Atleta da Semana: Renata Quintino


Até onde vai nossa paixão pelo jiu-jitsu? No caso da capixaba Renata Quintino, faixa roxa, é esse amor que a mantém no esporte e competindo, superando diariamente uma lesão na lombar, descoberta em 2017, após sair com dores em um campeonato estadual. 

Na época, os médicos disseram que se tratava de uma hérnia extrusa em L7 e L6 e um cisto na coluna. Uma lesão crônica, sem cura, passível de cirurgia. Treinar jiu-jitsu? Nem pensar. Ficou três meses parada, até que resolveu fazer um último campeonato, para se despedir no esporte. Era o Sul-Americano da CBJJ, em São Paulo.

“Falaram para mim: sua lesão é grave, se você tomar uma queda pode nem andar mais. Mas seria minha despedida, meu primeiro campeonato fora do Estado. Peguei a prata. No momento que subi no pódio, decidi que não ia parar. Que eu ia me dedicar e fortalecer a região para permitir que eu continuasse no esporte”, conta. 

Fortalecimento e adaptação

Hoje, aos 32 anos, ainda sente dor nos treinos e nos campeonatos, mas a intensidade diminuiu em 40% com o trabalho de fortalecimento diário. “Procuro me manter o corpo ativo o tempo todo”, diz ela, que faz musculação todos os dias, fisioterapia duas vezes por semana e funcional três vezes por semana. Nos finais de semana, ainda corre ou pedala. 

O treino de jiu-jitsu também é diário. Ela ainda dá aula duas vezes na semana para crianças carentes em um projeto social. Aos sábados, dá aula para mulheres que não conseguem treinar durante a semana – elas doam mantimentos para seu projeto social. 

Com a lesão, tive que reaprender o jiu-jitsu.” Renata conta que teve que adaptar muitas posições para não forçar tanto a região, especialmente na guarda, quando está com as costas no chão. 

Transformação: mental e física

A alimentação também é regrada, evita açúcar e não usa suplementos. Hoje, mantém facilmente seus 52 kg, mas nem sempre foi assim. Em 2013, antes de começar no esporte, pesava 80 kg.

“Eu tinha 48 kg e, ao casar e me mudar de cidade, desenvolvi uma ansiedade que me fez engordar muito. Minha autoestima era muito baixa, não confiava em mim mesma.”

As coisas começaram a mudar quando, passeando pela praia, passou por uma academia e se encantou por uma aula de jiu-jítsu. Ficou ali, vendo através do vidro. No dia seguinte, estava lá para uma aula experimental na GA Fight, que é sua equipe até hoje. Nunca mais deixou o tatame. 

Eu me tornei outra pessoa. O jiu jitsu faz a gente se empenhar, cuidar da saúde para ter um bom desempenho. Perdi peso e nunca mais engordei. Ganhei autoestima, vi o quanto eu era capaz.”

Essa percepção veio principalmente com seu primeiro título, na faixa branca. “Eu estava começando, peguei uma menina com quatro graus na faixa… Quando fui ouro na CBLP (Confederação Brasileira de Lutas Profissionais), foi uma sensação tão boa, ali eu vi que eu era capaz, que era possível.”

“A derrota não me abala”

De lá pra cá, a evolução mental foi constante. Especialmente no que diz respeito ao diálogo interno que construiu. “Percebi que toda vez que você entra no tatame achando que não é capaz, pode ter certeza de que vai perder. Você pode estar com seu jogo perfeito, se não confiar em você, não vai dar certo. Tem que ir confiante de que você treinou para aquilo.”

Para ela, tudo é aprendizado. A derrota nunca a abalou: “Eu vou sair de lá com mais vontade ainda de treinar e não com vontade de desistir.”  

Como quase não há adversárias em sua categoria no Espírito Santo, guarda seu dinheiro e concentra seus esforços nos campeonatos maiores. Sua estratégia é sempre fazer o que treinou e começar a luta encaixando seu jogo. “No jiu, cada segundo é precioso, até recuperar complica. Prefiro sempre começar na frente.” Antes não costumava estudar as adversárias, mas viu que faz a diferença ter algumas informações para adotar estratégias mais assertivas para a luta. 

Finalização preferida? “Bom, sou passadora e adoro um bracinho.” Omoplata, armlock e americana estão entre as preferidas do seu repertório. 

Inspiração: colegas de treino

Suas maiores dificuldades como atleta são a busca por patrocínio e os gastos com as inscrições e viagens para campeonatos maiores.  

“Para nós atletas amadores, é difícil conciliar família, trabalho, estudo e o esporte, pois jiu-jitsu não dá dinheiro, especialmente para quem é master”, afirma. Hoje ela conta com o patrocínio de sua personal e da academia onde treina.

Justamente por ver a luta de quem se esforça para estar nos campeonatos, sua maior inspiração vem do seu próprio tatame: “Procuro me inspirar nas pessoas que fazem parte do meu dia a dia, pois vejo todo o esforço deles, de irem com dinheiro contado, para se desafiarem e irem atrás de suas conquistas.”

No final, tudo vale a pena: “Aquela adrenalina da competição, o mix de emoção e nervosismo, o gosto pelo desafio. E quando você ganha, e o árbitro levanta sua mão, é a melhor sensação da vida.”

Qual sua reação

Curtir Curtir
1
Curtir
Amei Amei
1
Amei
Haha Haha
0
Haha
uau uau
0
uau
Triste Triste
0
Triste
Grr Grr
0
Grr

Comments 0

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Atleta da Semana: Renata Quintino

log in

reset password

Voltar para
log in