O HINO FEMINISTA DO TEARS FOR FEARS E O JIU-JITSU

O HINO FEMINISTA DO TEARS FOR FEARS E O JIU-JITSU

Se você tem por volta de 35-40 anos, ou como chamamos aqui na nossa arte suave, já é um “Master”, certamente você reconhecerá o sucesso lendário desta banda. Lançada em 1989 como o segundo single do álbum The Seeds of Love, Woman In Chains, do Tears For Fears, é aquele tipo de música que nos deixa arrepiados. Sendo a música mais conhecida da banda, com um significado forte que aborda um tema delicado, e que infelizmente é muito comum na vida das mulheres: a violência.

Tal tema tem ganho muita repercussão dentro do nosso esporte, mesmo após algumas repressões, onde mulheres adquiriram seu espaço e lutam até hoje para salvar outras de grandes violências sendo elas de cunho doméstico ou não. Cabe ressaltar que nem sempre essa precisa ser uma agressão física, podendo ser verbal, ou até mesmo de uma relação onde algum dos parceiros não aceita a profissão do outro, por exemplo. É o que o enredo da música tenta descrever com a insatisfação do pai de Roland com a profissão de bailarina de sua esposa. 

Muito antes de ser sancionada a Lei Maria da Penha (06/08/2006), a banda já tentava demonstrar a “Violência contra as Mulheres”. A tragédia da vida real é a mais pura realidade de milhares de Marias que merecem o nosso respeito, admiração e luta por um mundo mais igualitário e menos machista.

O maior triunfo da banda britânica está contido na letra que fala sobre relacionamentos abusivos, sendo interpretada como uma denúncia contra o machismo e a sociedade patriarcal que oprime as mulheres. Ao que tudo indica, o vocalista Roland Orzabal se inspirou na história de abuso vivida por sua mãe. O pai de Roland a tratava de forma ríspida e com agressividade e isso é mostrado um pouco no videoclipe de Woman In Clains, estrelado por um casal em conflito.

Filmado inteiramente em preto e branco, o enredo gira em torno do marido que se sente desconfortável com a profissão da esposa. O homem é um lutador de boxe e a mulher uma dançarina, que juntos protagonizam cenas angustiantes e violentas, fato este também inspirado na mãe de Roland. 

Todos sabem que as artes marciais trabalham corpo e mente, sendo assim, pessoas que a praticam deveriam e devem ser pessoas melhores dentro e fora do tatame. E também já não é novidade que o feminismo e as artes marciais possuem uma relação mais antiga do que se parece. Podemos lembrar do movimento sufragista vivenciado por algumas mulheres pelo começo de 1903 quando a WSPU foi fundada, elas já lutavam por seus direitos e eram reprimidas pela violência policial. As Sufragistas ganharam espaço através de uma luta travada para garantir o direito ao voto às mulheres, tal movimento começou com Emmeline Pankhurst na qual liderou o movimento. 

O clipe de “Woman In Clains” consegue transmitir a opressão vivida pelas mulheres, que acabam sendo acorrentadas sem ter o direito de se expressarem e de viver de forma mais livre. Apesar de tratar-se de um relato pessoal e uma experiência particular, a letra é altamente atemporal e muitas mulheres conseguem se identificar o que tornou o single um verdadeiro Hino para o Movimento Feminista, principalmente na década de 90. Muitas mulheres ainda não conseguem se expressar e se libertar do que realmente lhe aprisiona.

Na Inglaterra, as mulheres estão presentes em todos os aspectos da vida na sociedade. Elas estão nas profissões mais simples e nas mais sofisticadas – e também nos cargos mais altos da política e da monarquia. A música da banda e o movimento das sufragistas nos demonstram o quanto é viva a luta pela valorização do espaço das mulheres.

Sendo assim, tanto o movimento sufragista como a banda TEARS FOR FEARS, são britânicas, o espírito pela batalha de vencer questões feministas unem esses dois por uma luta travada até hoje. Não posso deixar de citar aqui também a CDMJJ (Comissão de direitos das Mulheres no jiu-jitsu) como algo muito importante dentro da arte suave, instituição que ajuda muitas mulheres que precisam dentro do jiu-jitsu.

Lembrando que, em muitos casos, não é fácil se libertar ou falar sobre as agressões, e é por isso que a CDMJJ conta com pessoas que podem te auxiliar quando você precisar. Além disso, sempre que precisar, denuncie ligando para 180.

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