Atleta da Semana – Entrevista exclusiva com Ruth da Cunha


Já ouvi muita gente se lamentando porque começou tarde no jiu jitsu, o que não é o caso dessa pequena fera chamada Ruth Helen Costa da Cunha, atleta faixa amarela/preta da Academia Garra Office (Belém/PA), e menina dos olhos do Mestre Ubiratan Ferreira. A “Rutinha” começou na Arte Suave com apenas 7 anos por uma questão de saúde e, apesar da pouca idade, já é considerada uma referência para muitos meninos e meninas da sua geração.

GM: Qual a sua idade atual e quando você começou no jiu jitsu?

Ruth: Estou com 11 anos e comecei a treinar aos 7, em março de 2013, na academia do mestre Bruno (Aguiar Top Team).

GM: O que fez você começar a treinar?

Ruth: Segundo os meus pais, eu fui diagnosticada pela minha pediatra com um nível baixo de hiperatividade, o suficiente para eu ter dificuldades para dormir. Meu tio começou a treinar jiu jitsu e minhas primas sempre estavam junto com ele. Como eu ficava em casa sem fazer nada, ele pediu para o meu pai para eu ir com ele no treino. Bom, foi paixão à primeira vista pelo esporte. Como eu sempre fui muito competitiva, me identifiquei logo com o jiu jitsu.

GM: Você treina outra modalidade de luta além do jiu jitsu?

Ruth: No momento não, mas pretendo começar a treinar MMA a partir dos 13 anos, e no próximo semestre de 2016, se tudo der certo, devo estar em uma equipe de Judô para aprimorar minha base de quedas no jiu jitsu.

GM: Conta pra gente como é a sua rotina de treino pré-competições.

Ruth: Antes dos campeonatos, dependendo da expressividade do campeonato, eu começo uma rotina de treino intensiva de até seis horas por dia, de segunda a sexta. Por exemplo, ano passado, quando fui campeã brasileira em São Paulo, um mês antes da competição o meu treinamento incluía visitar outras academias para testar meu rola com outros atletas, fora o treino puxado na Garra e os cuidados com alimentação e hidratação. É uma rotina muito difícil, pois eu também tenho minhas obrigações diárias como estudos e tarefas de casa, mas é um esforço que vale à pena, pois tem me dado grandes resultados.

GM: Qual o seu maior objetivo como competidora?

Ruth: É complicado falar por conta da minha pouca idade, mas talvez representar minha equipe, minha cidade, meu estado e meu país. Apesar da minha trajetória o mundo das grandes competições ainda é algo novo para mim, mas de uma coisa eu sei: o céu é o limite, e eu vou alcançá-lo.

GM: Quais os seus principais títulos no jiu jitsu?

Ruth: Sou tricampeã paraense, campeã no Pan-Americano de 2014; Campeã no Sul-americano de 2015; campeã brasileira da CBJJ em São Paulo em 2015, e terceiro lugar no Mundial da CBJJE de 2015. Esses são os títulos de maior expressividade que tenho em meu currículo no momento.

GM: Desses títulos todos, qual você considera o mais importante e por quê?

Ruth: O Brasileiro de 2015 em São Paulo foi o mais importante, mas não apenas porque fui campeã, mas foi um tempo especial na minha vida, pois foi a primeira vez que entrei em um avião, visitei outro estado. E, além de toda a minha família estar comigo, minha equipe inteira estava lá também, isso foi muito bom para eu manter meu treinamento e minha concentração para a competição. Também conheci o mestre Eduardo Ribeiro, uma grande pessoa que tenho profundo carinho e admiração.

GM: Você tem algum atleta que lhe serve de inspiração?

Ruth: Sim, impossível neste esporte ou em qualquer outro você não ter referências, adoro o jeito que a Honda aplica os armloks e como a Cris Ciborg tem uma trocação técnica e certeira. Um dia eu quero lutar como elas.

GM: Você mencionou atletas do MMA, você deseja entrar pro MMA futuramente?

Ruth: Sim, sou competitiva e, até onde eu entendo, hoje o MMA é o esporte de maior expressividade para um atleta de lutas marciais, ou seja, é o céu que eu quero chegar como atleta um dia.

GM: Todos nós sabemos que os atletas passam por dificuldades, quais as suas?

Ruth: No meu caso, como papai e mamãe ainda tomam conta de todas as minhas coisas, posso dizer que maior dificuldade é o meu tempo, porque eu sigo uma rotina de muita disciplina para poder dar conta das minhas obrigações diárias. Eu estudo pela manhã e também estudo música clássica com formação em violino no Conservatório Carlos Gomes pelo período da tarde, treino à noite de segunda a sexta, no mínimo. Apesar do aperto, eu arrumo tempo para ser uma criança normal e, fora das rotinas obrigatórias, ainda tiro um tempo para brincar e sair com a minha família.

GM: Se você fosse agradecer a todas as pessoas que lhe motivam todos os dias a não desistir, quais seriam?

Ruth: Meus pais. Meu pai (Moisés) em particular é o maior exemplo de persistência que conheço, ele é um típico casca grossa, apesar de ter uma faixa branca na cintura, ele me ensinou a não temer tamanho e nem graduação, ele é aquele tipo de cara que encara do faixa branca ao faixa preta, não importando a categoria de peso, ele tem uma autoestima invejável, com certeza e, por isso, é o meu maior incentivador.

Por: Erika Vilhena

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