Nos últimos anos, temos acompanhado um processo de transformação no jiu-jitsu mundial, em todas as suas esferas – da prática recreativa ao mais alto nível competitivo. As equipes passam por uma reestruturação nunca antes vista, profissionalizando-se, investindo em processos pedagógicos, padronização de uniformes, firmando intercâmbios e parcerias, o que torna o ambiente da academia mais atrativo, confortável e seguro para a prática da modalidade por seus clientes. Todos esses fatores tem contribuído para o aumento de um público que até pouco tempo não sentia-se a vontade no ambiente rústico das academias: o público feminino.
A mudança de mentalidade dos líderes de grandes equipes, que hoje entendem muito melhor o “negócio” academia, associado ao trabalho pioneiro de grandes expoentes do segmento feminino, de ontem e de hoje, tais como Leka Vieira, Bianca Andrade, Hannete Staack, Kyra Gracie, Mackenzie Dern, Gabriele Garcia, Bia Mesquita, dentre outras, tem contribuído para aumentar a popularidade do jiu-jitsu entre as mulheres e atraído cada vez mais meninas para as academias.
A maioria delas inclusive já conta com aulas exclusivas para mulheres, com turmas fundamentais e avançadas. Outra questão frequentemente discutida e que parece evoluir a cada dia são as premiações para atletas femininas nas principais competições, que atualmente contam com premiações igualitárias em alguns eventos. Ainda longe do ideal, mas parece haver um movimento de melhora nesse sentido.
A prática do jiu-jitsu vai muito além dos benefícios já conhecidos e bem documentados de qualquer outra atividade física, como melhora do condicionamento físico geral, perda de peso, definição muscular, aumento da força e flexibilidade, por exemplo. Somado a isso, podemos citar o aumento da autoconfiança e autoestima, diminuição do estresse, melhora do controle de ansiedade e timidez, através do fortalecimento do círculo de amizades, bem característico da nossa modalidade.
Além disso, o grande diferencial se dá pelo estudo aprofundado de técnicas de defesa pessoal, o que contribui muito para o fortalecimento de todos os benefícios citados anteriormente e também para que a mulher saiba se portar em uma situação extrema de agressão e/ou assédio, o que infelizmente ainda acontece com muita regularidade, sobretudo em grandes centros urbanos, mas não somente neles.
Sendo assim, o jiu-jitsu se afirma como prática segura e eficaz para as mulheres, contribuindo para melhora de benefícios estéticos, saúde e qualidade de vida, além de melhora dos níveis de motivação e combate a depressão, por exemplo. A presença feminina no tatame é sem dúvidas um dos grandes motivadores para as mudanças positivas que a modalidade tem passado nos últimos anos em seu processo de profissionalização e igualdade de condições no ambiente competitivo. Mudanças ainda são necessárias, mas a comunidade do jiu-jitsu se fortalece a cada dia mais com a presença das mulheres nos tatames ao redor do mundo!
Foto: Luchini Fotografias



