Guardeiro e/ou passador: adaptando as técnicas do jiu-jitsu para o meu jogo


Foto: Sinistro Lacerda

É fato que cada pessoa tem um biotipo, uma elasticidade diferente, uma força variável e facilidades adaptativas e de aprendizagem distintas. Dessa forma, observamos inúmeros “tipos” de jogos diferentes no jiu-jitsu. De forma ampla, é usual se separar inicialmente em dois grandes grupos: os guardeiros e os passadores. Ainda, sabemos que existem atletas com excelência tanto na guarda como na passagem da mesma.

Os guardeiros usualmente têm uma facilidade de jogar por baixo do adversário, com as costas no chão, utilizando as inúmeras e diferentes guardas já desenvolvidas até hoje. Guardeiros costumam “puxar” para a guarda já no início do combate a fim de desenvolver seu jogo em um campo que, em princípio, lhes é mais favorável.

Passadores, ao contrário, costumam ter a preferência por jogar em cima objetivando se livrar do domínio das pernas do adversário (guarda). Passadores sentem-se normalmente mais confortáveis em atacar de posições como 100kg (domínio lateral), norte-sul e mesmo da meia-guarda.

Este conhecimento básico do estilo de jogo que cada atleta vai descobrindo com o treinamento no jiu-jitsu, entretanto, este não é suficiente para explicar tantas diferenças nos estilos observados nos grandes campeões e nas grandes campeãs. Há que se desenvolver mais a questão.

Primeiramente, saiba que não há nada de errado em se inspirar e nem em se identificar no estilo de luta de alguém. Pois, ainda que inconscientemente, estamos analisando movimentos e projetando-os contra nossas próprias características corpóreas e psicológicas. Sendo assim, vemos muitas pessoas dizendo que se identificam com o estilo de luta seja de grandes e consagrados atletas ou de heróis desconhecidos da nossa arte suave.

Uma das grandes belezas do jiu-jitsu é que ele é adaptável! Isto significa que nem todas pessoas que executarem a mesma técnica irão fazê-la de forma precisamente igual. Quando checamos uma chave de braço simples da guarda (arm-lock) no YouTube, por exemplo, verificamos que existem inúmeros detalhes que diferentes pessoas ensinam. E isto não significa que uma esteja correta e a outra errada, apesar de vermos inúmeros vídeos com demonstrações de técnicas questionáveis. Mas vamos manter o foco nas diferenças.

Estas diferenças que observamos entre duas pessoas capacitadas ensinando a mesma técnica nada mais é do que uma simples adaptação natural que cada um desenvolveu para o seu próprio estilo e jogo no jiu-jitsu. E todos nós passamos por isso em nosso percurso de formação da arte suave até entendermos que cada pessoa terá um estilo próprio. A arte suave é tão adaptável que observamos pessoas com deficiências físicas competindo, e muitas vezes vencendo, superando as suas próprias limitações através da adaptabilidade do jiu-jitsu.

Agora começamos a entender porque inúmeras finalizações associamos a diferentes pessoas. Uma pessoa tem maior facilidade em encaixar triângulos, outra em encaixar estrangulamentos, outra em chaves de braço, outras em ataques de pé ou joelho e assim vai.

Uma questão muito importante é não se confundir adaptabilidade de uma técnica com execução errônea. Em especial para iniciantes no jiu-jitsu isto pode ser uma realidade difícil de se perceber. E por isto a importância de se treinar com profissionais capacitados que claramente entenderão esta diferença e lhe ajudarão.

Por último, gostaria de deixar claro que, independentemente de sua identificação ser como guardeiro ou passador (ou ambos), é crucial que treinemos tudo no jiu-jitsu, em especial onde não nos sentimos confortáveis. Neste aspecto posso compartilhar minha própria experiência. Tenho uma tendência muito grande a ser passador e, por isto, treino muita guarda.

Hoje em dia, mesmo em diferentes competições que já participei, me sinto confortável em estar lutando em situação de guardeiro. Naturalmente ainda há muito que evoluir e adaptar, mas posso garantir que sair da zona de conforto tem me ajudado a descobrir mais e mais meu estilo de luta. E, mais importante ainda, a adaptar as diferentes técnicas que meu Mestre me ensina frente as inúmeras possibilidades que o jiu-jitsu nos apresenta.

Portanto, caro(a) leitor(a), não fique preocupado(a) se sua execução não é precisamente igual a ensinada. Apenas tenha discernimento de que de fato é uma adaptação e não uma execução falha. E, na dúvida, pergunte ao seu professor ou para a sua professora! Bom treino e bom desenvolvimento de seu jogo e estilo de luta, seja você o estilo guardeiro, passador ou ambos…

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