Vencendo um relacionamento abusivo


Conversei com a Camila*, faixa branca de 26 anos que contou um pouco da história dela aqui para o BGM. Dentro de um tatame ela conheceu um cara incrível, mas depois de meses ele mudou completamente. Camila demorou para conseguir se desvencilhar da dependência emocional que tinha por ele.

Os primeiros meses foram perfeitos. A rotina de treinos, as conversas, os mesmos objetivos, campeonatos. Até que começaram as críticas: gorda, ninguém vai te querer, se você não emagrecer eu vou largar de você.

Com a autoestima totalmente baixa ela começou a ficar insegura. Ele sempre fez questão em mostrar o corpo definido, o rendimento de atleta e o desejo de muitas mulheres por ele. O jiu-jitsu para ela sempre foi a fuga da ansiedade e dos problemas, encontrou no tatame uma verdadeira paixão. Mas tudo ficou mais difícil.

Veio a primeira agressão, as ameaças, julgamentos e a depressão. “–  É tudo exagero, se fosse verdade ela não frequentaria mais o dojo.” Evitando os mesmos horários de treino, continuava com a sua rotina iria ser mais fácil superar a dependência emocional mesmo estando no lugar que sua memória ativava as lembranças.

Camila queria gritar, não entendia como as pessoas poderiam vê-la daquele jeito e ainda dar credibilidade para ele. Chegou a perder 10kg, estava diagnosticada com princípio de depressão, perdeu o apetite e às vezes só levantava da cama para ir treinar.

A volta

Não passaram três meses do término, veio o pedido de perdão, os sonhos, os carinhos, o sentimento e as promessas. Junto com a volta vieram os julgamentos da família e amigos, mas ela sentia que o amava e iria lutar para que desse certo.

Estava mais forte! Treinava ainda com mais vontade, se dedicava para o seu trabalho e estava vivendo uma vida feliz. “– Às vezes só precisamos amadurecer para dar certo, então depois do que passamos aquele era o momento exato para a gente dar certo.”

Os abusos voltaram, cada vez mais frequentes. O limite da agressão verbal já tinha sido rompido e acabou em agressão física.

“- Em uma briga ele me deu um mata leão, eu apaguei e acordei muito assustada. Tiveram outras agressões e mesmo assim eu não conseguia me libertar, me sentia fraca por não conseguir vencer essa luta.”

O jiu jitsu era como a única coisa que estava dando certo na sua vida, tentava provar para si mesma, que sendo “fraca” fora do tatame, ali era o momento para ser forte. Acabou percebendo que estava entrando em depressão novamente quando o seu rendimento no esporte começou a cair.

“- Eu me sentia cansada, não tinha fôlego. Tinha vontade em competir mas não conseguia ficar em pé.”

Você não merece o abuso

Decidiu terminar o namoro e com isso a decisão de se afastar do tatame. Ela conta que não conseguiria enfrentar como da primeira vez, era hora de fazer diferente.

Ele chegou a não aceitar o término, houve ameaças e, com isso, mais certeza que a única coisa para ser feita era se distanciar. Decidiu se afastar por alguns meses para se fortalecer e quando estiver melhor vai voltar com tudo.

Camila nunca quis se distanciar dos treinos, encontrou ali o lugar que mudou a sua vida, trouxe esperança, paixão, conquistas e aprendeu a ser resiliente.

“- Chega nos dias de treino, eu me sinto mal de não ir, parece que perdeu algum sentido, mas sei que é só uma fase, logo to de volta.”

Com a história da Camila, entendemos a importância de ter empatia com as pessoas. Muitas vezes um sorriso no rosto e uma foto na rede social não dizem o que está se passando na vida dela. Seja amigável, uma palavra de carinho pode mudar o dia de alguém.

“- É muito triste e revoltante você ter que se afastar das coisas que ama para se prevenir de alguém, no meu caso o jiu jitsu. Não espere que alguém entenda, eu ouvi de muitas pessoas que eu estava fazendo drama, era só uma academia.”

A violência não é só verbal. É verbal, psicológica e de várias formas que às vezes nem imaginamos. PROCURE AJUDA. Valorize-se, ame-se em primeiro lugar, saiba que você é forte e determinada, não merece situações de abuso. Para denunciar, disque 180.

*O nome foi modificado por preservação da identidade.

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Relacionamentos abusivos: como o jiu-jitsu pode te ajudar?



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Comments 1

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  1. é uma tristeza e um absurdo que coisas assim aconteçam! acho que esse caso precisava ser “denunciado” para o mestre e para todos e todas colegas de treino. O jiu jitsu é um esporte indissociável de uma ética nos tatames, e a partir dessa ética o mínimo que deve acontecer é esse cara ser expulso de lá. Agora, se a equipe e o mestre tiverem uma postura diferente dessa, vale repensar se vale mesmo a pena treinar num dojo assim, permissivo com essa violência. Toda solidariedade a essa moça!

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