Atleta da Semana: Keila Nakatsubo


Quando a faixa preta de judô e jiu-jitsu Keila Nakatsubo vestiu seu primeiro judogui, com apenas 6 anos, não sabia se queria estar no tatame. O tempo foi passando, e o que era dúvida virou certeza: não era aquilo que queria para sua vida. 

“Mas não tive escolha, minha família é japonesa, todos são judocas, acabei obrigada, às vezes ia chorando”, relembra. Gostando ou não, o talento despontou: com 9 anos, ganhava seu primeiro título de muitos: campeã paulista.

O primeiro baque

Aos 14, lutava pela Associação Moacyr de Judô. Foi contratada pelo Clube Mesc, de São Bernardo do Campo (SP). Lutou os campeonatos regionais, jogos abertos, e foi acumulando ouros pela sua trajetória. Com 15 anos, teve o maior baque da sua vida: perdeu seu irmão, faixa preta de judô, que a acompanhava em todos os campeonatos.

“Ele era meu coach, estava sempre comigo. Foi muito difícil. Pior ano da minha vida. Eu queria parar de treinar. Perdi muitos campeonatos. E quando você perde, vai perdendo apoio também. Mas meu tio me ajudou, o pessoal do clube esteve ao meu lado. Consegui dar a volta por cima”, conta.

Voltou a lutar. E a ganhar. Até na luta olímpica se aventurou aos 17 anos, pelas mãos de Rosângela “Zanza”, com quem treinava. Chegou a ser campeã brasileira e vice-campeã universitária. Nesta época, também começou a praticar jiu-jítsu para complementar seu judô. O foco e a perseverança a levaram para a seletiva sub25 da Seleção Brasileira de Judô. Conseguiu se classificar e ficou entre as 4 da reserva.

Nova mudança de planos

O futuro prometia, mas o destino foi caprichoso mais uma vez e puxou um novo freio: desta vez, descobria, aos 20 anos, que estava grávida.

“Não foi planejado, tive que parar tudo o que eu gostava. Fiquei traumatizada”, lembra. “Mas foi muito bom para eu amadurecer. Minha vida era só ir para campeonato, eu era bolsista na faculdade de fisioterapia, pegava DP, vivia trancando a faculdade. Eu precisava aprender a continuar as coisas que eu me propunha a fazer.”  

Continuou só dando aula de judô para crianças. Quando seu filho tinha 1 ano e meio, conheceu seu hoje marido, o faixa preta de jiu-jitsu Marcelo Zotovici, que aperfeiçoou seu BJJ. Começou a lutar os campeonatos de jiu-jitsu na azul, ganhando todos. Minha base de judô fazia diferença. Todas as lutas eu ‘quedava’ e caía por cima”, conta. Seguiu competindo esporadicamente nas faixas roxa e marrom.

Um sonho: montar a equipe feminina de competição

Teve a segunda filha em 2017 e recebeu sua faixa preta de jiu-jítsu no mesmo ano. Ao lado de Marcelo, ajudou a construir o sonho de ter sua própria equipe, hoje Nova União São Paulo, e um projeto social em busca de novos talentos.

“Sempre tive vontade de montar uma academia. Conseguimos nosso tatame, estamos crescendo devagar, e as coisas estão começando a acontecer. Tem muita gente boa. Também é difícil manter as meninas interessadas no tatame, talvez pelo ambiente muito masculino. Mas pouco a pouco vamos tendo mais graduadas como exemplo e inspiração. E tenho o sonho também de montar a equipe feminina de competição.”

Estreou na categoria master no ano passado, garantindo o título de campeã sul-americana na IBJJF. “Até hoje tenho que dominar a ansiedade na hora de lutar. Fico tão nervosa quanto antes. O mental você tem que treinar todo dia. Se você para, todos os medos voltam”, diz ela.

“De preta, achei bem diferente. Até porque as meninas do adulto estão indo para a master agora também. As meninas são fortes e técnicas, não dá para errar, avalia. Neste ano, Keila também levou o ouro no International Master South American IBJJF, no Rio.

Hoje, com 34 anos, Keila também é judoca do São Paulo Futebol Clube, onde treina 3x por semana. Seu plano é voltar a competir no judô em 2020 – o foco está no Pan e nos campeonatos regionais. Para isso, redobra os cuidados nos treinos para não se lesionar de bobeira.

“Hoje, compito por prazer, e não por obrigação. E todo campeonato eu me lembro do meu irmão, eu o levo comigo. Sinto muito a presença dele. Isso me dá muito mais confiança.”

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