Você veio treinar ou me paquerar?


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“Bom, vamos lá!

Antes de tudo, quero informar que meu professor já está ciente e me autorizou falar sobre o assunto.

Primeiro não é porque estou solteira que estou “DISPONÍVEL”.

Não é porque sou mulher e treino apenas com homens que estou “DISPONÍVEL”.

Não é porque falo com todo mundo, sou gente boa, brinco, converso, que estou “DISPONÍVEL”.

Eu não estou e nem vou ficar com ninguém desse CT, e que isso fique bem claro para todos os imorais que pelo ego ferido abrem a boca suja pra falar que já pegou, ou que vai pegar, como fiquei sabendo (…)

Nesse grupo não tem criança, certo?  São todos homens adultos, então tenham atitudes como tal. 

(…)

Sejam homens, aprendam a ter respeito dentro e fora do tatame.

Não aceito e jamais vou aceitar atitudes como essa de “homens” que não sabem lidar com seus egos referidos por terem levado um NÃO como resposta.

Isso não deixa de ser assédio, não deixa de ser invasivo, constrangedor.

E eu jamais vou aceitar viver esse tipo de situação, exijo total respeito, porque sempre respeitei todos e a partir de hoje se eu souber de qualquer coisa que envolva meu nome e denigre a minha imagem, tomarei medidas cabíveis perante a lei, pois assédio e difamação é crime e acredito que todos aqui já saibam disso.

Estou recebendo mensagens, indireta o tempo todo, fora as pessoas que vêm comentar as coisas que alguns chegam a falar: “ah essa eu ainda vou pegar”; “ela é minha.”; E inúmeras outras coisas.

(…)

Hoje entendo porque algumas academias não têm treino misto. Porque tem sempre uns sem noção que se acham no direito de falar e tentar tudo que quiser, sinto muito lhe informar, comigo não irá funcionar. Nem tão pouco vou me permitir deixar de treinar por causa de pessoas (…) como vocês.”

Esse foi o desabafo que recebi de uma seguidora, o qual ela mesma fez, com a permissão de seu professor, no grupo de sua academia. Antes de tudo, gostaria de esclarecer que a situação foi repassada por ela ao professor, antes de fazer o desabafo no grupo e felizmente contou com o apoio do mesmo. E, certamente, com a autorização dela, trouxe no texto de hoje para compartilhar com vocês. Seu nome, de sua academia e principalmente de seu professor, se manterão preservados, pois o objetivo desse texto é denunciar e fazer um apelo aos homens que compartilham o tatame conosco: parem de cometer atitudes como essas.

Não é de hoje que vemos mulheres, especialmente através das redes sociais, abordando esse assunto. Nós já sofremos com o fato de estarmos em menor quantidade no tatame. Sofremos com o preconceito de quem nos rotula como “maria tatame” ou até mesmo “quer pegar homem”, pelo simples fato de estarmos ali muitas vezes sendo a única mulher. Sofremos com o machismo de certos homens que criam das diversas desculpas esfarrapadas para não treinarem conosco e agora ainda temos que lidar com isso. Nós estamos lutando mais do que para conquistar espaço, estamos lutando para conseguirmos nos manter no jiu-jitsu apesar das barreiras que enfrentamos.

Se existe algo que deve ficar bem claro, é: tatame não é lugar para paquerar, não é lugar para namorar, não é lugar para dar encima de ninguém, tatame é lugar para treinar. Seja na turma mista, na turma feminina, ou em qualquer turma. Você pode achar uma mulher bonita, pode admirar o jiu-jitsu dela, pode achar que ela é muito boa no que faz, mas tenha sempre em mente que ela não foi ali para encontrar um relacionamento. Ela foi ali encontrar um refúgio, encontrar uma defesa de coisas que ela enfrenta na rua, no trabalho, na faculdade e que com certeza ela não quer encontrar no jiu-jitsu.

Respeite as meninas da sua academia assim como você respeita seus parceiros, assim como você respeita sua irmã, ou até mesmo como gostaria que respeitassem sua filha ou a sua mãe. Não importa se VOCÊ acha que ela está dando mole, que está dando corda, se você tem caráter, você respeita. Não existe essa de “ela tava pedindo”, “ela tava querendo”, apenas respeite.

Se ela quiser algo com você, se ela corresponde, não use o tatame pra isso, façam isso fora da academia. Respeite o tatame, respeite seu professor, respeite seus colegas de treino. E acima de tudo, se ela não quer, entenda que NÃO É NÃO! Sair por aí dizendo que já “pegou”, que vai “pegar”, que ela te dá mole, não faz de você um macho alfa, te faz um babaca.

Em nome de todas elas. Recado dado. OSS

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