O jiu-jitsu na terra dos Xeques – parte I: a história e a educação


Já não é de hoje, nossa admiração pelo território dos Emirados. Geralmente quem sonha com um grande destaque na arte suave, pensa em aterrizar na terra dos xeques. Consagrada por sua riqueza que contempla mesquitas, petróleo, campeonatos de fórmula 1, o futebol Al Jazeera  e o consagrado campeonato Abu Dhabi World Pro Jiu-Jitsu na Mubadala Arena, nos Emirados Árabes, o jiu-jitsu se tornou uma profissão altamente rentável.

Neste mês de novembro, aqui no Brasil, Kyra Gracie iniciou a caminhada para a inclusão do jiu-jitsu nas escolas. Membro da família Gracie, participou de audiência pública para aprovação do Projeto de Lei nº 4478, em que o objetivo é que a arte marcial seja componente curricular opcional para os alunos em todas as séries do ensino fundamental.

“O jiu-jitsu pode oferecer significativa contribuição para a formação dos estudantes brasileiros, devido aos benefícios que ele proporciona à saúde física, ao equilíbrio mental e à interação social.” (trecho extraído do PL 4478).

O jiu-jitsu chegou ao Oriente Médio discretamente no início da década de 90, quando o Xeque Tahnoon Bin Zayed Al Nahyan conheceu a luta agarrada quando foi para os estados Unidos estudar Administração e se apaixonou, foi aqui que conheceu o lutador brasileiro Nelson Monteiro. Quando ele obteve a faixa azul convidou o mesmo para ser seu instrutor nos Emirados, foi Monteiro também que ajudou o príncipe a criar o campeonato ADCC (Abu Dhabi Combat Club), um dos mais disputados eventos de grappling no mundo.

Mas foi através do seu irmão mais velho, Mohammed Bin Zayed Al Nahyan, (príncipe herdeiro e um dos políticos mais influentes dos Emirados) que o esporte se popularizou e virou nacional. Seu filho, um adolescente fechado e tímido, começou a lutar e se transformou em um garoto confiante, expansivo, mais ágil, habilidoso, feliz e fascinado pela técnica brasileira. Não foi à toa que uma frase virou lema e foi disseminada por todos os lugares: “se o jiu-jitsu foi bom para o meu filho, vai ser bom para a nação.”

Mohammed acompanhou toda a evolução do filho e reconheceu no jiu-jitsu uma importante ferramenta de desenvolvimento tanto motor quanto intelectual, e mandou incluir o esporte nas escolas do país. A arte suave se tornou parte curricular nas escolas públicas, nas Forças Armadas e na Polícia. O ensino do jiu-jitsu é obrigatório para os meninos e opcional para as meninas, podendo incluir ou não na hora da matrícula.

Tahnoon plantou a semente do que hoje é considerado o maior projeto de jiu-jitsu no mundo. Criou o ADCC e dez anos depois seu irmão Mohammed, lançou o projeto ousado que era levar o jiu-jitsu a todas as escolas de Abu Dhabi. Para isso foram contratados centenas de professores brasileiros faixas pretas, praticamente quase todos contratados pela Palms Sports, empresa do príncipe Tahnoon que presta serviços ao governo.

Anos depois, a arte suave se tornou o principal esporte do país, com milhares de alunos nas escolas. O jiu-jitsu influenciou no estilo de vida deles, principalmente o das mulheres. Em 2012, as mulheres não podiam lutar fora do país por consequência do hijab, véu muçulmano, nas competições do IBJJF (Federação Internacional  Brazilian Jiu-Jitsu), como as meninas devem cobrir o cabelo por uma questão religiosa, foi feita uma campanha na qual a regra fosse modificada para que elas pudessem usá-lo, essa mudança foi feita e as meninas conseguiram participar de vários campeonatos, já se sentindo campeãs com essa grande conquista.

A UAEJJF é a Federação dos Emirados Árabes Unidos responsável pelos campeonatos, esses que ocorrem nos finais de semana (que lá são sexta e sábado) em um dia meninas (sexta) e no outro dia só meninos (sábado), isso quando falamos de campeonatos de crianças (até 15 anos), no dia que é realizado o campeonato feminino, a arbitragem é feminina, podendo o STAFF ser misto.

Esses campeonatos possuem o cuidado de ter finais de semana de crianças e adultos (a partir do juvenil 16 anos), em campeonatos adultos a arbitragem é mista ocorrendo normalmente, mas com cuidados sim, árbitros masculinos possuem todo o cuidado de não tocar em atletas muçulmanas, em circunstâncias de cair o hijab eles não as tocam e sim pedem para ela fixá-lo, assim como a faixa e o kimono. É incrível como a arte suave ganha destaque devido a todo o respeito que possui principalmente com as mulheres e a sua cultura. A árbitra Rosalind Ferreira, é a coordenadora deste time de arbitragem feminina e também é supervisora da Palms Sports.

Em um local onde a presença religiosa é forte, o jiu-jitsu é tratado como sagrado. A demanda está crescendo e a busca por faixas pretas brasileiros só aumenta, inclusive mulheres e é vista como capaz de dar estabilidade financeira e reconhecimento profissional para quem almeja estar entre os melhores!

Foto: emirates247.com

Qual sua reação

Curtir Curtir
0
Curtir
Amei Amei
0
Amei
Haha Haha
0
Haha
uau uau
0
uau
Triste Triste
0
Triste
Grr Grr
0
Grr

Comments 0

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

O jiu-jitsu na terra dos Xeques – parte I: a história e a educação

log in

reset password

Voltar para
log in