Jiu-Jitsu “não funciona”?


Não é raro vermos pessoas questionando a eficiência da arte suave do jiu-jitsu. Mesmo praticantes desta arte marcial por vezes pensam que a eficiência das finalizações (e imobilizações) do jiu-jitsu são questionáveis. Para que o jiu-jitsu seja de fato eficiente é necessário muitos anos de prática e treinamento e somente desta forma o jiu-jitsu pode de fato ser eficaz. Técnicas de jiu-jitsu como o berimbolo, por exemplo, avançaram o jiu-jitsu do estilo tradicional para o moderno, mas o domínio destas técnicas requerem muitos anos de prática e dedicação.

Tais afirmações são comentários os quais não são raros de serem escutados. E por qual razão o jiu-jitsu, uma arte marcial tão referenciada, é questionada destas diferentes maneiras? Vamos tentar analisar algumas questões.

Primeiramente é necessário entender que o jiu-jitsu, assim como qualquer arte marcial, requer destreza e precisão na execução de seus movimentos. O treino e aprimoramento de fundamentos do jiu-jitsu deve ser feito desde a faixa branca até o último grau da faixa vermelha. Roger Gracie é talvez o maior exemplo de um jiu-jitsu simples, eficaz e de qualidade. Como ele mesmo afirma em inúmeros vídeos, o jiu-jitsu deve ser simples. É pessoalmente para mim um motivo de grande motivação ver em minha academia faixas pretas treinando quedas, posições e outros fundamentos com faixas brancas e dizerem que eles sabem que é isto que dá a base para todo o jiu-jitsu deles. Domínio dos fundamentos é, portanto, o primeiro e fundamental requisito para que o jiu-jitsu funcione.

Um outro motivo que venho observando é que muitos praticantes acreditam estarem dominando uma determinada técnica quando de fato não estão. Esta talvez seja uma das piores situações, ou seja, pensar que sabe quando não sabe de fato. O treino equivocado de uma técnica leva o praticante a desenvolver uma memória muscular errada e, como consequência, uma técnica falha que será executada sem efeito máximo. Naturalmente, no momento da necessidade de execução, seja em um campeonato ou em uma determinada situação real da vida, o movimento falho fará com que a eficácia do jiu-jitsu caia drasticamente.

Um outro fator que, infelizmente, preciso abordar é o ensino errado do jiu-jitsu. Não tem sido raro faixas pretas que foram formados de forma deficiente se tornarem professores de jiu-jitsu. A consequência imediata desta situação temerosa é a propagação errada do conhecimento e técnicas da arte suave. Meu Mestre (Prof. Rodrigo Bicudinho da Black Team – preta de quatro graus) costuma falar que professores mal formados ensinam os alunos dizendo “esta posição eu faço assim”. É a forma mais apropriada para se perder os detalhes das técnicas e, para quem treina, é sabido que muitas vezes a eficiência de uma técnica está em um simples detalhe. Por vezes o funcionar ou o falhar é o detalhe que faltou ou que fez a diferença. Aprender com professores(as) qualificados(as) é portanto um fator que faz muita diferença para o domínio e aplicação correta das técnicas do jiu-jitsu.

A combinação da situação de arrogância e prepotência de um praticante com um professor mal formado talvez seja a pior de todas. Um irá fingir que ensina e outro irá fingir que aprende. Este tópico não merece, na verdade, nem ser comentado, mas sabemos que estas situações acontecem. Humildade é fundamental para se aprender seja o jiu-jitsu seja qualquer coisa na vida. E neste ponto ficaremos por aqui.

Alunos graduados que ainda não são faixas pretas não deveriam ensinar jiu-jitsu com regularidade. Parece surreal pensar que estudantes de jiu-jitsu já desde a faixa roxa (ou menos) já são responsáveis por turmas inteiras em aulas de jiu-jitsu. Esclareço que em uma eventualidade (uma exceção), em uma situação de excepcionalidade, é aceitável um aluno colaborar com o(a) professor(a). Entretanto, me parece absurdo um “profissional” ainda não formado ensinar o que ainda não domina. O jiu-jitsu é uma arte que se aprende diariamente e por toda a vida. Sempre está em evolução e sempre temos o que aprender. Se um faixa preta ainda tem muito que aprender na arte suave, quanto mais um menos graduado. Evite desta forma ter aulas regulares de jiu-jitsu com uma pessoa que ainda não é faixa preta.  

O último fator que quero abordar é o mais subjetivo. Para mim a diferença entre funcionar ou não está diretamente relacionado com a dedicação do(a) praticante. Quanto mais o(a) praticante se dedicar à arte suave maior será o aproveitamento. É como tudo na vida que se deseja fazer com qualidade. Dedicação e empenho são fatores fundamentais. Se alguém pensa que aprender jiu-jitsu é fácil é porque esta pessoa não deve saber o que está dizendo. Jiu-jitsu é sim para todos(as) mas nem todos(as) pagam o preço do aprendizado.

Iniciei esta coluna com o título “jiu-jitsu não funciona”. E de fato não funciona para aqueles(as) que não treinam e não observam as questões aqui elaboradas. Mas, para quem as observa e se dedica, o jiu-jitsu não apenas funciona como também ajuda em inúmeras áreas da vida. Portanto, se você estimado(a) leitor(a) se identificou com alguma destas questões, saiba que está em tempo de corrigi-las e buscar um jiu-jitsu eficaz. Esse é o nosso desejo da BJJ Girls Mag, ou seja, que as pessoas aprendam bem e com qualidade!

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