Como eu posso prevenir lesões? Confira as dicas da fisioterapeuta Mônica Istamati

Fala pessoal, tudo bem? Hoje a palavra é da Mônica Istamati, fisioterapeuta e atleta faixa preta da Kihon/B9 de São Bernardo do Campo/ SP. Hoje ela nos conta sobre algumas formas simples de prevenir lesões. Confira:

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Todos que escolhem praticar uma atividade física ou esporte sabem que estão expostos lesões durante os treinos ou competições. Em esportes de muito contato, como nosso jiu jitsu, essa exposição aumenta ainda mais, e essas lesões, dependendo da gravidade, podem nos afastar dos tatames por longos períodos, e é claro que não queremos isso!

Estudos científicos apontam que ombros e cotovelos são as articulações mais acometidas por lesões nos praticantes de jiu jitsu, mas também podem haver injúrias nas demais articulações do corpo, tendo em vista as técnicas e chaves que aplicamos diariamente.

Durante treinos e competições, muitas de nós mostramos muita garra e determinação em aplicar e nos defender dos golpes e das chaves que aprendemos, o que pode nos levar a segurar demais uma chave, resistir até a força se esgotar na defesa de um golpe, e os três tapinhas, que simbolizam nossa rendição, demoram a vir.

O que não pensamos nesse momento é a consequência que isso pode trazer às nossas articulações. Além de fraturas, podemos ter contusões do que chamamos de tecidos moles (músculos, ligamentos, tendões). A melhor forma de prevenção nesses casos é deixar o ego de lado, e conhecer os limites do seu corpo para reconhecer quando o golpe é bem aplicado e que não há como sair.

Temos diversos exemplos entre os grandes nomes do nosso esporte do prejuízo que essas lesões podem acarretar. Numa final de campeonato, Michele Nicolini aplicou uma chave em sua adversária que não bateu, ela teve o braço quebrado e ainda perdeu a luta. No último campeonato Europeu, Felipe “Preguiça” não conseguiu disputar sua categoria de peso em razão de um armlock aplicado por seu adversário em uma luta do absoluto.

Aposto que vocês também se lembram, no MMA, da luta em que Minotauro “segura” uma chave americana até ter seu braço quebrado e precisar de uma cirurgia. Esses são casos de profissionais, que vivem do jiu jitsu. Imagina o impacto que uma lesão dessas teria em mim, ou em você, que tem outra profissão e precisa trabalhar após treinos e competições? Então, lembrem-se: os três tapinhas são uma ótima forma de prevenir lesões graves. Além dessas lesões articulares pelos traumas das chaves, podemos ter lesões por sobrecarga, movimentos repetitivos, falta de preparo físico, excesso de treinos, entre outras causas.

Quando treinamos artes marciais nos acostumamos à dor. Treinamos com dor! Ela vira parte do nosso cotidiano! Porém devemos prestar muita atenção e aprender a diferenciar o que é dor pós-treino e o que é dor de uma lesão que está surgindo ou já está instalada.

A dor é um sinal enviado por nosso corpo para dizer que algo não vai bem, que algo está fora de sua zona de equilíbrio. Quando sentimos aquela dor muscular um dia ou dois após um treino mais forte, quer dizer que nossos músculos foram exigidos além de sua capacidade. Na maioria das vezes, esses músculos sofrem adaptações e passam a suportar exigências maiores.

Porém, quando as dores são muito fortes e demoram muito tempo para passar, podem sinalizar fadiga muscular, que, sem devida recuperação, evoluem para lesões musculares e tendinites. Nesses casos, a prevenção pode ser feita com a devida preparação física que vise as exigências que o jiu jitsu faz ao corpo; como o hábito de alongar a musculatura, pois a flexibilidade do músculo também tem influência sobre sua força; alimentação, já que músculo mal nutrido não tem como funcionar bem; e descanso, sim, descanso!

É quando toda a mágica acontece! Nuno Cobra, que foi preparador físico de Ayrton Senna, diz em seu livro, usando uma metáfora, que durante o sono nosso corpo é entregue a pequenos mecânicos que nos recuperam de todo o esforço e desgaste do dia. Se não damos tempo para estes “mecânicos” do nosso organismo trabalhar, nosso rendimento cai e poderemos desenvolver uma síndrome de overtraining.

Uma outra forma de ajudar na prevenção de lesões é a musculação – porém deve-se ter cuidado ao iniciar este tipo de atividade física. Os treinos de jiu jitsu exigem muito de ombros, cotovelos e joelhos, que são regiões que podem ficar enfraquecidas, caso não haja um acompanhamento de uma atividade como a musculação. Peça ao instrutor de sua academia para lhe indicar um treino específico para fortalecimento no esporte, que com certeza vai ser um treino especial para ajudar a melhorar seu desempenho  no tatame, e diferente de alguém que quer ficar “grande”, por exemplo.

Então meninas, lembrem-se: prevenir lesões é muito mais uma questão de conhecimento do próprio corpo e do aprendizado sobre nossas capacidades e limitações. Prestem atenção no corpo de vocês, busquem profissionais habilitados e devidamente capacitados para serem seus professores, para cuidarem da preparação física, e esqueçam essa ideia de que não podemos bater antes de chegarmos no nosso extremo. Devemos conhecer nossos limites e superá-los, sim, mas de forma responsável!

Claro que também estamos expostas a acidentes. Uma chave que não deu tempo de bater, uma posição desajeitada, trombadas com os colegas de treino. Eu mesma já fraturei a mão e o dedinho do pé treinando, dois acidentes bobos que me deixaram uns bons dias longe dos tatames.

Então, cuidem-se meninas! Tenham treinos duros fortes e seguros, e, se alguma lesão ocorrer, não deixem de buscar tratamento médico e/ou fisioterapêutico para que possam voltar aos treinos e competições mais rapidamente e da melhor forma possível!

Mônica Istamati

Fisioterapeuta

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