Cabelos dourados, pontas cacheadas, olhos azuis como o céu, sorriso lindo e corada por conta do Sol! Perfeita, não? Depende aos olhos de quem vê! Essa, caras leitoras, era eu, aos 4 anos! Todos me viam e diziam que eu ia dar trabalho, que seria uma princesa, uma atriz ou uma bailarina maravilhosa. Era o que eu queria? NÃO! Eu queria ser lutadora, policial, guerreira, qualquer coisa que eu pudesse ser superior usando a força! Cresci achando que eu não era deste planeta e passei a infância achando que ser menino era muito melhor que ser menina.
E por incrível que pareça, ainda vejo muitas crianças tendo que fazer o esporte que seus pais escolhem. Hoje em dia, se escolhe menos o esporte pelo sexo da criança, ainda que exista uma tendência natural de que as meninas escolham balé, e os meninos, o futebol. As escolhas não tem nada a ver com a sexualidade da criança, e sim com novas experiências e descobertas, que são importantes para o desenvolvimento delas.
Mas fiquem atentos, existe um esporte para cada idade, para cada tipo de personalidade, e para cada necessidade ou capacidade que tenham as crianças. Para uma criança tímida, por exemplo, a prática de um esporte em equipe pode ajudá-la a ser mais sociável. Para uma criança mais preguiçosa, seria melhor um esporte individual porque a obrigaria a esforçar-se mais.
Como funciona no jiu-jitsu infantil?
Os praticantes aprendem defesa e controle do seu oponente sem troca de socos. O que se faz é simplesmente anular o potencial do outro. Ter a oportunidade de prejudicar alguém, mas optando por não fazer isso e conscientemente, torná-los parte disso. O que é ainda melhor é que as crianças aprendem todos esses atributos, incluindo o equilíbrio, reflexos e a flexibilidade. É como jogar xadrez com o corpo, faz com que pensem e tenham habilidades para fugirem do perigo. E lembrando que no jiu-jitsu para crianças, a gente tenta sempre fazer algo mais lúdico, para que elas aprendam brincando.
O jiu jitsu não define a sexualidade de nenhuma criança e se for do gosto de alguma menina, deixem-na treinar, faz muito bem para o controle motor e concentração. Além disso, elas devem apenas ser orientadas pelos pais e ter livre escolha. Essa diferença na criação de meninos e meninas só cria uma expectativa no papel que devem assumir e isso acaba impedindo que se desenvolvam normalmente. Lembram da loirinha bonitinha acima? Pois é! Esqueçam essa história que meninos não choram e que meninas são mais frágeis e deixe que seus filhotes cresçam livres, sem preconceitos. O importante é que os pequenos aprendam a conviver junto com crianças do sexo oposto, entendam e respeitem as pequenas diferenças.



