Relatos de uma faixa branca


faixa branca

Começar algo é sempre difícil. Este texto, inclusive. Começar a praticar jiu-jitsu não é diferente. Eu nunca me interessei muito por artes marciais, malhei durante algum tempo (de leve, sem muito engajamento, indo uma semana e faltando duas, etc.) e estava sem praticar nada quando o jiu-jitsu me mordeu. Esta foi uma das primeiras coisas que eu aprendi: o BJJ te morde.

Me matriculei na academia e comecei com a cara e a coragem. Todos os dias são muitos ensinamentos e não são só de posições. Você aprende a manter a calma, a ter mais atenção, respeito e humildade também são aprendizados muito caros. Não tenho muito tempo nesse mundo, mas achei que eu poderia falar um pouco da minha experiência e ajudar quem esteja começando.

Meu primeiro estranhamento foi com a disciplina no tatame. O respeito ao mestre e o cumprimento obrigatório dos mais graduados demonstra uma organização hierárquica bastante diferente de outros esportes. Como disse, nunca tinha feito nenhuma arte marcial, então um pouco foi difícil aprender algumas coisas.

A relação entre os praticantes também é um ponto alto do esporte. Não tem separação de idade, tem desde adolescentes, até pessoas de mais idade e eles rolam entre si sem nenhum constrangimento. Isso é lindo! Muito bom ver que o que interessa é mesmo o conhecimento do BJJ e não a idade.

O segundo passo mais importante foi deixar de pensar em qualquer outra coisa que não fosse o tatame assim que pisasse nele. Enquanto o mestre fala, toda a sua atenção deve estar voltada para ele, com olhos e ouvidos. Cada posição nova é sempre mais difícil para os iniciantes. O foco deve estar em fazer tudo do jeito que ele explicou, com todos os detalhes (o sucesso mora nos pequenos detalhes, já dizia o sábio), para depois se preocupar em fazer rápido. Repita, repita, repita sempre. Eu me pego sempre repetindo mentalmente as posições, sozinha. Parece loucura (e é um pouco).

Ainda sobre o início, é importante não levar dúvidas para casa. Se alguma coisa não ficou clara, observe o mestre fazer, observe os companheiros e tente entender tudo. Eu sempre ouvi dizer que jiu jitsu era o “xadrez do corpo” e isso faz muito sentido, realmente. É cabeça e corpo funcionando juntos o tempo todo. E enquanto os mais graduados estiverem rolando, olhos atentos! A gente aprende muito vendo os mais experientes em cena e, claro, rolando também. Não ter medo de rolar é essencial!

E, acredito que a dica mais importante: ser humilde, dizer que não sabe muito, que está começando. Nem se vangloriar por finalizar alguém. Eu aprendi (e aprendo muito) ouvindo meus colegas e repetindo o que vejo as pessoas fazerem, vejo muitos vídeos também em que aprendo posições que tento colocar em prática depois. Não ter pressa, caminhe devagar e ouça tudo com atenção. O jiu jitsu é para todos!

E você, como foi o seu início? Conta aqui pra gente!

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Comments 3

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  1. Adorei o relato, o meu começo foi +- igual… Porém já tinha passado por algumas artes marciais, mas sou uma pessoa que desiste muito rápido. No BJJ eu fui aos poucos, primeiro ia apenas observar, depois comecei a treinar, mas levou uns 6 meses pra vestir meu primeiro kimono e nunca mais tirei… Já teve tempos em que eu era a única garota, mas ganhei meu espaço e respeito dentro do tatame. Agora sou faixa azul e procuro sempre incentivar quem está começando, principalmente as meninas, pois acredito que o BJJ é para todos <3

  2. Eu era atleta quando mais nova, jogava HandeBol, era até boa nisso, daí veio as lesões e com 17 anos devido a problemas no joelho me afastei de vez, engordei, e como engordei, dois anos depois encontrei o amor da minha vida (ainda não era o Jiu…rss meu marido mesmo), ele tinha sido praticante de jiu mais fazia uns 8 anos que tinha se afastado, la na faixa azul, ele contava coisas e eu eu me entediava com esse lance de lutas, pra mim eram todos ogros sem nada na cabeça, pessoas que deveriam estudar e investir em uma carreira, ignorantes… a mãe dele fica muito doente (logo depois morre) e ele depressivo, volta a treinar na mesma academia com tantos outros amigos da sua época de Jiu (hoje todos na preta), ele volta, sai da depressão e emagresse em 1 ano 25 kg, eu começo a ter outros olhos, eu sou quimica, vivia pra trabalho e estudo, ele insiste pra eu assistir, ele ganha a roxa 1 ano depois do retorno aos tatames, resolvo ir ver, ainda com preconceito, e nojentinha om o lance todo de homens suados, enfim… vejo videos da Kyra, e começo a gostar, não tinha mulheres frequentadoras mesmo na academia, vezes aparecia uma azul, outras uma marrom, muito simpaticas e sempre me convidando… meses depois resolvo ceder, com uma condição, eu ja tinha 27 anos, muito tempo sedentária, topava treinar mais tinha que aprender a rolar antes, morria de vergonha, meu noivo tinha a chave da academia, e começa a me ensinar o basico nos finais de semana, só eu e ele, depois que melhoro (1 mês) ele convida a Joana faixa marrom, e começo a me dar bem, resolvo arriscar a treinar com toda a galera, e me apaixono de vez, muda minha vida, percebo que ignorante era eu e meu preconceito, não faltava um treino, com 3 meses resolvo meter a cara e disputar meu primeiro campeonato, era interno, mais eu era a unica faixa branca, e tinha que lutar um absolutão de faixa mesmo, eu mais 3 azuis, 1 roxa e a Joana Marrom, venço a azul, a roxa e vou pra final com a marrom, perdi por pontos, ginásio parou e foi a loucura, quem era aquela faixa branca ali?… segundo lugar, segundo lugar mais feliz de todos, ganho confiança e moral de toda a academia, graduados começam a me ensinar, homens que antes torciam o nariz pedem pra fazer rola comigo, opero dois meses depois a safena e me afasto, 45 dias de sofrimento, volto, e decidida a competir, pela CBJJE fui campeã Paulista, brasileira, sulamericana e terceiro no mundial, ganho campeonatos na minha região, um ano e quatro meses na branca, respeitada no meio, meu noivo e mestre todo orgulhoso, ganho a azul, hoje são 10 meses de azul, 29 anos, alguns quilos a menos, mantendo alguns titulos, ótimas experiências, e feliz por ser Jiu Jiteira.

    1. O incrível mundo Jiu-jitsu e meus 4 meses de tatame!

      Pisei no tatame, 6/4/2017, e o que mais temia antes de pisar no Dojô, era ser desrespeitada pelos meus parceiros de treino, não haveria dor maior.
      Tive a alma puxada pelo som das quedas, cheguei de mansinho, lembro do constrangimento, tratei de conhecer o mestre…Um ser apaixonante a 1° vista,o aperto de mão firme e respeitoso, me fez sentir confortável. Passei 3 semanas acompanhando os treinos da minha futura equipe, a maioria dos meus futuros companheiros nem me perceberam, 2 “gatos pingados” me viram e foram corteses. um faixa azul percebeu que observava a pegada de estrangulamento, decidiu dividir o ensinar a mim, a bisbilhoteira a beira do tatame, e ao faixa branca q estava com ele. Foi o ponto decisivo para entrar na equipe.

      Sai desse treino pensando em tudo que observei ao longo das 3 semanas, o comportamento daquele faixa azul, não destoava dos demais, minha insegurança de ser desrespeitada foi embora.
      Por ser mulher, não importa o meio masculino no qual cresci. Não importa eu me sentir mais confortável com homens do que com mulheres. Pois cada homem que olho e não conheço, sinto medo, insegurança. É muito bom estar com minha equipe, com “meus meninos”, tem sido 4 meses de grande aprendizado.

      Entrei com várias lesões leves, mas autorizada pelo ortopedista e com acompanhamento, aos poucos as dores foram sumindo,tenho muita dificuldade com os movimentos, com as técnicas, com o pensar, respirar…Muitas vezes fico triste, decepcionada comigo, com minhas limitações e incapacidade de desenvolver a técnica de forma adequada, do quanto de tempo necessito e mesmo coisas simples, meu corpo não responde.

      Me sinto a pior pessoa do mundo quando meus parceiros de treino são “castigados” no aquecimento em virtude de minhas limitações. Mas olhar cada um deles e não senti-los esboçando sentimentos negativo para comigo, me dá força. Cada um que aos poucos foram se acostumando com minha presença, a única mulher no tatame (a outra é uma garotinha de 16 anos), foram se aproximando, me chamando para ensinar técnica, quando um graduado me chama para rolar, quando um deles sorri e diz: Dan tá dando trabalho! Meu coração explode de alegria, por que eu sei o quanto é difícil superar todas as barreiras, embora seja pouca coisa pra quem esta de fora, pra mim, pra eles que estão próximos, é tão grandioso.
      Lembro a primeira vez que consegui levantar em um triangulo de perna, minha equipe parou e gritava meu nome, olhei pra o lado no susto os olhos deles brilhavam, meu parceiro sorria para mim, outros pararam o rola e me olhavam, outro saiu do lado oposto do tatame e veio me ensinar a sair, desequilibrei e cai… Mas eles estavam tão felizes. Essa é minha equipe, esses são “meus meninos” O dojô é um ímã, quando se pisa não tem como sair, meu corpo pode até ir pra casa, mas minha alma? Ela fica.

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