A luta fora dos tatames


Apesar de séculos de história e reivindicações, o feminismo na sociedade atual ainda é uma luta mal compreendida — inclusive pelas próprias mulheres. Não é uma luta que busca a competição, como alguns sugerem, mas muito pelo contrário, que visa a conquista de direitos na sociedade. Queremos a igualdade, e não somente em âmbitos profissionais, mas também ideológicos, ter a total liberdade para expressar nossos ideais sem julgamentos.

No jiu-jitsu não é diferente. Ainda sofremos com vários tipos de preconceitos, mas com o passar do tempo conseguimos quebrar várias dessas barreiras.

No Oriente, o sexo feminino sempre esteve junto às artes marciais, desde antes do esporte, como guerreiras combatendo lado a lado com homens, e na Grécia podem ser vistas estátuas que comprovam isso. Já no Ocidente, a história é outra. Sempre foram vistas como masculinizadas as mulheres que entravam para o mundo da luta, ou por outro lado, poderiam ser menosprezadas por sua “fraqueza”.

Hoje em dia, nós vemos muito mais mulheres praticando a arte suave, frequentando as academias e muitas também competem. Com isso, o jiu-jitsu feminino vem crescendo muito, porém ainda temos espaço para crescer cada vez mais. Conquistamos lugares de destaque em alguns eventos importantes, premiações igualitárias já são realidade em alguns campeonatos, mas ainda sofremos com o pensamento antiquado de muitas pessoas.

Jiu-jitsu e o aumento da autoestima

O aumento de mulheres na arte suave trouxe benefícios a nós mesmas, individualmente, e não somente como sociedade. 

O jiu-jitsu é um esporte individual, apesar de precisarmos uns dos outros para nossa evolução. Nele trabalhamos tanto nosso físico, aumentando a flexibilidade, capacidade cardiovascular, coordenação motora e também nosso psicológico diariamente em cada situação de desconforto durante os treinos, dando nosso máximo para atingirmos nosso ápice e continuarmos voltando cada vez mais animadas para o treino do dia seguinte.

Isso, consequentemente, muda nossa autoestima. Nos trás mais autoconfiança, força e segurança.

Andar na rua sozinha não é simples, dependendo do horário menos ainda, vivemos em cidades perigosas e em uma cultura machista, em que casos de assédio e estrupo acontecem a todo momento. E o jiu-jitsu ajuda no controle emocional, nos ensinando a lidar com a ansiedade, que sempre atrapalha em situações como essa, conseguimos pensar melhor e obtendo controle emocional para resolver os problemas com mais facilidade.

Há vários vídeos na internet com mulheres praticantes de jiu-jitsu que conseguem imobilizar homens que ofereceram um risco em potencial a elas, e com isso, temos casos a menos na mídia que acabariam sendo só mais um dos milhares que acabam de forma ruim. 

Não estou citando como um incentivo a revidar! De forma alguma. Mas sim, mostrar que a mulher não é o sexo frágil. Nós pertencemos ao lugar que quisermos. Força, garra e determinação são qualidades femininas e não somos obrigadas a seguir nenhum padrão social. 

Não deixe o machismo falar que somos rivais, se juntas podemos ser muito mais fortes. Que cada vez mais possamos ver tatames e o mundo cheio de mulheres unidas por um mesmo ideal: igualdade!

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