Como foi ter minha própria academia


Por Lua Mota Benicio

Nunca me imaginei dona de uma academia de lutas. Instrutora de mergulho e bacharel em biologia, sempre fui apaixonada pelas artes marciais. Paixão que veio de berço através do meu pai (Sensei de judô) e minha mãe (faixa marrom de judô), que se conheceram no tatame em 1975.

Quando pequena sofri bastante com o fato de não poder praticar o judô por conta dos tatames de pó de serra e lonas de tecido, que me faziam passar mal com falta de ar por ter uma rinite alérgica crônica. Cheguei a fazer treinos com meu pai em dojos de amigos, mas as tentativas eram frustrantes, sempre saía chorando por não conseguir prosseguir com os treinos.

Com isso migrei para outras modalidades como arte de circo, pesca subaquática, mergulho, taekwondo, remo, ballet, surf, musculação… até que conheci o jiu-jitsu, aos 26 anos.

Formada e longe de casa por 8 anos, trabalhando com o mergulho em PE, o amor pelo tatame falou mais alto. Já com saudades da família e cansada do descaso e preconceito que eu sofria na academia onde eu treinava em Porto de Galinhas, não resisti ao convite de meu pai em abrir nossa própria academia. Meu até então namorado, também praticante de BJJ, abraçou a ideia e resolveu largar tudo para ingressar nesse novo sonho.

Fomos de mala e cuia, dois cachorros e tudo que nós tínhamos para Salvador-BA na boleia de um caminhão.

Com o terreno de meus pais, pouca grana e muita vontade de dar prosseguimento ao plano, metemos a mão na massa e iniciamos a construção. Não tínhamos condições de bancar uma construtora ou um arquiteto para projetar e construir a academia. Sentamos com meus pais e decidimos como seria feito, contratamos um mestre de obras e ficamos de ajudantes.

Foram dois anos de construção, no meio tempo veio a minha pequena Nalu! No dia 28 de julho de 2018 inauguramos a Gringo Caldaratty Artes Marciais. De lá pra cá, foi um ano de muitas lutas e renúncias. Não é fácil viver de uma academia de lutas, ainda estamos engatinhando neste projeto que sei que nos trará muitos frutos.

Para quem pretende ter uma academia de artes marciais, a perseverança, dedicação e amor pelo esporte sem dúvida são fatores essenciais para realização desse sonho. Não espere que o lucro venha de uma hora para outra, são muitas as despesas e investimentos para que a academia não decaia e que sempre tenha um atrativo diferente para seu público.

Tem que gostar de pessoas! Tratar a todos com respeito e carinho, sem fazer distinção de credo, cor, sexualidade ou nível social.

Também não pense que é fácil ser atleta, investir em viagens e competições e ao mesmo tempo puxar treinos e administrar a academia. Tem que abrir mão de muitas coisas! Nos momentos que você deveria estar treinando, possa ser que precise resolver problemas na prefeitura, atender clientes ou até mesmo cuidar da sua família.

Mas se me perguntassem se eu faria tudo de novo, prontamente responderia que sim! Realizar um sonho do meu pai, fazendo algo que eu amo e com as pessoas que eu mais amo é indescritível.

Hoje, faixa marrom de judô, roxa de jiu-jitsu e instrutora de Muay thai, posso fazer a diferença na vida das pessoas de forma positiva, incentivando uma vida mais saudável e ajudando crianças a serem disciplinadas. Isso, sem dúvidas, é uma das melhores recompensas.

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