Tolerância zero para o assédio na sua academia: 3 etapas


Gatilho: assédio sexual

Vou começar esse texto deixando claro uma coisa: é cansativo falar sobre assédio! Diferente do que alguns dizem, não falamos para aparecer, não é ‘mimimi’ ou tentativa de “lacração”. Muito pelo contrário, estamos cansadas de precisar falar disso. Mas enquanto tiver uma mulher sofrendo violência (no jiu-jitsu ou fora dele), nós não vamos parar.

Um caso não tão recente assim, que aconteceu na Fight Sports e voltou à tona agora (aqui você encontra os posts traduzidos para o português), desencadeou vários outros relatos (públicos e anônimos) de mulheres que passaram por situações de abuso no jiu-jitsu. Aqui e aqui você encontra dois exemplos.

Não é de hoje que falamos sobre isso. Em 2017, por exemplo, a Mayara Munhos fez uma série de cinco textos na espnW sobre assédio nos tatames. Ela fez uma pesquisa com mais de 200 mulheres e 159 (61,6%) já tinham sofrido assédio nos tatames. E metade delas conhecia outra mulher que já sofreu. A May fez um vídeo no youtube falando sobre assédio nos tatames e lá também tem o link de todos os cinco textos.

O foco do texto de hoje é mostrar 3 etapas para lidar com assédio no jiu-jitsu. Afinal, você não deve esperar isso acontecer para estabelecer uma política de tolerância zero contra o assédio. Isso não deve ser tolerado nunca, independente de já ter acontecido ou não na sua academia.

O antes

“Se isso nunca aconteceu, como vou saber a forma de lidar?” Buscando informação e ouvindo as histórias das mulheres! Todos sabemos que o jiu-jitsu prega o respeito. Que tipo de professor, então, permitiria situações de desrespeito em sua academia?

É importante saber que o jiu-jitsu (e o esporte em geral) é um reflexo da sociedade, não tem como separar uma coisa da outra. Não é o esporte em si que ensina o preconceito, e sim as pessoas que estão nele. Inclusive, muitas vezes aproveitam de suas posições no jiu-jitsu para desrespeitar ou abusar de alguém. Como mostrou a série Vozes no Tatame, por exemplo.

Por isso, não pode ter nenhuma brecha! Os professores devem, em primeiro lugar, dar o exemplo. Muitas vezes, o próprio professor é o assediador ou cria um ambiente ruim na academia. Se ele mesmo faz isso, os alunos poderão ser um reflexo disso ou ter o ‘aval’ para agir da mesma forma.

Além disso, não permitir que o ambiente da academia reproduza qualquer tipo de preconceito ou desrespeito. Não passar a mão na cabeça de assediadores, racistas ou homofóbicos. Não incentivar “brincadeiras” ou “piadinhas” preconceituosas, porque muitas vezes é aí que tudo começa. Assim, as pessoas já vão entrar ali sabendo que não tem espaço para esse tipo de coisa.

É fundamental também ter mulheres em espaços representativos na academia. Ou seja, graduadas, faixas pretas. Assim, outras mulheres vão se identificar e se inspirar, além de se sentirem mais à vontade para conversar sobre determinados assuntos.

O durante

“Alguém denunciou assédio, e agora?” Primeira coisa: apoie e ouça a vítima! Já recebemos diversos relatos de mulheres no direct do Bjj Girls Mag falando que nem seus professores ficaram ao seu lado, às vezes até pior, ficaram do lado do agressor.

É papel dos professores ouvir todos os lados da história, já que impacta diretamente nos treinos e na academia. Dificilmente uma mulher vai mentir sobre isso, afinal, os números mostram que nossa sociedade é extremamente violenta com as mulheres. Então, a probabilidade do relato ser verdadeiro é enorme.

É importante também falar sobre isso com os alunos e alunas. Deixar claro que qualquer situação em que eles se sintam desconfortáveis, podem sempre conversar com você sobre isso, pois você vai ouvir. Isso vale para professores e graduados(as) também. Muitas vezes as mulheres têm medo de denunciar, ou acabam até permanecendo em uma situação de abuso por acharem que não tem saída.

O depois

Caso a história se confirme, o agressor deve ser banido da academia. Infelizmente, já vimos casos em que a mulher que teve que sair, já que o professor ou não acreditou nela, ou não deu a mínima para o ocorrido. E é óbvio que ela não vai se sentir bem treinando em um lugar desse.

Dar suporte à vítima é essencial, acolhendo e dando informações ou contatos que ela possa denunciar. Por exemplo, a Comissão de Direitos das Mulheres no Jiu-jitsu (CDMJJ) tem uma Ouvidoria para acolhida, escuta e aconselhamento nesses casos. Central de Atendimento à Mulher – Disque 180. Disque Direitos Humanos – Disque 100.

A única coisa que não dá para fazer é fingir que não viu ou proteger o agressor Infelizmente é o que acontece em muitas academias.

Este texto tem informação o suficiente para que se enxergue essa realidade, se você ainda acha que não existe assédio no jiu-jitsu, o problema está em você. Não compactue com violência e qualquer tipo de preconceito no jiu-jitsu, nem fora dele!

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