Sobre o Jiu-Jitsu adaptado para portadores de deficiência – faça da sua dificuldade, a sua motivação!


O esporte como meio de inclusão é fundamental. Um dos problemas que as pessoas com deficiência podem ter é o da exclusão social e falta de autoestima. Tratar uma deficiência, independente de qual seja a natureza, como limitação, é de forma indireta e automática, um julgamento de capacidade.

Ainda hoje, nem todos os lugares na sociedade possuem acessibilidade adequada para os diversos tipos de deficiência, e isso causa uma frustração que pode dar espaço para o desânimo quando se trata da realização pessoal e, consequentemente acaba bloqueando muitos deficientes de vivenciarem práticas extremamente positivas para o seu desenvolvimento. Mas isso não pode ser uma justificativa para não se incluir. Tudo pode parecer e ser mais difícil, e certamente vai ser! Mas as pessoas com deficiência precisam ter uma capacidade de se adaptar muito maior do que as outras pessoas. Por isso, a prática de esportes tem um papel importantíssimo nesses aspectos e pode alavancar outras potencialidades, desde que haja um trabalho de estímulo e desenvolvimento. Todas habilidades do ser humano podem ser aprimoradas por meio da repetição. É o caso do jiu-jitsu adaptado para portadores de deficiência.

Existem modalidades que podem ser praticadas independentemente da deficiência e outras que são facilmente adaptadas para que todos possam participar.

 

“O esporte é muito importante para o sentimento de que tudo é possível dentro das minhas limitações e adaptações para execução daquilo que desejo fazer ou praticar”

 

explica Ademir Cruz de Almeida, presidente da ABDF (Associação Brasileira de Desportos para Deficientes Físicos).

“O esporte nos ensina princípios fundamentais para conviver em sociedade. Com base no livro O jeito Harvard de ser feliz, conclui -se que o que torna as pessoas mais felizes são os relacionamentos de qualidade. Isso serve para relacionamento entre afetivos, amizades e familiares. Não é só pelo aspecto físico que é fundamental essa prática, ainda mais quando se tem deficiência. Mas é também pelo aspecto emocional.” (Samuel Bortolin)

Tanto o Jiu-jitsu quanto qualquer outro tipo de esporte melhoram a condição do corpo e da mente principalmente para os esportistas com limitações. O esporte contribui para o melhoramento da qualidade cardiovascular, aprimora a força, a agilidade, e o equilíbrio. No âmbito psíquico, poderá ser observado ganhos variados e de extrema importância, tais como: integração social, aumento da autoestima e autoimagem, estimulação da autonomia, velocidade no raciocínio, aprimoramento da coordenação motora e ritmo, coragem, motivação e a força para enfrentar os problemas cotidianos. Além de que no aspecto social, o esporte proporciona a oportunidade de sociabilização entre pessoas com e sem deficiências, além de torná-lo mais independente no seu dia a dia.

No início deste mês (junho/2019), recebi um convite que encarei mais como um desafio e tinha total convicção de que mais uma vez superaria meus limites, pois estaria correndo com um “fenômeno”, assim posso dizer!

Para quem não conhece a história desse cara, Samuel Bortolin nasceu prematuramente e foi diagnosticado com paralisia cerebral ainda bebê. Na época, sem muita informação, seus pais foram procurar tratamentos/terapias que pudessem ajudar, mas a opinião dos médicos era unânime: ele jamais poderia andar. Aos 28 anos, desafiou o impossível. Se tornou a primeira pessoa no mundo, com seu grau de deficiência, a completar um Triathlon e uma Meia Maratona.

Samuel é Palestrante, Paratleta, Mentor e Empresário, e o que mais me chamou a atenção desde o dia em que conheci foi justamente sua missão: sua vontade em contribuir com o mundo e as pessoas o fez estar sempre em aprimoramento:

“transformar fatos impossíveis em realidades extraordinárias”.

Quando aceitei seu convite para fazer uma corrida, o nosso combinado era um percurso de 4km e quando me dei conta já estávamos em quase 8km de percurso. Então Samuel olhou para mim e com um sorriso no rosto disse: “Estamos a 600 metros de completar 8km. Sua mente é seu limite! ” Ali eu percebi que não apenas quebrei mais um recorde, mas vivi uma experiência que jamais esquecerei.

Você, leitor deve estar se perguntando: “O que isso tem a ver com o Jiu-Jitsu?

Quando estamos cercados de pessoas com interesses semelhantes, é como se tivéssemos uma segunda família que nos faz ter ainda mais motivação para nos envolver cada vez mais com o esporte.

No jiu-jitsu não é diferente, é um esporte que vai além de uma arte marcial. Eu como praticante vejo como um esporte educativo completo, pois os inúmeros benefícios conquistados através das aulas e como o esporte se adapta ao seu praticante, seja ele com deficiência visual, auditiva, motora ou mental, no jiu-jitsu, a possibilidade de testar seus limites e seus potenciais faz dele o seu diferencial, quebrando qualquer tipo de barreira que possa existir quando se chega no tatame.

Mas também é imprescindível respeitar as limitações de cada um, adequando modalidades e objetivos pessoais. É preciso haver acompanhamento e muita atenção na hora de executar um movimento, respeitando todas as condutas de segurança para evitar novos acidentes e o mais importante, estimular sempre o desenvolvimento da potencialidade individual.

Praticar esportes com regularidade traz inúmeros benefícios, como já vimos, para a saúde física e mental dos praticantes, além de melhorar a qualidade de vida para as pessoas com deficiência, representando muito mais que saúde. Além dos ganhos físicos, a prática esportiva é uma forma de interação social, de ultrapassar limites e consequente melhoria da autoestima, sendo essa a forma mais eficiente de inclusão, ter a pessoa com deficiência realmente ativo na sociedade.

Como exemplo, as Paraolimpíadas é o maior evento esportivo mundial envolvendo pessoas com deficiência de diferentes modalidades, sendo estímulo e meta pessoal, mas ainda é preciso superar diversos obstáculos para que o esporte se aproxime mais das pessoas com deficiências, pois ainda rege a falta de infraestrutura e acessibilidade na sociedade, como também nas academias e nos centros esportivos. Porém, a cima de qualquer obstáculo ou dificuldade, o esporte ensina umas das coisas mais importantes da vida, PERSISTIR!

Vamos juntos fazer mais!


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