Atleta da Semana: Renata Uchoa


Ela simplesmente foi arrebatada pelas possibilidades que o jiu-jitsu proporciona aos seus praticantes. Novas amizades, relações de respeito, companheirismo, responsabilidade social. O que no início era uma forma de retirar seu filho do sedentarismo, levou toda a família a respirar e viver da arte suave. Atleta da Team Kamui, faixa roxa do Sensei Leandro Cerqueira, que é seu esposo, deixo vocês com a trajetória de Renata Uchoa.

Como foi seu primeiro contato com o jiu-jitsu?

Sempre pratiquei esporte desde criança, mas meu conhecimento sobre artes marciais se limitava aos filmes que assistia. Hoje me pergunto por que nunca passou pela minha cabeça naquela época fazer alguma luta, pois já adorava. Fui apenas, a maior parte da minha vida, uma admiradora.

Muitos anos depois, já casada, mãe de três filhos, João com 9 anos na época, Pedro com 8 e Maria com 2, morando na ilha de Itaparica – BA, procurei inseri-los no esporte muito cedo. Foi através dessa preocupação e por convite de um amigo, Fábio Andrade, que decidimos levar o meu filho João para uma aula experimental, pra ver se ele gostava. Fomos todos conquistados, nunca mais saímos dos tatames. Primeiro meu marido, Leandro Cerqueira, hoje meu mestre, que entrou para ajudar João, já que não haviam crianças na academia. Depois meu filho do meio Pedro Luca, minha pequena Maria, e por fim, eu.

Adorava assisti-los, mesmo a academia ficando há uns 20 quilômetros de casa. Eu fazia apenas posições na época, tinha muito medo de machucar. Mas fui arrastada por essa paixão vendo os benefícios que minha família desfrutava.

Você considera que foi uma aproximação positiva?

Sim! Hoje nossas vidas giram em torno da Arte Marcial. Temos um centro de treinamento, o CT Kamui, onde meu marido e filhos dão aula de jiu-jitsu para crianças, jovens e adultos. Um projeto social que é uma das nossas maiores realizações e ainda uma fábrica de kimonos. Vivemos e respiramos BJJ. Passamos a maior parte do nosso dia na academia. Treino três vezes na semana às 5h e também a noite. Sempre fiz musculação mas há um ano, desde que inauguramos a academia, não tenho conseguido conciliar, ou seja, hoje é basicamente e somente jiu-jitsu. Quando não estou dentro do tatame, estou assistindo. Adoro ver os pequenos treinando, ou estamos discutindo sobre posições.

O BJJ te trouxe muitos benefícios?

O jiu-jitsu me desafia, me faz conhecer e enfrentar minhas fraquezas, meus medos.

Fala para a gente um pouco sobre sua vida de atleta.

As competições sempre fizeram parte da nossa caminhada. João participou do seu primeiro campeonato com um mês de treino, e Léo com apenas 15 dias. Eu na arquibancada sem entender nada, gritando “Vai! Vai!”. Nesse dia não comemos nada o dia todo de tanta adrenalina e ansiedade pela espera das lutas.

Na maior parte dessa história estive nas arquibancadas, gritando sempre desesperada, apesar de não demonstrar, de boca seca e coração disparado. Já engoli o choro quando vi meus filhos chorarem com a derrotas ou quando se machucaram. O que graças a Deus foram poucas vezes. Ou de emoção nas vitórias.

Quando decidi competir foi uma outra emoção não menos intensa mas diferente, tive que vencer minha timidez, insegurança, meu medo de decepcioná-los. Mas encarei e foi uma das experiências mais radicais da minha vida. Uma montanha russa de emoções. Além de todos os desafios emocionais, o custo financeiro é bastante alto.

Para você, ser atleta no Brasil é…?

Penso que a nível nacional não temos uma cultura que valorize e incentive o esporte, isso varia mais entre algumas regiões. Quanto ao esporte, os que giram dinheiro são mais valorizados e tem maior visibilidade tanto das mídias quanto do Estado. Apesar de percebermos o grande crescimento do jiu-jitsu, ainda somos o país do futebol.

E os aspectos positivos que você observa?

Vejo que existem algumas coisas a serem consideradas. Uma é o grande número de campeonatos durante todo o ano. Esses campeonatos tem aspectos positivos. Um formato permite que participem desde crianças, jovens, adultos e pessoas mais velhas. Isso tem proporcionado, ao meu ver, um crescimento no número de praticantes, amantes e de competidores do esporte.

Outra peculiaridade nos campeonatos é de que há a possibilidade de atletas profissionais e amadores lutem no mesmo evento, sem nenhuma diferenciação, a não ser a de categoria de peso, idade e faixas de graduação. Assim é possível lutar na mesma categoria atletas profissionais que vivem exclusivamente do jiu-jitsu com praticantes ou atletas amadores.

Desconheço em outro esporte essa possibilidade que acho ótima, mas nos leva a pensar como seria a melhor forma e critério de apoio e incentivo por parte tanto de órgãos públicos quanto da iniciativa privada, partindo do fato que hoje temos um grande número de pessoas desejando viver do esporte. Hoje pouco se vê de incentivo tanto de setores públicos quantos das grandes Confederações do esporte. Assim algumas iniciativas de apoio e patrocínio se limitam a iniciativa privada, projetos sociais e alguns projetos municipais, estaduais e federais os quais são bastantes burocráticos e não atendem ao grande número de atletas da nossa arte.

Os principais títulos da Renata são: Campeã Brasileira pela FIJJD, Terceiro lugar no Salvador Open da IBJJF, Vice-campeã do Campeonato Baiano de Jiu-jitsu da FBJJMMA, Campeã do Iron Figth (Salvador-BA).

Você percebe uma aproximação das meninas no jiu-jitsu?

Tenho visto com muita empolgação e felicidade o crescimento do jiu-jitsu feminino. Ainda maior nas academias do que nas competições, principalmente quando avançamos nas graduações. Mas, acredito que estamos evoluindo.

Quais são as suas inspirações no esporte?

Admiro o jiu-jitsu de muitos atletas profissionais, muitas meninas, mas minhas inspirações no esporte são as pessoas que convivo e acompanho. Meu marido, meus filhos, meus parceiros, amigos, os alunos do projeto, cada um que vejo se vencer, se superar, sou fã do trabalho duro, da dedicação e disciplina.

Quer deixar um recado para as meninas que querem seguir no jiu-jitsu?

Falar do jiu-jitsu na minha vida é fácil, dizer o quanto ele me desafia, me faz sentir forte, quanto adoro a interação, o aprendizado e crescimento, tanto dentro quanto fora dos tatames, que ele me proporciona na vida, são minhas motivações, minhas aspirações dentre tantas inspirações e motivações possíveis a cada pessoa que pratica a arte suave. Talvez o que tenha a dizer é que as motivações, objetivo ou sonhos sejam eles quais forem, não precisam fazer sentido para ninguém além de si mesmo, que eles sejam capazes de dar forças para caminhar, continuar buscando e também para superar todas as dificuldades e desafios da caminhada. Pois fazer o que se ama não significa facilidade, ou ausência de problemas, de conflitos ou até mesmo dúvidas, significa apenas que se vale a pena lutar e seguir.

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