídeo de cerca de dez minutos publicado em seu perfil no Instagram, Ana Rodrigues nega categoricamente que tenha tomado conhecimento de qualquer abuso sofrido por Lívia na época em que conviveu com ela. A atleta afirma: “Em nenhum momento, nem pra mim, nem pro Diego, a Lívia relatou que de fato havia sofrido abuso ou violência.”

Ana descreve seu próprio histórico de saída de equipe anterior por situações de abuso psicológico, chantagem emocional, ameaças e agressões físicas. Afirma ter ingressado na BJJ College em janeiro de 2026, com o objetivo de evoluir na modalidade No Gi, e ter permanecido por quatro meses na equipe. Diz que seu contato com Melqui Galvão era mínimo, sendo o convívio mais próximo com outro professor da academia.

Sobre a viagem mencionada por Lívia, Ana confirma que aconteceu e que convidou a atleta para auxiliar em sua preparação. Diz que conversaram sobre carreira, treino e futuro, e que sua preocupação naquele momento era com o afastamento de Lívia da rotina esportiva, cujo motivo ela desconhecia. Ana sustenta que prints de conversas entre as duas, que vêm circulando em redes sociais, foram divulgados fora de contexto. Cita duas mensagens em particular: uma em que afirma “independente do que aconteceu, nossa relação é independente disso”, argumentando que essa frase prova que ela não tinha conhecimento dos fatos. Outra em que pede que Lívia “pare de agir como criança” e menciona ligar para Melqui Galvão, contextualizando a mensagem como referente a questões de moradia e alojamento das atletas em Jundiaí.

Ana confirma ter prestado depoimento à delegada responsável pelo caso e diz estar à disposição para esclarecimentos. Relata ter desenvolvido crise de ansiedade e início de depressão diante da repercussão pública das acusações.

A nota oficial de Diego Sodré

Diego Sodré divulgou nota oficial por meio de seu advogado, Márcio Antonio Luciano Pires Pereira (OAB/PR 35.951), do escritório Pires Pereira Sociedade Individual de Advocacia. Em nota datada de 18 de maio de 2026, o atleta afirma:

“É categoricamente falsa a afirmação de que eu tenha tentado dissuadir, influenciar ou impedir qualquer pessoa de denunciar ou investigar supostos crimes de natureza sexual. Os fatos narrados em vídeo que circula em rede social são inexistentes e desconhecidos, sendo que não possuo qualquer relação com os episódios descritos no conteúdo mencionado.”

Diego avalia que a tentativa de vinculação de seu nome a tais condutas pode configurar crime de calúnia e difamação, e informa que medidas judiciais, cíveis e criminais, já estão sendo formalmente adotadas. A nota também declara apoio irrestrito ao combate ao abuso e a qualquer tipo de violência sexual ou de gênero, e expressa solidariedade às vítimas. Informa, ainda, que a plataforma onde o conteúdo foi divulgado já foi notificada extrajudicialmente para a remoção imediata do material e preservação de dados necessários à identificação e responsabilização dos autores da ofensa.

O que está em apuração

A investigação contra Melqui Galvão segue em curso sob segredo de justiça. A acusação envolvendo Ana Rodrigues e Diego Sodré, feita publicamente por Lívia Barasine, é, neste momento, alegação que demanda apuração própria. Ana Rodrigues confirma já ter prestado depoimento à delegada responsável pelo caso. O BJJ Girls Mag teve acesso ao vídeo público de Lívia Barasine, ao vídeo público de Ana Rodrigues, à nota oficial divulgada pela defesa de Diego Sodré e ao noticiamento do caso Melqui Galvão por veículos de imprensa nacional.

O posicionamento do BJJ Girls Mag

O BJJ Girls Mag é um veículo dedicado à cobertura do jiu-jitsu feminino e à defesa de espaços seguros para mulheres no esporte. O veículo se posiciona, de forma inequívoca, contra qualquer forma de abuso sexual, assédio, violência psicológica, exploração de menores, coerção contra vítimas, retaliação a quem denuncia ou silenciamento de relatos no ambiente esportivo.

Acreditamos que a defesa das mulheres no jiu-jitsu não se faz apenas em discurso, mas na prática diária de acolher, orientar e proteger. Continuaremos cobrindo este e outros casos com responsabilidade, ouvindo todas as partes, respeitando o contraditório e mantendo o compromisso editorial com a verdade.

Canais de acolhimento e denúncia

Se você está passando por uma situação de violência sexual, assédio, ameaça ou coerção, existem canais formais de acolhimento e denúncia disponíveis no Brasil:

Ligue 180. Central de Atendimento à Mulher. Funciona 24 horas, é gratuito e sigiloso. Recebe denúncias, orienta sobre direitos e encaminha para serviços especializados.

Disque 100. Recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo crimes contra crianças e adolescentes. Anônimo e gratuito.

Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM). Presentes em grande parte das cidades de médio e grande porte. Canal indicado para registrar boletins de ocorrência por violência doméstica, sexual e de gênero.

Casas da Mulher Brasileira. Oferecem atendimento integrado com assistência psicológica, social, orientação jurídica e delegacia em um mesmo espaço.

Open Guard Foundation. Organização que oferece recursos e suporte para vítimas de abuso no ambiente do jiu-jitsu, atendendo tanto brasileiras quanto pessoas residentes nos Estados Unidos. Faz um trabalho sério de acolhimento, orientação jurídica e psicológica especializada para o contexto da arte marcial. Não substitui a denúncia formal, mas é um canal seguro de apoio.

Selo Mulher Segura

O BJJ Girls Mag, em parceria com o Instituto Maira Bandeira, mantém o Selo Mulher Segura, certificação para academias que adotam protocolos formais de proteção a mulheres, canal de denúncia ativo e capacitação obrigatória de equipe. Saiba mais sobre o movimento e como apoiar.

Nota editorial

Esta matéria foi produzida a partir das versões públicas disponíveis das três partes envolvidas. As falas de Lívia Barasine, Ana Rodrigues e Diego Sodré foram divulgadas pelos próprios por meio de vídeos e nota oficial. O BJJ Girls Mag não emite juízo de valor sobre as alegações em apuração, mantém o compromisso com o contraditório e o direito de resposta, e abre canal permanente para manifestações das partes ou de suas defesas, nos termos da Lei 13.188/2015. Qualquer manifestação encaminhada por escrito ao e-mail bjjgirlsmag@gmail.com será publicada com o mesmo destaque editorial.

Texto: Ana Buzogany
Edição e Publicação: Samanta Fonseca

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