Depressão e sororidade


Estudos comprovam a eficácia da atividade física no tratamento e prevenção da depressão, pois a prática de exercícios físicos está diretamente ligada à produção de hormônios e neurotransmissores responsáveis pela  sensação de prazer e bem estar, além de modular os hormônios do estresse.

Já pararam pra pensar que a sensação de bem estar, e toda esta atividade química do nosso organismo, provocada pela prática de exercícios físicos também está ligada à questão social? 

Setembro é o mês de prevenção ao suicídio, mas não só durante este mês temos que nos atentar a responsabilidade que temos conosco e pelas pessoas que estão em nosso convívio social.

O jiu-jitsu é uma excelente atividade física, e muitas pessoas procuram a arte suave para ajudar no tratamento de transtornos emocionais. Porém, em alguns casos, ao invés de ajudar, o esporte pode vir a ser mais um gatilho para desencadear tais transtornos, principalmente entre as mulheres. 

Mulheres são extremamente competitivas entre si, e isso é fomentado pela nossa cultura machista e patriarcal. É comum criarem resistência, por exemplo, quando chega alguma nova parceira de treino na academia. É aí que entra a sororidade e a necessidade de uma desconstrução cultural das nossas relações. Não julgue a menina nova que entrou na academia, aliás, não julgue ninguém! Seja receptiva, mande uma mensagem incentivando-a a treinar no dia seguinte. 

Se você acha que ela não está usando a vestimenta adequada para treinar, aborde com educação, oriente tanto em relação a higiene, quanto em relação a treinar sem ter que se preocupar com algo que possa causar a ela algum constrangimento. A pessoa que não está acostumada com o jiu-jitsu não enxerga a complexidade da movimentação e nem o que isso acarreta.

Apoie suas parceiras de treino e evite “panelinhas” no tatame. As pessoas são diferentes, e nem todo mundo vai se identificar a ponto de fazerem coisas juntas fora da academia, e isso é normal. Mas não exclua ninguém no treino. Faça o tatame ser um lugar agradável para todos. 

Entenda que suas parceiras de treino, e até mesmo suas adversárias de luta, não são suas inimigas. Você precisa delas para evoluir o seu jiu-jitsu e seguir competindo. Respeite e trate todo mundo bem. Aquela pessoa, provavelmente, sonha com o mesmo que você. 

Gestos acolhedores fazem total diferença na saúde mental de quem convive contigo. Vamos ajudar umas às outras. Vamos ser parceiras! Ajudar a superar os traumas e dificuldades na vida, e não fazer com que essa convivência seja mais um problema para a pessoa. Juntas somos mais fortes, inclusive emocionalmente! 

E quando o pior adversário somos nós mesmos?

Competições e, até mesmo, situações de treino podem gerar ansiedade e frustração. Acho que todos os praticantes de jiu-jitsu amam a arte suave, mas então em que momento ela passa a te fazer mal? 

Overtraining: A vontade de ser melhor é tanta que deixamos de respeitar os limites do nosso corpo atrás de uma superação que vira autossabotagem. Pode resultar em lesões e levar a problemas psicológicos, por destruir um trabalho de meses. Cuide-se! Treine inteligente! 

Pressão por resultados: Pode vir dos patrocinadores ou dos professores, mas é comum sentirmos o peso de representar nossa equipe, de representar a marca que dá apoio, de buscar pontuação no ranking… tudo imposto por nós mesmos. Nervosismo na véspera, privação do sono, insegurança na hora de entrar, dificuldade em colocar em prática o que foi treinado. Isso tudo gera ansiedade e frustração. 

Troca de faixa: O mestre é que sabe a hora certa, então deveríamos ser confiantes! Mas nem sempre é assim. Os treinos começam a virar um fardo quando ao invés de se preocupar em evoluir você se preocupa em não tomar amasso do menos graduado. Isso causa ansiedade e desgaste. Você se sente diminuído. Deixe o ego em casa e vá treinar. A faixa só amarra seu kimono, ela não vai te ensinar jiu-jitsu. Não vale a pena ficar ansioso nem antes e nem depois de recebê-la. Curta o processo! 

Se comparar a outras pessoas: Não seja tão cruel com você! Cada um tem um tempo de evolução e aprendizado. O desenvolvimento psicomotor e cognitivo acontece de forma diferente em indivíduos diferentes.  Tem coisas que são treináveis, porém cada um no seu tempo. Outras tem que ser adaptadas, pois pessoas com biotipo muito diferentes não vão conseguir realizar posições da mesma forma. Cada um acaba montando seu próprio jogo da melhor forma para si. Não se compare a ninguém. Seu jogo e seu tempo de aprendizado são únicos! Preocupe-se em superar a si mesma a cada dia! Somente isso.

Devo ou não competir? Não sou atleta profissional, por que eu preciso passar por isso? 

Você não é obrigada a nada! Fazemos sim uma campanha para termos um maior número de meninas nas competições, para valorizar o jiu-jitsu. Mas entendemos também que algumas pessoas simplesmente não curtem a esfera competitiva. Treinam por hobby e bem estar, e neste caso, a competição gera um certo pânico. Se for uma vontade sua, converse com seu professor e com os amigos mais graduados, que já competem. Mas se isso não for uma vontade sua, não se culpe e não se obrigue. 

Existem vários outras situações que podem nos levar à ansiedade, agravar um caso de depressão e fazer efeitos contrários do que buscamos em relação aos benefícios do jiu-jitsu. 

Acho que podemos tentar contornar tais dificuldades tentando controlar os excessos, e de forma mais eficiente, procurando ajuda profissional. Um acompanhamento de um psicólogo esportivo, por exemplo, pode ser essencial para recuperar a confiança e o bem estar que o jiu-jitsu já te proporcionou um dia. 

Nossa vida pessoal e profissional interfere em nosso rendimento no esporte, assim como o nosso rendimento no esporte, dependendo da importância que dermos a ele, vai interferir em outros parâmetros da nossa vida. É crucial zelar pela nossa saúde mental. Não seja negligente com você! Cuide-se! 

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