A mulher negra no jiu-jitsu


Vencedoras. Mulheres inteligentes, determinadas, bonitas, fortes, alegres. Cada vez mais a mulher negra vai ocupando seu espaço no nosso esporte. Ganhando lugar de destaque. O que deveria ser corriqueiro, se pensarmos que o Brasil é um país de maioria negra.

Nosso passado escravocrata e leis de proibição ao acesso das mulheres nos esportes contribuíram muito para que o acesso delas fosse tardio. Entretanto, chegou a hora de celebrarmos a presença dessas guerreiras no jiu-jitsu, que estimularão mais e mais meninas a também praticar e ocupar o lugar que lhes é de direito.

No texto de hoje, contamos com a participação de algumas das mulheres negras destaque no nosso Jiu-jitsu Brasileiro. Aproveitando hoje, o último dia do mês de novembro, mês da Consciência Negra (marcada no dia 20). Dia de refletirmos a inserção do povo negro em nossa sociedade.

A trajetória da mulher negra na história do nosso país, infelizmente, é marcada pela escravidão, exploração sexual e exploração do trabalho. Se no período colonial o máximo a ser alcançado por uma mulher negra era a função de serviçal na casa grande, hoje, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, os dados ainda não são muito satisfatórios. 93% das mulheres estão no trabalho doméstico, e destas, 61,6% são mulheres negras. Apenas 21% delas possui carteira assinada.

Na educação, também temos alguns percalços a superar. Apenas 10% das mulheres negras no Brasil completam o ensino superior, o que nos mostra que na corrida para avançar nesses dados da realidade, essas mulheres iniciam muito atrás no ponto de largada. Isso dificulta a ocupação delas em funções que garantam autonomia, independência e qualidade de vida. Que ocupem cargos em diretorias ou na administração pública/privada.

O acesso ao esporte está totalmente ligado à formatação estrutural das sociedades. Foi o que ficou constatado no relatório divulgado pelas Nações Unidas, evidenciando que 70% dos brasileiros não acessam ao esporte por conta da disparidade entre as classes sociais. A parcela da população que ganha até cinco salários praticam o dobro de atividades que pessoas com renda salarial de meio salário mínimo. O quadro é mais assustador quando o recorte é feito entre gêneros, e pior ainda, se olharmos para os dados de acesso das mulheres negras.

Depoimentos

Algumas atletas de jiu-jitsu deram depoimentos sobre sua experiência como mulher e negra no esporte e em nosso país. Também mandaram mensagens de incentivo a todas que buscam seus sonhos.

Amanda de Luna – faixa preta – Gracie Humaitá:

Ser mulher em um esporte genuinamente masculino já é difícil. Ser mulher negra num país que sua maioria é negra e quem não é, tem descendência, onde não deveria haver discriminação é difícil. Porém, trabalho, perseverança, e fé, acabam com qualquer coisa que venha impedir o sucesso. Então o que eu tenho a dizer é, principalmente para às meninas que estão batalhando no jiu-jitsu: não baixem a cabeça na primeira dificuldade, usem-na para subir mais um degrau. Nunca abaixem a cabeça pra qualquer discriminação que apareça, nós somos muito maiores que isso. E a força que todas nós temos não pode se deixar morrer. Então vamos com fé, eu ainda não cheguei onde quero mas vou chegar e todo dia estou mais perto. Aquela velha frase clichê: foco, força e fé.

Patrícia Lacerda – faixa marrom – Carlson Gracie Leme:

Quero dizer para as meninas nunca desistirem dos seus sonhos. Ir atrás dele, acreditar. Sua cor não define quem você é. O que define as pessoas é o caráter, ter coragem, determinação. Fé sempre. E o universo conspira a seu favor.

Nina Moura – faixa preta – Ribeiro Jiu-jitsu:

Muitas pessoas sempre vem falar comigo abordando assunto de meninas negras no Jiu-jitsu. É sempre uma questão muito difícil de responder porque eu sinceramente não sei o porquê de ter tão poucas meninas treinando. Mas, eu ficarei muito feliz em um dia olhar e ver várias meninas negras vestindo um kimono e saindo na mão!

Eu, particularmente, tive uma infância muito humilde e bem difícil. Sofri bastante preconceito ao longo dos anos, mas o jiu-jitsu me fez superar todos eles e me tornou uma pessoa forte e cheia de autoestima. O jiu-jitsu foi uma grande ferramenta na minha vida. Sem dúvidas. Eu me sinto muito honrada em ser referência para outras meninas.

Jessica Cristina – faixa preta – Elite Brazilian Jiu-jitsu:

O que eu sinto é que eu fui abençoada por Deus por ser negra, por ser mulher. Por ter nascido no Brasil! E sinto que Deus teve um cuidado tão grande ao me fazer que ele me deu todas as ferramentas que seriam necessárias para o meu desenvolvimento, como o jiu-jitsu. As pessoas pelas quais conheci, convivi, trabalhei… Todas as experiências que tive.

É claro que levou um tempo para eu entender isso, mas entendi! Todos nós já sabemos de tudo o que aconteceu com nossos ancestrais, de como fomos escravizados, de como fomos maltratados, sabemos que ainda não temos a igualdade pelas quais lutamos. Mas eu acredito que estamos aqui para fazer a diferença, que estamos aqui para fazer a mudança! Que somos a mudança e a diferença que o mundo precisa.

E essa mudança eu comecei de um jeito simples e fácil: comigo, com coisas ao meu redor, com meus ciclos de amizades, com a maneira que eu me via, com a maneira que eu me sentia. Não foi fácil. Mas foi preciso. Me encorajar pra poder encorajar outras pessoas. Foi preciso me aceitar para poder aceitar um mundo diferente. E isso levou tempo, não foi uma coisa de um dia para o outro. Ainda estou passando pelo processo e me sinto encantada com o cuidado que Deus teve em me fazer.

Quero que fique bem claro, não estou dizendo que devemos esquecer de tudo que já aconteceu no passado, mas eu acredito que devemos focar no agora, no futuro, em fazer a diferença. Já tivemos muito sofrimento e muitas histórias ruins. Agora é tempo de fazer boas histórias. Histórias felizes, de aceitações. E o jiu-jitsu me ajudou e me ajuda muito nessa minha transição! Assim como a gente aprende uma posição nova que no começo é difícil, a gente tenta em aula mais daí todo mundo passa sua guarda, te raspa te finaliza. Mas você não desiste e persiste, e continua até que um dia depois de tanto tentar você se torna faixa preta na posição. 

É exatamente como nos falou Jéssica Cristina: agora é tempo de fazer boas histórias. Precisamos nos conscientizar da luta da mulher negra nos esportes e na vida. Recebê-las e fomentar o acesso de mais e mais guerreiras no jiu-jitsu e em outros espaços. Está em nossas mãos a caneta que traçará novos horizontes. Juntos. Oss!

‘Eles sempre batem nas mulheres gentis e bravias, primeiro

E quando fazem isso, eles não sabem que estão tocando em rocha.’

-Nicky Finney



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