Nos últimos dias, a comunidade do jiu-jitsu passou a discutir com mais atenção relatos públicos feitos por mulheres sobre experiências de assédio e abuso no esporte. Esse movimento ganhou visibilidade após a atleta Alexa Herse publicar, em seu próprio perfil, uma série de denúncias relacionadas a comportamentos que ela descreve como inapropriados durante treinos, envolvendo Andre Galvão.
As publicações de Alexa, feitas de forma pública e atribuídas exclusivamente a ela, repercutiram amplamente e abriram espaço para que outras mulheres também se manifestassem, revisitando experiências que, em muitos casos, haviam sido mantidas em silêncio por anos.
É nesse contexto que o nome de Leandro Alcantara Vieira passa a aparecer em um processo civil público registrado no Condado de Santa Clara, Califórnia, envolvendo também entidades ligadas à equipe Checkmat.
Este artigo tem caráter estritamente informativo e apresenta apenas o que consta em relatos públicos e registros judiciais acessíveis ao público, sem emitir juízo de valor ou conclusões.
O contexto que antecedeu a repercussão do caso
Após as denúncias tornadas públicas por Alexa, a comunidade do jiu-jitsu internacional passou a debater de forma mais aberta questões relacionadas a relações de poder, cultura de silêncio e responsabilidade institucional dentro do esporte.
A partir desse momento, outras mulheres começaram a compartilhar conosco e nos comentários de diversas publicações relatos próprios, cada um com sua história, contexto e forma de manifestação. Entre esses relatos está o de Julia Trevino, que passou a ganhar maior visibilidade por meio de um processo civil já existente e disponível em bases públicas de consulta judicial.
A menção conjunta desses acontecimentos se dá apenas em ordem cronológica e contextual, sem estabelecer relação de causa, padrão ou responsabilidade coletiva.
O relato público de Julia Trevino
Em publicações feitas em seu perfil pessoal, Julia Trevino afirma que decidiu tornar pública sua história após anos em silêncio. Segundo o texto divulgado por ela, os fatos teriam ocorrido quando ainda era menor de idade, em um contexto de relação de confiança com uma figura de autoridade no jiu-jitsu.
No relato, ela descreve que:
- tinha aproximadamente 17 anos à época;
- estava em fase de formação esportiva e emocional;
- confiava na pessoa envolvida como professor e referência;
- teria sido alvo de avanços sexuais indesejados;
- permaneceu em silêncio por cerca de 10 anos, por medo, vergonha e insegurança;
- deixou a equipe sem tornar públicos os motivos à época;
- decidiu falar agora como parte de um processo pessoal de encerramento e conscientização.
Julia também afirma, em suas publicações, que registrou denúncia junto às autoridades locais.
Essas informações estão disponíveis no próprio perfil público dela, sendo ela a fonte direta dos relatos.
O que consta no processo civil público
Além do relato pessoal, há um processo civil registrado no Condado de Santa Clara, Califórnia, disponível para consulta pública por meio da plataforma UniCourt:
Confira o link do processo AQUI.
De acordo com o documento judicial, Julia Trevino figura como autora da ação e alega ter sido vítima de abuso sexual durante a infância, cometido por um instrutor que, à época, exercia funções de professor, mentor e treinador.
O processo também inclui como rés entidades ligadas ao jiu-jitsu, entre elas a Checkmat, sob a alegação de que essas organizações teriam mantido relação de supervisão e controle sobre o instrutor citado.
Entre as alegações descritas no processo, constam afirmações de que as entidades:
- teriam autoridade para supervisionar e controlar a atuação do instrutor;
- teriam conhecimento prévio ou presumido sobre condutas inadequadas;
- não teriam adotado medidas para impedir ou interromper os fatos narrados;
- e, segundo a autora, teriam contribuído para o encobrimento das ocorrências.
O processo é de natureza civil e se encontra, até o momento, sem decisão judicial definitiva divulgada nos registros públicos consultados.
Alegações x decisão judicial
É importante esclarecer que:
- um processo judicial apresenta alegações iniciais da parte autora;
- essas alegações ainda serão analisadas pelo sistema de justiça;
- não há, neste momento, sentença que estabeleça culpa ou responsabilidade.
Este artigo se limita a descrever o conteúdo do processo e dos relatos públicos, sem acrescentar interpretações, acusações ou conclusões.
Por que esse tema gera impacto na comunidade
Casos como este evidenciam discussões sensíveis dentro do jiu-jitsu e de outros esportes de alto rendimento, especialmente sobre:
- relações de poder E CONFIANÇA entre atletas jovens e treinadores;
- dificuldades de denúncia em ambientes hierarquizados;
- cultura de silêncio institucional;
- e responsabilidade de equipes e organizações esportivas.
A divulgação responsável de informações públicas permite que a comunidade tenha acesso direto às fontes originais e forme sua própria compreensão dos fatos.
Fontes públicas citadas
- Relato público de Julia Trevino em seu perfil pessoal
- Processo civil público no Condado de Santa Clara, Califórnia
👉 https://unicourt.com/case/ca-scl-casebif1cbef050ec2-1297641 - Publicações públicas de Alexa Herse em seu perfil pessoal
Respostas Públicas
Importante dizer que Leandro Vieira publicou uma nota em seu Instagram falando sobre o assunto, bem como a Checkmat:
Checkmat:
A Checkmat é administrada por uma estrutura de liderança coletiva, e assuntos dessa natureza são tratados por meio de processos internos estabelecidos. O conselho de liderança se reuniu novamente para revisar uma questão que já havia sido apresentada anteriormente à organização, envolvendo um ex-membro do conselho de liderança.
Quando as alegações foram feitas pela primeira vez, o conselho removeu o indivíduo de qualquer função de liderança, permitindo apenas uma afiliação limitada enquanto se aguardava a resolução de um processo civil em andamento, que permanece sem conclusão.
Como parte da responsabilidade contínua do conselho de reavaliar questões pendentes que afetam os padrões organizacionais, o conselho de liderança votou pela suspensão do indivíduo de toda e qualquer afiliação com a Checkmat até que a ação civil seja resolvida.
Essa é uma decisão administrativa de governança, tomada para manter os padrões e responsabilidades organizacionais. Não se trata de uma constatação de fatos e nem de uma resposta a comentários públicos.
A Checkmat permanece comprometida em manter um ambiente de treinamento seguro, profissional e respeitoso em todas as academias afiliadas. Nenhum outro comentário público será feito enquanto o caso estiver pendente.
Leandro Vieira:
À nossa comunidade,
Queremos tratar de algo de forma aberta e direta.
Uma alegação recente envolvendo o treinador Leandro foi publicada nas redes sociais por uma ex-aluna/ex-treinadora assistente que não faz parte da nossa comunidade há vários anos. Embora essa alegação não represente com precisão os fatos, levamos muito a sério qualquer preocupação levantada sobre nossa academia.
Queremos esclarecer que não se trata de uma acusação criminal. A questão é de natureza civil e, devido ao seu caráter legal, agora está nas mãos do sistema de justiça.
O treinador Leandro possui mais de 20 anos de experiência como faixa-preta de jiu-jitsu brasileiro, ensinando alunos de todas as idades ao redor do mundo. Em todos esses anos, ele nunca teve qualquer acusação de conduta inadequada. Aqueles que treinam aqui conhecem os valores que vivemos diariamente: respeito, disciplina e cuidado com o próximo.
Nosso compromisso permanece inalterado: oferecer um ambiente seguro, positivo e respeitoso para todos os alunos e famílias.
Agradecemos a compreensão, a confiança e o apoio contínuo de todos durante este momento.
Por uma comunidade mais segura no jiu-jitsu
Este conteúdo tem finalidade informativa.
Não constitui investigação, acusação ou julgamento.
Reforçamos importância do respeito ao devido processo legal, da escuta responsável de relatos de vítimas e da promoção de ambientes mais seguros dentro do esporte.



