Atletas contaminados pelo coronavírus e o retorno às atividades esportivas


O inimigo mundial nº1 na atualidade. Quantas mortes, negócios fechados, empregos perdidos, saúde mental em baixa. Houve aumento significativo de casos de depressão, ansiedade e estresse durante a quarentena. Psicólogos e psiquiatras praticamente dobraram seus atendimentos após tantas incertezas e o isolamento.

Para evitar a proliferação, a OMS recomenda medidas básicas, que por incrível que pareça são menosprezadas. O uso de uma simples máscara, lavar e higienizar de mãos e evitar aglomerações. Mesmo com o pedido de simples cuidados, os casos voltaram a subir nos estados onde houve flexibilização.

Para nós do jiu-jitsu, que sem dúvidas é uma válvula de escape antiestresse e outros tantos problemas, sermos obrigados a parar por tantos meses também foi um baque enorme. De repente nos vimos isolados e longe dos nossos amados tatames.

Alguns professores, muito criativos por sinal, dedicaram horas de estudo no preparo de aulas de solo drills em plataformas online para continuar próximos dos alunos e não deixar de se movimentar, mas sem dúvidas, não é a mesma coisa. Aqui em São Paulo, por exemplo, retornamos para fase amarela, em que práticas coletivas não são permitidas, apenas aulas individuais.

Sabendo que o número de óbitos pelo novo coronavírus no Brasil ultrapassou os 170.000, tentei conversar com alguns médicos de especialidades diferentes (infectologistas, clínicos gerais, pneumologistas, cardiologistas e médicos do esporte) para saber mais sobre os efeitos pós Covid-19 nos atletas, já que muitos deles podem ter sido infectados. Infelizmente os profissionais preferiram não responder às questões, pois as informações acerca do vírus ainda são inconclusivas, assim como sequelas e sintomas pós contaminação. É necessário um amplo estudo, além das informações que pesquisadores já sabem.

Jiu-jitsu e COVID-19

Nem todos os atletas competidores (vemos inclusive casos em outros esportes também) ficaram imunes ao vírus, mesmo tendo a imunidade dentro do normal, boa saúde, além de se exercitar e se alimentar bem. E ainda temos um número bem maior de praticantes não competidores que foram expostos a ele e nem todos foram assintomáticos. Mais alarmante é saber que mesmo recebendo a notícia da aprovação da vacina, a recuperação da saúde plena ainda é uma incógnita.

A farmacêutica Ana Paula Hirahata deu seu depoimento para a gente. Além de praticante de jiu-jitsu (faixa azul), Ana trabalhou quase 30 dias diretamente com pacientes positivos e mesmo paramentada conforme os protocolos institucionais foi afetada pela Covid 19. Num de seus plantões, sentiu uma dor de cabeça que ela classifica como “diferente”, como se algo estivesse empurrando o topo da cabeça para baixo, não forte, mas constante.

“Senti um leve incômodo nos olhos e garganta e 3 episódios de diarreia, corpo mole, cansaço. Colhi o exame e após o diagnóstico ainda permaneci por mais 8 dias com aquela dor de cabeça. O corpo não respondia, me cansava ao fazer pequenos esforços como levantar ou ir ao banheiro”.

A atleta conta que a família apresentou sintomas até mais fortes que os dela, porém todos testaram negativo para o novo coronavírus. Foi afastada do trabalho e retornou após 16 dias. Ela conta que nas duas primeiras semanas o retorno foi árduo. Precisava parar para respirar ao subir escadas por diversas vezes. Após um mês teve infecção urinária forte com piora rápida e a médica nefrologista que a atendeu relatou que tem visto com frequência esses casos pós-COVID.

Após dois meses e meio, voltou a treinar numa frequência de três vezes por semana em média e não sente mais o cansaço que sentia anteriormente.  Também relatou que não teve comprometimento pulmonar, apenas sintomas leves.

Conversei também com a Adrielle Santos, atleta competidora e nossa redatora aqui da Bjj Girls Mag, que também ficou afastada das atividades devido ao coronavírus. Ela relata que em seu Estado, Belém do Pará, o isolamento começou na última semana de março. Ela ainda conseguiu manter sua rotina, mas na primeira semana de abril, começou a apresentar sintomas.

Não conseguia dormir por dificuldades de respiração durante a noite, coriza, tosse, garganta seca e num primeiro momento, chegou a pensar que poderia ser alérgico, por sofrer de rinite e sinusite frequentemente. Em pouco tempo apresentou febre alta e cansaço extremo, além de ausência de paladar e olfato. Não havia hospital de campanha em Belém do Pará, e o Governo pedia para quem tivesse sintomas leves permanecer em isolamento residencial, pois os principais hospitais do Estado não estavam conseguindo atender nem à demanda de pacientes graves.

Adrielle não chegou a realizar o teste nesse período de isolamento enquanto apresentava os sintomas, pela recomendação de seguir isolada e em repouso devido a pouca oferta de atendimento de saúde em sua região. Após os 14 dias de afastamento, seu empregador recomendou que realizasse o teste e o resultado foi positivo. No período de recuperação, manteve os treinos básicos em sua casa: força, resistência e cardio.

Até o momento não sentiu nenhum tipo de queda no desempenho. Mantém os treinos na mesma intensidade, mas ainda sente muito cansaço durante os treinos, necessitando de pequenos intervalos. A atleta revela que pretende realizar mais exames para avaliar possíveis sequelas. Informou que irá continuar sua rotina de 4 a 5x por semana nos treinos. O sintoma que ainda persiste é apenas a rapidez com que se cansa.

 “Trabalho com crianças, às vezes preciso falar muito, cantar, subir escadas e isso ainda atrapalha bastante”.

Bem, esses são casos isolados entre milhões, cada indivíduo reage de um jeito e não podemos fazer comparações, pois a doença já provou mostrar reações distintas em diferentes regiões e pessoas.

Já sabemos que existe o risco de reinfecção, por isso, quem já contraiu o novo coronavírus deve continuar a seguir as recomendações da OMS para não correr riscos de contrair novamente o vírus.

Para orientar pacientes em sua rotina pós Covid 19 a UFES criou uma cartilha, disponível para download aqui.

Mantenha uma alimentação saudável rica em frutas, legumes e verduras, pratique uma atividade que promova sua criatividade e autoconhecimento, continue os hábitos de higiene das mãos, uso de máscara e lembre-se: mesmo não sendo parte do grupo de risco, você pode ser um transmissor. Proteja sua família e amigos.

Aja com responsabilidade. A saúde é um estado completo de bem-estar: físico, emocional, social e não apenas a ausência de doenças.

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