A abordagem de hoje é pela visão dos praticantes de Jiu-Jitsu sobre o que esperam de seus professores/mestres. Pudemos constatar que em algumas equipes os alunos possuem acesso livre à comunicação com seus faixas pretas, e podem falar abertamente sobre seus anseios, medos, dificuldades e desejos em relação aos treinos, equipe, colegas e professor, e isso reflete diretamente no desempenho dos atletas.
Na maioria das vezes, é disso que o aluno precisa: sentir segurança em poder arriscar e errar, com o apoio e incentivo de seu professor, afinal, é repetindo (e errando muito) que se aprende. Mas existem equipes – e professores – mais inflexíveis, onde não existe o mesmo diálogo, o mesmo espaço, e as expectativas de muitos alunos acabam sendo frustradas, sem que se possa ao menos expor seus pontos de vista.
Quando se começa a praticar a arte suave, em um universo totalmente novo, sem qualquer experiência, todos os primeiros conhecimentos são os mais marcantes. As primeiras instruções e atenção dadas a um iniciante são capazes de definir quem será aquele atleta mais adiante, e é de extrema importância dedicar essa atenção à ele, que chega tomado por tanta insegurança. Mas nem sempre é assim.
Muitos são os relatos Brasil a fora de fatos que desestimulam os praticantes a continuar. Professores que se dedicam apenas aos alunos competidores, que não “comandam” os treinos dos iniciantes, nem que seja esporadicamente, ou mesmo supervisionando esses treinos, não reparam e acompanham de perto a evolução de seus alunos, não corrigem os erros, não elogiam os acertos.
Quantos alunos já desistiram ainda na faixa branca, por falta de incentivo dentro do tatame? Vocês sabiam que a faixa azul é a que apresenta maior índice de desistentes? Os motivos são os mais diversos, e entre eles, a falta de apoio do próprio mestre. Agora comparando, se puderem observar, os melhores atletas, competidores ou não, sempre têm um agradecimento especial a fazer a seus professores. Sempre são gratos pelos ensinamentos, pelas correções, pelas punições, e de forma geral, são gratos sempre pela atenção que receberam, que foi de essencial importância na sua evolução.
Mas, em resumo, o que esses alunos esperam desses professores? Não, não é a perfeição! Ninguém espera que o mestre seja perfeito. O que mais se quer é ATENÇÃO! O aluno quer ser visto, quer ser notado, que ser tratado sem indiferença em relação aos demais. O competidor deseja que o mestre o lapide, ensine os maiores detalhes de cada posição, cobre cada vez mais o seu esforço e dedicação, corrija seus erros ensinando a melhor forma, que brigue sempre que for necessário, que elogie sempre que houver superação, que o auxilie com as maiores dificuldades e medos, que o deixe também livre para descobrir e fazer seu jogo.
O praticante não competidor, aquele que pratica o esporte por saber dos inúmeros benefícios à sua vida, também quer ser visto. Talvez ele não queira ser comparado ao atleta competidor, mas talvez ele anseie pela mesma atenção, pois se dedica com o mesmo afinco que outrém, porém, acaba percebendo indiferença no tratamento por optar não competir. É preciso olhar para cada aluno individualmente, cada um sob a sua ótica específica, afinal, são idades diferentes, objetivos diferentes, gêneros diferentes, e nem sempre se pode compará-los. Mas uma coisa sempre será única: todos querem um pouco de atenção.
Esse é um assunto pouco dialogado entre os colegas de treino e professores, mas é um ponto crucial quando falamos em se sentir bem na equipe onde treina. Muita gente acaba trocando de equipe, não por “creontismo”, mas por sentir-se menosprezado, e buscar por sua evolução. Mas também tem muita gente que não quer mudar de equipe por medo de ser criticado, mesmo sem se sentir acolhido na sua equipe atual. E outros muitos não tem sequer opção de mudança de equipe, por morarem em cidades pequenas, onde só existe uma equipe mesmo. É nesse ponto que muitos desistem, e, por falta de um simples “senta aqui, vamos conversar sobre seu treino”, é que o jiu jitsu perde (quando eles desistem) e que a equipe perde (quando eles trocam de equipe) grandes talentos não lapidados, não explorados, não descobertos sequer. Vamos olhar mais para nossos atletas? Senta aqui, vamos conversar sobre seu treino!
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