A experiência da faixa branca: o comprometimento faz parte da evolução


Iniciar no jiu-jitsu certamente foi uma das melhores escolhas que fiz na minha vida. Há pouco mais de dois anos, resolvi me dar uma chance e experimentar algo totalmente fora da minha zona de conforto. A verdade é que sempre tive uma autoconfiança bastante desestabilizada, pouquíssima fé em mim mesma, e pensar em praticar uma arte marcial me parecia uma ideia um tanto ousada para alguém que nem conseguia correr direito sem passar mal. E certamente se eu soubesse que me sentiria tão bem e satisfeita fazendo isso, teria iniciado há muito mais tempo.

O jiu-jitsu sem dúvidas me trouxe muitas lições, especialmente de autoconhecimento, pois me fez reconhecer os meus limites, as minhas ambições e de como eu posso aprender a ser alguém melhor. E ser uma faixa branca para mim é exatamente uma representação disso. Acredito que a faixa branca é aonde mais temos para aprender, não apenas sobre os fundamentos do jiu-jitsu, mas especialmente sobre nós mesmos, e a primeira coisa que aprendi com a faixa branca era que eu precisava ter comprometimento com a arte.

Posso dizer que no meu primeiro ano de jiu-jitsu foi quando mais duvidei se eu seria capaz de me manter firme por muito tempo na arte, afinal, demorei bastante para pegar gosto pela coisa. Mesmo sempre ouvindo que faixa branca era a criatura mais empolgada do jiu-jitsu, comigo era diferente. Eu encontrava no tatame, um refúgio, refúgio para os meus dias de trabalho pesado, refúgio dos estudos, refúgio do cansaço psicológico em que a faculdade me colocava. E com o passar do tempo comecei a me sentir estagnada, sentia que não evoluía, que não aprendia, que não saia do lugar e foi exatamente aí que passei a duvidar.

Mas no meio dos meus pensamentos negativos, encontrei a verdadeira culpada por tudo isso: minha falta de comprometimento. Afinal, não era tão assídua nos treinos quanto deveria. Todos aqueles motivos que me fizeram praticar jiu-jitsu eram os mesmos que me ausentavam do treino, e foi aí que percebi que precisava torná-lo parte da minha rotina e encará-lo como um compromisso. Mesmo que estivesse cansada, que chegasse tarde do trabalho e me atrasasse para o treino, eu deveria comparecer e foi a partir dessa atitude que passei a me sentir mais confiante e pude notar a minha evolução.

O jiu-jitsu passou a fazer parte do meu dia a dia e nisso incluí hábitos alimentares, atividade física, estilo de vida e principalmente uma rotina de treinos. Com a mudança de perspectiva, pude sentir meu jiu-jitsu muito mais produtivo. A prática diária de exercícios físicos fora do tatame, incluindo treinos de cardio, força e resistência, e a mudança de hábitos alimentares, me ajudaram não apenas esteticamente, mas especialmente no desenvolvimento do meu jiu-jitsu, com a melhora do gás, aumento da força e da resistência durante os rolas. O comprometimento dentro do tatame em prestar atenção na execução das técnicas e das movimentações, em buscar colocá-las em prática e principalmente ouvir os conselhos dos mais graduados e a assiduidade nos treinos foram fundamentais para a minha evolução.

Ser uma faixa branca sem dúvidas é muito desafiador, pois se trata de um processo em que somos nosso principal oponente. Não é fácil lidar com a quebra de orgulho e de expectativas sobre nós mesmos. Na maioria das vezes estamos preocupados em provar o nosso valor e conquistar a aprovação daqueles que dividem o tatame conosco, especialmente dos mais graduados. E muitas vezes levamos tempo para entender e aceitar que estamos ali como iniciantes e que não importa o quanto façamos, pois de nada adianta se não estivermos dispostos a aprender.

Apesar de ser muitas vezes tratada com demérito, a faixa branca representa o início de uma bela jornada que só você é capaz de decidir até onde vai. Não tenha vergonha de dizer que você é faixa branca, porque certamente um dia você sentirá falta dela, de quando a sua faixa representava pureza e inocência e a sua principal preocupação era aprender. Seja paciente e aproveite cada momento dessa faixa, pois ela passa rápido, sem você nem perceber. A faixa branca pra mim é como aquelas revisões antes da prova na sala de aula onde o professor sempre diz: “esse é o momento de errar”. Então erre, acerte e erre tentando acertar, mas dê o seu melhor e faça o que você puder fazer e deixa que a graduação o tempo trata de trazer.

OSS!

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