Aos 15 anos, Grasielli foi vítima de uma violência. Foi no jiu-jitsu que ela encontrou força para seguir. Anos depois, transformou essa força em projeto, e o projeto em instituto. Hoje, o Instituto Mulheres por Mulheres atende mulheres no interior de São Paulo, usando a arte marcial como ferramenta de defesa pessoal, saúde emocional e acolhimento.
O BJJ Girls Mag conheceu o trabalho da Grasielli e foi acompanhar o que esse projeto construiu em pouco mais de quatro anos.
O que é o Instituto Mulheres por Mulheres
O projeto nasceu em 24 de agosto de 2021, em Penápolis, interior de São Paulo. A ideia inicial era simples e direta: unir esporte, saúde e bem-estar emocional de mulheres, incluindo mulheres vítimas de violência, ensinando a arte marcial como ferramenta de defesa pessoal, empoderamento e transformação.
O que começou como projeto cresceu e hoje é o Instituto Mulheres por Mulheres, já formalizado com CNPJ próprio. O lema resume a proposta: fortalecer mulheres e transformar vidas.
Quem é Grasielli
Grasielli nasceu em 10 de fevereiro de 1998, em Penápolis. É bacharel em Educação Física, instrutora de Pilates e atleta faixa roxa de jiu-jitsu. Atua como instrutora de jiu-jitsu há quatro anos.
A história dela com a arte marcial não começou pela competição nem pelo esporte em si. Começou pela necessidade de reconstrução depois de uma violência sofrida aos 15 anos. Esse ponto de partida é o que dá ao projeto a identidade que ele tem, porque quem lidera sabe, na prática, o que significa usar o jiu-jitsu como ferramenta de retomada.
O projeto também tem uma origem específica. Aos 22 anos, Grasielli descobriu um câncer. Durante o tratamento, em pós-operatório no hospital, ela teve um sonho. No sonho, ela enxergava o projeto pronto: aulas gratuitas de jiu-jitsu para mulheres. O nome “Mulheres por Mulheres” veio dali. Naquela época, na academia onde treinava, ela era a única mulher, e via colegas que não iam treinar por ser um ambiente exclusivamente masculino ou por não terem condição financeira de pagar a mensalidade. O sonho, somado a essas duas observações, virou o ponto de partida concreto pro projeto.

Mais de quatro anos de eventos, palestras e parcerias
Desde 2021, o Instituto Mulheres por Mulheres construiu uma agenda consistente de ações em Penápolis e cidades da região, como Avanhandava e Promissão. Foram dezenas de eventos, com um formato que se repete e funciona: demonstrações de defesa pessoal, rodas de conversa, e parcerias com escolas, clubes e instituições locais.
Entre as ações realizadas estão edições do Mês da Mulher em 2022, 2024 e 2026, várias atividades dentro do Agosto Lilás, o Encontro de Mulheres no Rotary Club, palestras em escolas, o Projeto Alerta Vermelho em parceria com o Interact Club, ações com o Coletivo Mulheres para Mulheres Hip Hop, atividades na Associação Vila da Infância, uma palestra no CREAS de Penápolis, um seminário de defesa pessoal feminina com Krav Magá, e um aulão de defesa pessoal em parceria com o COMDIM de Promissão.
Em uma das ações, no Penápolis Garden Shopping, o projeto montou até uma caixa de denúncias anônimas, juntando a demonstração de defesa pessoal a um canal concreto de acolhimento.
[INSERIR AQUI FOTO DO GRUPO DE MULHERES EM UMA DAS AÇÕES DO PROJETO]
Reconhecimento na imprensa
O trabalho do instituto já foi documentado por veículos de imprensa da região. O Jornal Diário de Penápolis publicou matérias sobre o projeto em 2022 e em 2024. A Grasielli deu entrevista ao SBT Interior em 2022 e à TV TEM, afiliada da Rede Globo no interior paulista, em 2025. O projeto também apareceu no Documentário Ellas, em 2025.
As alunas
O instituto não trabalha só com palestras e eventos pontuais. Tem alunas em formação contínua, e algumas já competindo. Isabela Maschio, aluna do projeto, conquistou medalha de ouro no Campeonato Open de Avanhandava em dezembro de 2024 e medalha de prata no campeonato interno do Penápolis Garden Shopping em março de 2025.
Tudo voluntário
Um detalhe importante do trabalho da Grasielli: ela não cobra nada. As alunas treinam de graça. As palestras que ela dá em escolas, clubes e instituições da região são voluntárias. Quando viaja para outras cidades, recebe no máximo ajuda de custo para transporte. Não há mensalidade, anuidade, ou cobrança de qualquer espécie.
O Instituto Mulheres por Mulheres tem CNPJ, mas tudo que conquistou veio de rifas e ações pontuais de arrecadação. A prefeitura de Penápolis cede um espaço para as aulas, e o restante é construído com trabalho voluntário e mobilização da comunidade.
Hoje, à frente sozinha
Atualmente, a Grasielli toca o instituto sozinha. É ela quem lidera tudo, passa os treinos, dá as aulas e organiza as ações.
É o tipo de realidade que muita gente que toca projeto social no Brasil conhece de perto. A estrutura é enxuta, o trabalho é grande, e quem fica é quem acredita. O instituto segue ativo, com agenda cheia em 2026, mesmo com uma pessoa só na liderança.
Por que essa história importa
O BJJ Girls Mag cobre o jiu-jitsu feminino em todas as suas frentes, e isso inclui dar visibilidade a quem usa o esporte para proteger e transformar a vida de outras mulheres. O Instituto Mulheres por Mulheres é exatamente esse tipo de trabalho: sério, contínuo, feito no interior, longe dos holofotes dos grandes centros, e sustentado por alguém que conhece de perto a dor que o projeto ajuda a tratar.
Dar mídia a iniciativas assim é parte do que a gente entende como cobertura responsável. Não é só noticiar o que dá errado no esporte. É também mostrar quem está fazendo dar certo.
Como conhecer e apoiar
Instituto Mulheres por Mulheres. Penápolis, São Paulo. CNPJ 58.353.617/0001-70.
Acompanhe o trabalho da Grasielli e do instituto no Instagram do projeto, conheça as ações, participe e divulgue.
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