Faleceu no dia 3 de junho em Phoenix, no Arizona, Cassius Clay, nome de nascença (1942) de Muhammad Ali (1964), um dos maiores pugilistas e mais importante cidadão Norte Americano do século XX. Ali alterou seu nome como atitude política diante do racismo e desigualdade que vivia nos EUA: “Cassius Clay é um nome de escravo. Eu não o escolhi e não o quero. Eu sou Muhammad Ali, um nome livre.”

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Seu falecimento se deu por conta de problemas respiratórios que depois pioraram. Ele lutava a 32 anos contra o mal de Parkinson, doença que ficou perceptível em 1981 quando se aposentou. O grande atleta Ali foi três vezes campeão mundial e considerado o maior lutador de boxe da história. Em 1967 teve um título cassado por causa de sua recusa participar da guerra do Vietnã: “Eu não tenho problema algum com os vietnamitas… Eles nunca me chamaram de crioulo”. Além de não querer realmente ir à guerra, sua religião não permitia. Cassius se converteu ao Islamismo e seria uma contradição, pois o islã prega a paz.

Foi durante este período que ele desenvolveu muitas atividades políticas contra o racismo se aproximando do grande líder Malcon-X. Viajaram por toda a América pregando o fim da segregação racial. Aos 18 anos, ele conquistou uma medalha de ouro olímpica, que acabou indo parar no fundo do rio Mississipi, pela revolta dele contra o tratamento com afrodescendentes nos EUA. Em 1996 o COI ofereceu uma nova medalha e muitas homenagens.

Ali protagonizou um dos eventos antológicos do mundo das lutas, com George Foreman no Zaire em 1974, onde conseguiu recuperar seu cinturão. Que lhes rendeu um documentário “Quando éramos reis”, que demorou vinte anos para ser concluído. O documentário ganhou um Oscar de melhor filme documental.

O que fica de mais marcante deste mito é, a materialização do que seria um atleta perfeito. Que treinava intensamente, competia, vencia não só no boxe mas lutou muito contra o Parkinson e o mais importante, participava das causas sociais do seu tempo, ombreando com os oprimidos. Esta materialização que eu descrevo é da relação intrínseca que o esporte e a sociedade tem. Um fenômeno é a expressão do outro, no seu tempo histórico.

Inspirador e instigante. Obrigado grande Ali. Até breve.

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