Atleta da semana – Yanna Mattos


Pouco tempo após receber a faixa azul ela passou por alguns problemas que causaram uma reviravolta completa em sua vida. Inclusive, teve que largar o Jiu-jitsu. Classificada por ela mesma como uma mulher que cumpre suas promessas e que foca em atender às expectativas de sua família, teve que passar por momentos difíceis para conciliar o estágio, trabalho e o estudo, experiências que lhe deram mais ânimo para retornar aos treinos mais competitiva do que antes.

Aluna do Sensei Thiago Saiyajin, com vocês, a faixa azul da equipe Saiyajin Jiu-jitsu, Yanna Mattos:

“Eu não imponho limites na minha vida, se eu quiser me formar, eu vou me formar, sem mais. Se eu quiser ser competidora e ganhar grandes campeonatos, eu o farei. E se eu precisar trabalhar pra isso, eu trabalho incansavelmente. Digo todos os dias, um fator ou outro não vai me limitar a ser só uma versão da mulher que eu sei que sou. Então eu sou isso tudo, atleta e competidora, assessora jurídica de uma empresa na minha cidade, eu sou estudante.”

Me conta, como você conheceu o Jiu-Jitsu?

Conheci o Jiu-jitsu quando estava no final do meu terceiro ano do ensino médio. Eu treinava Muay Thai com meus irmãos e na academia havia um professor de jiu-jitsu. A turma dele não era muito grande e como eu estava bastante engajada com os treinos de Muay Thai, não me chamou muita atenção inicialmente. Um tempo depois surge uma nova turma de Jiu e minha parceira de treino do Muay Thai se interessou em experimentar. Eu fui um pouco resistente, mas com alguns dias peguei o kimono dela emprestado e fui fazer uma aula experimental. Depois disso não sei o que é minha vida sem o jiu-jitsu. Comecei a treinar dois horários no dia (risos).

Quais os benefícios que você pode nos contar do Jiu-Jitsu na tua vida?

A filosofia incorporada na prática do Jiu-jitsu contribuiu numa grande porcentagem de minha personalidade, hoje. Eu aprendi a ser paciente, ser confiante e tentar dar o meu melhor em todas as áreas da minha vida. Eu posso conversar com qualquer pessoa, posso andar em locais até mesmo inesperados e me sinto confortável comigo mesma, tenho total consciência do que sou capaz e o quanto eu consigo me controlar mesmo que as coisas em minha volta saiam do controle. Além disso, as pessoas que conheci no jiu-jitsu são a maior bagagem que eu poderia adquirir, socialmente falando. Eu fiz grandes amizades. Hoje sei que posso contar com muita gente legal. O carinho delas, a atenção, a admiração dentro e fora dos tatames é sempre recíproca e natural de um para o outro.

Você percebe uma presença mais feminina no Bjj?

Eu não sinto presença feminina no Jiu-jitsu. Claro que tem muita garota boa nos campeonatos e que a quantidade delas nos treinos tem aumentado, mas, eu acho que ainda não chegamos ao ideal. Por exemplo: no meu horário de treino só tem eu de mulher, sendo que vejo uma grande quantidade de mulheres na academia no mesmo horário, porém executando outras atividades. Às vezes fico me perguntando o porquê delas não se interessarem em treinar. Elas observam, admiram, mas não vão treinar… O tatame com certeza é sempre um lugar acolhedor, mesmo que ele lhe acolha pra te dar aquele amasso (risos).

E a vida de atleta competidora?

Nossa, essa pra mim é um pergunta bem interessante. A minha vida de competidora e atleta é típica da maioria dos atletas do meu país. Difícil, muito difícil. Beira o impossível. Mas nós estamos aqui pra quebrar barreiras, não é mesmo?

Bem, eu tenho uma vida muito corrida. Mesmo muito jovem. Tenho muitas responsabilidades e atividades exaustivas nos meus dias. Eu não moro com meus pais, então tenho que me virar com a maioria das tarefas de uma casa (alimentação, pagar contas, limpar, lavar), eu tenho um emprego e eu faço faculdade, então eu divido o meu tempo do Jiu-jitsu com essas atividades. É muito cansativo pra mim. Inúmeras vezes já pensei em desistir, mas eu penso da seguinte forma: se outras mulheres do Jiu-jitsu, mulheres competidoras que ganham títulos importantes no mundo da arte suave conseguiram fazendo o que eu faço (trabalhar e estudar), porque eu não conseguiria? Então, mesmo com todos os empecilhos, eu sigo treinando, sigo batendo de frente com todos os nãos que nós, atletas recebemos. Sou minha própria patrocinadora, pego grandes quantias do meus salário pra custear meus campeonatos e isso me faz pensar o quanto eu amo e abdico de coisas por esse esporte, mas o que eu adquiro todos os dia em troca disso, não tem valor calculável.

Mesmo assim, muitos sonhos?

Sim! Meu sonho maior no Jiu-jitsu é poder ajudar muitas pessoas através dele. Eu conheci projetos sociais promovidos por professores de jiu-jítsu e eu espero muito conseguir promover projetos também. Espero alcançar o maior número de pessoas com a filosofia desse esporte e a mudança que ele faz na vida do ser humano. Eu quero que as pessoas sintam o que eu sinto quando boto meu kimono, quero que elas tenham o mesmo ânimo de vida e de busca pelo autoconhecimento, pelo autocontrole e pela solidariedade de propagar o conhecimento que recebe.

Quais suas inspirações no jiu-jitsu?

Acho que minha grande inspiração no Jiu-jitsu são duas amigas que o tatame me deu. A primeira é a Silvinha, ela treinou comigo por um tempo e logo depois foi pra São Paulo pra ser competidora e profissional. Acho que ela é minha maior inspiração porque tem a mesma origem que eu e conseguiu grande reconhecimento no mundo do jiu-jitsu. Eu enxergo como se o sucesso dela fosse meu também, além dela ser um exemplo muito acessível de esforço, determinação e história no Bjj. A outra inspiração é uma amiga ainda mais próxima, ela ainda treina em minha cidade e o que me chama a atenção nela é que ela tem a mesma rotina que a minha e ainda assim é elogiada por todos em sua volta. O desempenho dela nos campeonatos é motivador. Eu fico pensando: quero ser igual a essa garota, quero que as pessoas falem sobre mim igual como falam dela: “Essa Leieny é muito sinistra.”

Conta um pouco sobre sua rotina de treinos.

Minha rotina de treino é muito corrida. Como eu trabalho o dia inteiro, eu treino no meu horário de almoço, então geralmente chego atrasada no treino. Tenho que fazer um aquecimento diferente e na maioria das vezes tenho que “pagar pelo atraso“, se é que me entende (risos).

No mais, os outros pontos no meu treino são positivos porque eu aproveito o máximo que posso. Não sou de ficar reclamando, nem de enrolar. Se for pra dar o sangue, é comigo mesmo. Ainda mais que só treino com homem. Aí já sabe né? A força é dobrada. Não posso dar mole pra esses marmanjos, eu penso comigo (risos) e como sou competidora o meu treino se torna mais rigoroso. Eu me imponho metas como só sair quase morta do tatame ou não ser finalizada por um colega em específico (geralmente um mais graduado), o treino sempre vai exigir o meu máximo e eu preciso corresponder.

Quer deixar um recado para as meninas que querem ser competidoras?

Sim! um recado não, uma lição: façam, meninas. Independentemente de qualquer resposta negativa, vão lá e se joguem. Não pensem muito, se querem competir, vão lá e batalhem. Façam rifa, vendam água no sinal ou brigadeiro na faculdade, mas não deixem de tentar.  O momento é agora. O amanhã é uma ilusão, o hoje é quem constrói o futuro. Sigam essa voz ardente no coração de vocês, essa voz que quer dar sentido às suas vidas porque sabe que vocês são capazes de fazer coisas grandiosas e de deixarem suas marcas. Se vocês seguirem tentando, podem ter certeza que serão a inspiração de muitos. Vocês alcançarão as pessoas de uma maneira tão misteriosa quanto no momento em que o medo vai embora quando o árbitro dá início ao seu combate!

Títulos: Campeã do Mundial FIJJD

Campeã do Brasileiro CJJB

Bicampeã baiana pela FJJEBA

Vice campeã baiana pela FJJEBA

Campeã baiana pela FBJJE

Terceira colocada no Salvador Open IBJJF

Instagram: @yannamattos

 


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