Os dias atuais não têm sido fáceis, quase parei de escrever, mas foi apenas um pensamento que me ocorreu em um momento de muita dor. Lágrimas e dores depois, aqui estou eu =).
É comum muitos praticantes da arte suave se sentirem fortalecidos pra enfrentar os combates dentro e fora dos tatames, a vida é efêmera e simples, porém em alguns momentos ela se torna complicada. E para saber lidar com essas características é necessário muita calma, e a filosofia do jiu-jitsu pode nos ajudar a nos reerguermos para transpor os inúmeros desafios nesse campeonato que se chama “vida”.
No dia 9 de setembro, minha equipe e eu nos lesionamos. Sofremos um duro golpe e sofremos machucados que não se mostraram fisicamente, mas emocionalmente. Perdemos de forma insperada o nosso mestre Sensei Lima, um baque, uma dor sem tamanho. Nossa alma se enlutou, muitas lágrimas e o sentimento de perplexidade e descrença, repetíamos incrédulos: “cara, isso é sério? O Sensei Lima não está mais aqui?”.
Não, ele não está. Quem dera ele estivesse viajando pra disputar campeonatos como sempre fazia, mas dessa vez era uma viagem permanente, e dela não haveria retorno. Ele, no entanto, sempre haverá de estar vivo em cada um dos seus filhos, sobrinhos e discípulos praticantes do jiu-jitsu. Pessoas que ele ensinou desde o básico do esporte, até regras éticas de convivência, lições que lembraremos sempre com o coração apertado pela saudade.
Essa foi, com certeza, a maior superação da nossa família, pois, sim, somos família e não mais equipe. O luto nos uniu de maneira inexplicável, tiramos forças das fraquezas, o choro no tatame era comum nos primeiros treinos sem sua presença física.
Diante de tudo isso estamos consternados, mas não desanimados. E continuamos o legado do nosso sempre Sensei e grande Mestre Laizanig Soares Lima, professor de artes marciais, pai de 5 filhos biológicos e com tantos outros filhos do coração forjados no dojo, ele sempre foi um guerreiro que nos ensinou que nas dificuldades existem possibilidades de crescimento, e é nesse cenário de possibilidades que continuamos treinando, dando continuidade ao seu legado através dos projetos desenvolvidos, são eles: jiu-jitsu inclusivo para surdos, com alunos da escola municipal de educação bilíngue para surdos Professor Telasco Pereira Filho (PA), e Jiu-jitsu free.
Além disso estamos realizando a maior de todas as missões: não desistir! Ainda que a dor seja imensa e o tatame sempre nos lembre sua ilustre presença e seus ensinamentos, não desistiremos. Através do Sensei Mateus Vale (mais graduado na equipe e que a assumiu) estamos vivendo um tempo de discipulado, em que os maiores cuidam dos menores.
Nesse cenário, a saudade é imensa, porém não nos paralisa nem esmorece, pois em todas as coisas existem propósitos, e é nele, aliado ao clima de fraternidade, que vamos nos movendo, avançando e vencendo, como ele gostaria que fizéssemos. Sei que, onde quer que ele esteja, está orgulhoso da forma como estamos encarando mais esse desafio e isso nos move, isso é o que nos faz continuar.
Oss.



