Superando o câncer de mama e o papel do jiu-jitsu


Hoje é o último dia de outubro e gostaríamos de deixar uma reflexão: a importância do autocuidado. A praticante de jiu-jitsu Michele Salek, aluna da academia Nova Arena da equipe Alliance em São Paulo, é a prova de que a doença não escolhe idade. Confira seu depoimento:

Foi no carnaval de 2017, quando eu ainda era casada, e durante uma relação íntima, meu ex-marido sentiu o nódulo no meu seio esquerdo. Comecei a investigar e no dia seguinte do meu aniversário de 27 anos, em março, eu descobri que estava com câncer de mama. O primeiro pensamento que vem à cabeça sempre é o da morte. É um confronto direto com a finitude da vida, algo que a gente não costuma pensar aos 27 anos.

Foi muito difícil, é um medo muito grande do que eu poderia deixar de viver e dos inúmeros sonhos que eu ainda gostaria de realizar. Eu tive de tirar as duas mamas, e fiz uma cirurgia que se chama adenomastectomia bilateral com reconstrução imediata, tenho próteses de silicone e também tirei alguns linfonodos da axila esquerda. Fiz 16 sessões de quimioterapia, e fiz 28 sessões de radioterapia, atualmente ainda faço tratamento hormonal.

Eu retomei meus compromissos em janeiro de 2018, um dia depois da última radioterapia, no dia seguinte já estava no meu trabalho. A vida normal não existe, o que existe é uma vida nova, aos poucos fui compreendendo as mudanças que tinham acontecido dentro de mim. Minha vida mudou muito e uma dessas mudanças foi a entrada do jiu-jitsu na minha rotina, sem dúvida uma das melhores decisões que tomei.

Praticando jiu-jitsu

O jiu-jitsu entrou na minha vida há muito pouco tempo, na fase que eu costumo chamar de “pós-câncer”. Ninguém fala sobre o pós-câncer, as pessoas acham que depois que o tratamento acaba vem a cura e a “vida normal”, mas não existe “vida normal”, existe “vida nova”. Eu costumo dizer que o câncer é uma guerra, ninguém volta de uma guerra da forma como entrou.

Eu queria praticar uma luta desde a época que eu estava com câncer. Cheguei a pesquisar, mas não tinha forças para treinar. Também achava que eu não seria capaz. Até que eu tomei coragem e marquei uma aula, comecei a fazer e simplesmente me apaixonei pelo jiu-jitsu, que me ajuda como um todo.

Eu estava acabando de me recuperar de um período de depressão muito forte no meu pós-tratamento e o esporte só veio trazer alegrias para os meus dias. Para mim ainda é um grande desafio, estou aprendendo, sou faixa branca bem iniciante. Mas, ao mesmo tempo, sinto muito orgulho de mim, pois fazer os movimentos depois de ter feito uma adenomastectomia bilateral me faz sentir muito viva. Quando estou no tatame não lembro de nada, fico 100% ali e isso é incrível.

Fiquei com muito medo de iniciar o jiu-jitsu, confesso, mas eu não quis desistir. Por isso, fui pesquisar na internet alguém que tivesse feito a mesma cirurgia que eu e encontrei a Bárbara Monteiro que também é uma vencedora do câncer de mama e tem uma história de superação incrível na qual o jiu-jitsu foi muito importante. Aquilo me inspirou ainda mais a não desistir de encarar o desafio.

Eu gostaria de deixar a mensagem do autocuidado. Temos de nos cuidar, ter uma rotina saudável, praticar atividades físicas e conhecer o nosso corpo. Não foi o meu toque que me salvou, pois eu não fazia autoexame, mas hoje eu sei que é muito importante. Então, façam o autoexame, façam exames de imagem regularmente, peçam para os médicos e tenham uma rotina anual de check-up. Nossa saúde sempre em primeiro lugar, pois sem ela não podemos realizar nenhum dos nossos sonhos e objetivos. Com certeza a minha fé foi o fator mais essencial que me ajudou a superar tudo isso, junto com o apoio que recebi da família e dos amigos. Nunca deixem de ter FÉ.



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