Jiujiteira e pilateira


Crédito: Ricardo Reviriego

Bia Mesquita pratica. Dominyka Obelenyte também. Faz parte da minha preparação física há quatro anos. Por incrível que pareça para muitos, pilates tem tudo a ver com jiu-jitsu.

A começar pelas suas origens, com dois autodidatas conhecidos. Na década de 20, tanto Helio Gracie quanto Joseph Pilates buscaram em seu físico frágil a motivação para desenvolver os métodos sobre os quais falamos hoje aqui. Enquanto Helio trabalhava seu sistema de alavancas para compensar seu biotipo, Joseph Pilates estava obstinado em resolver seus problemas de saúde por meio dos exercícios físicos.

Nascido na Alemanha, Joseph era uma criança raquítica e asmática, filho de um ginasta premiado e uma naturopata. Diante de suas deficiências, Pilates estudou o próprio corpo e trabalhou técnicas respiratórias para combater sua asma. Foi se aprofundar em anatomia, fisiologia e medicina chinesa.

Observou os movimentos animais, praticou yoga, kung fu, mergulho, musculação. Tornou-se boxeador, artista de circo e instrutor de defesa pessoal da Scotland Yard. E a partir de todas as suas experiências, criou a contrologia, base do método Pilates – a arte do controle e equilíbrio mente-corpo.

Princípios do pilates

Reprodução: revistapilates.com.br
  • Centralização. Todos os movimentos são iniciados a partir da ativação do power house, o centro do corpo, ou seja, ativando o powerhouse, que é o conjunto de músculos que estabilizam a coluna e os órgãos internos. É assim que evitamos sobrecargas musculares e articulares.
  • Concentração. A mente fica totalmente voltada ao movimento, é o que determina a qualidade do movimento. Pilates prega que “a mente esculpe o corpo“.
  • Controle. Realizar os movimentos com consciência e coordenação motora, evitando compensações musculares.
  • FluidezMovimento “bonito” e “limpo”, harmonioso, seguindo o ritmo da respiração. Executado com leveza, nada de movimento grosseiro e pesado, propenso a lesões ou desgates.
  • Precisão. Qualidade e execução fiel. O movimento preciso e refinado garante o alinhamento postural e o trabalho correto da musculatura envolvida.
  • Respiração. Acontece em associação ao movimento, feita de forma consciente e concentrada, com inspiração pelo nariz e expiração pela boca.

Pilates no tatame

Muitos movimentos executados do jiu-jitsu são bem parecidos com os movimentos treinados no pilates. Se a gente souber os princípios e condicionar o corpo, fica mais fácil ainda evitar lesões.

Como pilateira, esses foram os principais ganhos que levei para o tatame:

  • Flexibilidade. Toda guardeira tem que ser superelástica, né? E toda a mobilização da coluna e os alongamentos que trabalhamos no pilates são perfeitos para isso.
  • Equilíbrio. No pilates, a gente ganha consciência corporal e aprende a distribuir seu peso por todo o corpo para executar os movimentos de forma harmoniosa e com equilíbrio. O que é perfeito para aquelas situações em que você está prestes a ser raspado e não pode cair de jeito nenhum.
  • Abdome forte. Ativar o powerhouse faz toda a diferença na hora de fazer um pêndulo, uma ponte, um rolamento para trás, uma guarda-aranha, erguer o guardeiro na cadeirinha e outra infinidade de movimentos. É aí que a gente evitar compensar na lombar, por exemplo.
  • Resistência. Diferentemente da musculação, que trabalha hipertrofia, o pilates trabalha a musculatura mais profunda e a isometria. E a gente precisa quase nada de isometria no jiu, não é mesmo? rs

“Ah, mas pilates é muito fácil”

Longe de querer esgotar o assunto, até porque pilates é um mundo a ser explorado, mas para terminar, é preciso desmistificar esse ponto.

Quem já olhou uma foto de alguém praticando pilates e pensou: “Ah, mas isso aí é muito fácil para mim“. Principalmente os homens: cansei de ouvir comentários da ala masculina mais desavisada de que pilates “não era para homem” e que difícil mesmo era levantar um monte de peso.

Outro dia mesmo sugeri um teste para os meninos no próprio tatame: eles deveriam executar um dos exercícios de solo, sentados, sem prender os pés em nenhum apoio e sem deixar a coluna “desabar”.

Demonstrei, e eles disseram: “moleza!” Agora, na hora de fazer… Sentiram na pele a dificuldade de se concentrar, coordenar o movimento, ativar o abdome e tremiam como folha ao vento. Conclusão: é, talvez não seja tão fácil assim. Sem preconceitos, assim como o jiu-jitsu, pilates é sim para homens, para mulheres e crianças – meu filho, inclusive, faz. E um excelente aliado na preparação de qualquer atleta.

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