Atleta da Semana – Maria Sol Aragão


Hoje conversamos com Maria Sol Aragão, faixa azul da ATJJ Team, de Alagoas. Ela contou pra gente sobre sua história no jiu-jitsu, sua rotina de treinos, dificuldades no esporte e muito mais. Confira:

– Como conheceu o jiu-jitsu e há quanto tempo treina?
Conheci o jiu-jitsu em 2015, a história é um pouco tensa mas trouxe coisas boas demais. Eu vivia uma transição entre emprego, fim de faculdade e me firmar como profissional. Em contrapartida levava uma vida sombria, com uso de drogas e me envolvia com pessoas que não se importavam comigo, até que acabei me envolvendo em uma briga de rua. Eu já havia sido convidada algumas vezes pelo meu mestre pra fazer uma aula experimental, e nesse mesmo dia da confusão, minha irmã e eu fomos fazer a primeira aula e desde então acho que tenho no máximo 20 faltas em todos os treinos.

– Como é a sua rotina de treinos?
Faço 8 treinos de jiu-jitsu semanais, dois treinos voltados pra competição onde trabalhamos força, explosão e técnica, corro 4km três vezes por semana e estou me recuperando de pequenas lesões para começar a treinar Crossfit, no intuito de aumentar minha força e explosão no jiu-jitsu. Meu dia a dia é todo voltado para o jiu-jitsu.

Faço acompanhamento nutricional há pouco mais de um ano, onde consegui superar um quadro de desnutrição (ocasionado por uma depressão que trouxe um transtorno alimentar não específico) e estou na fase de ganho de massa. Na realidade, o acompanhamento nutricional vai muito além da dieta, o Anthony (meu nutricionista) acompanha desde minha alimentação até meu ciclo menstrual. Faço também acompanhamento fisioterápico com a Dra Claudia para previnir e tratar lesões decorrentes do jiu-jitsu.

– Quais são as principais dificuldades no esporte e na carreira de atleta?
Pra mim é conseguir competir, porque aqui em Alagoas (nordeste no geral) temos opções restritas de campeonatos – o que acaba diminuindo nossa frequência de competições – e nos retardando no processo de crescimento como atleta. Óbvio que todo atleta passa por dificuldades, é tudo muito caro (suplementação, vestimenta, inscrição, passagens, alimentação correta…). Mas hoje eu não posso estar competindo todo final de semana, como gostaria, por não ter competições por perto e por ser muito inviável financeiramente viajar muito para competir.

Como comecei o jiu-jitsu aos 26, hoje sou master e é uma dificuldade enorme encontrar competidora na mesma categoria, então eu sempre tenho que estar descendo a categoria e lutando com meninas na adulto, mas isso não chega a ser uma dificuldade… vejo mais como um desafio e uma maneira de buscar me superar cada vez mais.

– Quais os benefícios que o jiu-jitsu trouxe para a sua vida?
O primeiro e maior de todos foi abandonar uma vida que não me pertencia, regada a uma vida de péssima qualidade e nada de amor próprio. O jiu-jitsu me trouxe tudo o que faltava pra que eu me sentisse uma mulher completa: moldou meu corpo, trouxe mais confiança em mim mesma, autonomia, autoestima, amigos/irmãos que fazem meus dias mais felizes e, dessa maneira, minha família se tornou bem maior.

Por isso, a influência do jiu-jitsu reverberou em todas as esferas da minha vida, desde meus relacionamentos pessoais até minha vida profissional. Me fez adquirir consciência de quem eu sou e principalmente dos limites que não existem – pelo menos não além da minha mente – hoje me sinto segura de ir e vir, de estar e me pertencer a um lugar.

– Qual o estilo de jogo que mais gosta e qual sua finalização preferida?
Gosto de jogar fazendo guarda, bem justinho e pra frente. Mas me adapto muito bem à situações contrárias e tento treinar sem definir um jogo em específico para não me limitar. Não tenho uma finalização preferida em específico, mas sempre prefiro optar pelo básico: armlock, triângulo, estrangulamento pelas costas… acho que o café com leite é sempre mais eficaz do que grandes peripécias, até mesmo em respeito a minha graduação que alguns golpes ainda não são permitidos.

– Quais os seus principais títulos?
Campeã open pro BJJ
Campeã desafio por equipes
Campeã Open Toritama
Vice-campeã Campeonato Alagoano
Vice-campeã Liga alagoana de JJ
Terceiro lugar Copa Maria Bonita de JJ

– Quem são seus/suas maiores inspirações no esporte?
Admiro muito minha professora Lívia Gomes, Nika Schwinden (ela também é psicóloga, o que me inspira demais a seguir um caminho semelhante), Mahamed Aly pela maneira como ele vive o jiu-jitsu, Moisés Mitrioni e a Cláudia do Val.

– Como você o seu conhecimento de psicóloga pra te ajudar na carreira de atleta?
A priori eu não conseguia fazer uma junção de ambos, até perceber que eles já caminhavam juntos desde a primeira vez que pisei no tatame. Hoje eu ainda não consigo fazer um trabalho específico voltado para o mesmo, mas tenho grandes planos para trabalhar com o jiu-jitsu e a psicologia em conjunto – pretendo usar o que aprendi na teoria como incentivo e apoio para atletas que precisem de apoio psicológico, pois diversas pessoas me procuram trazendo a temática de que entraram no jiu-jitsu por diversos tipos de transtornos como para busca de cura para depressão, ansiedade… e além da formação como psicóloga, tenho a vivência por ser portadora desses transtornos e conseguir vencer todo dia um pouquinho deles.

Deixe uma mensagem para os leitores do Bjj Girls Mag sobre o que te motiva todos os dias a continuar:

“Todos os dias, quando visto meu kimono, sinto que estou prestes a salvar o mundo: o meu mundo. Um passo de cada vez, da mesma forma quando aprendemos uma posição nova. Vemos os princípios anatômicos, depois a execução e a adaptação para nosso jogo. Assim o esporte faz com a minha vida. Me tornei uma mulher disciplinada, uma boa filha, amiga e profissional.  Antes eu não tinha sonhos, hoje eu tenho metas e busco diariamente ser a autora da minha própria história.
Não tenho inimigo algum além de mim mesma, e eu vou derrotando meus monstros todos os dias. Oss!”


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