Atleta da Semana: Amanda Mendes


O nome dela é Amanda Monzo Mendes mas todo mundo a conhece como Amandinha. Faixa preta da equipe Behring há oito anos, teve como primeiro professor o Mestre Sylvio Behring e após foi aluna do professor Marcio Corleta, também passou por grandes nomes de outras lutas como Sensei Alexandre Nunes no Judô, Carol de Laser na luta olímpica e Garra team no Muay Thay. Alexandre Fortis, Fabiano Mendes e Eduardo Veríssimo Esteve foram colegas fundamentais em seu percurso.

Amandinha passou por um caso de extrema violência em 1992, quando sofreu uma tentativa de estupro em uma noite quando saía de seu trabalho. Ela esperava o ônibus quando um homem de aparentemente uns trinta anos a abordou colocando uma arma em sua cintura dizendo que iria estuprá-la. Ela tentou conversar com o agressor para ganhar tempo até o momento em que ele se irritou e a agrediu com um soco em seu rosto. Assim que Amanda abriu os olhos ele estava puxando-a pelos cabelos para levá-la para um campinho que havia ali perto. Ela conseguiu reagir dando um chute nos órgãos genitais do agressor. Em sua cabeça ela pensou “ele não vai conseguir porque eu vou reagir e ele vai ser obrigado a me matar”.

Assim que ela reagiu apareceu uma mulher em um carro dizendo que havia visto todo o acontecimento e a ajudou a escapar do agressor. Isso tudo mexeu muito com Amandinha mas ela conseguiu trabalhar o trauma quando uma amiga chamada Iris Germano a levou pra experimentar aulas de defesa pessoal e desde a primeira vez em que pisou no tatame nunca mais saiu, fazendo disso a sua profissão. Confira a entrevista que fizemos com ela:

O que o jiu-jitsu significa para você?

Significa superação.

Qual a melhor parte em ser uma professora de jiu-jitsu?

Ser professora não é para muitos. Saber como e para quem explicar, de um jeito que não esqueçam é privilégio para poucos! Cada um tem a sua interpretação e nós professores temos que descobrir. Ainda estou aprendendo, mas sei que quem passa sempre fica a amizade, a continuidade de aprendizado e a sementinha plantada e crescendo. A melhor parte é ver cada um conquistando suas evoluções, seja um rolamento que nunca conseguia ou seja uma competição! Ajudar a motivar as pessoas através de um esporte é a melhor parte!

Que desafios você já enfrentou ou enfrenta por ser mulher, professora de jiu-jitsu em um país de terceiro mundo onde ainda vemos situações de machismo?

Enfrentei e enfrento! Por isto digo que é uma superação! Por incrível que pareça eu fui abrir turmas fora do ambiente de convívio e ali tive que mostrar que eu acreditava no que estava fazendo! E tive que provar para quem assistia às inúmeras demonstrações de autodefesa que era eficiente! Consegui e hoje tenho três turmas em locais diferentes, masculina, feminina e infantil! Fora as crianças, que é outro departamento.

Hoje possuo mais reconhecimento, mas algumas situações ainda acontecem. Menos, mas acontecem. Para algumas pessoas eu fecho os olhos e mostro através da minha capacidade de ensinar ou do que venho aprendendo… que sou capaz! Em outras palavras, entro no tatame e mostro!

Antigamente você costumava competir. Quais os maiores campeonatos que já participou?

Vários campeonatos. Três mundiais, Open Internacional, Sul Americano, estaduais é por aí vai. Fui campeã Mundial na faixa roxa em 2005, campeã Open Internacional Rio 2014 e 2012 , Sul Americano e vários outros. Todos sem incentivo!

O que você fazia antes de lutar para acalmar a ansiedade?

Isto é um problema até hoje, mas descobri que chegando na hora de lutar ou da pesagem fico mais tranquila! No último internacional eu me foquei e na hora da espera eu repetia: ESTA MEDALHA É MINHA! Não lutei tanto por nada! Então é minha! E funcionou. Sempre ganhando categoria e absoluto!

Qual a sensação de ter sido campeã mundial?

Ser campeã é algo muito bom, meu sentimento foi “nada foi em vão!” Particularmente no Mundial e Internacionais foi uma sensação de dever cumprido. Agora já me testei e preciso ir além, como dar aulas.

O que significa pra ti uma mulher poder participar de campeonatos?

Pra mim é algo normal, não consigo enxergar como algo diferente. Eu cresci participando de competições, seja no handebol, vôlei, natação, ginástica olímpica… então não acho nada diferente! Competições fazem parte do nosso crescimento, da nossa evolução!

Que muitas meninas e mulheres possam se inspirar na história da Amanda para continuarem no caminho do jiu-jitsu e também ter muito sucesso!

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