Relato de superação do abuso com a ajuda do jiu-jitsu


A história que será narrada a seguir é totalmente verídica e aconteceu no Rio Grande do Sul. Ela será narrada em primeira pessoa para facilitar a narrativa e por ser, de fato, um relato pessoal e dramático. A única mudança será o nome verdadeiro da atleta que será trocado por questões de privacidade. A história vem mostrar para todos que a arte suave pode de fato ensinar muito em como superar traumas extremos que a vida por vezes nos surpreende. Desde já parabenizamos a professora da atleta e a nossa irmã de tatame pela coragem de compartilhar este drama conosco. E parabenizamos, em especial, pela superação de vida que é um exemplo inspirador.

A narrativa do acontecimento

Meu nome é Bruna e sou mãe de duas crianças lindas. Amo muito meu casal de filhos. Na época do evento traumático eu ganhava um dinheiro como dançarina noturna. Tenho um irmão lutador de MMA, mas o jiu-jitsu não fazia parte da minha vida. Vida, que por sinal, não é fácil para quase ninguém, mas a gente faz o que pode.

Era uma noite comum e eu estava pronta para ir dançar. As madrugadas no sul do país podem ser muito frias às vezes e, por esta razão, coloquei a jaqueta de couro da minha mãe e fui. Eu saía da festa por volta das cinco da madrugada com a intenção de ir para casa. Eu morava perto e, portanto, decidi ir a pé mesmo. Afinal, considerando que era pertinho, o que poderia acontecer?

Estava sozinha caminhado para casa quando um homem notoriamente bêbado se aproximou de mim. Ele veio para cima de mim e lutamos. Uma luta corporal desigual, pois ele tinha muito mais força que eu. O homem me jogou no chão e montou em cima de mim. Ele tinha um objeto cortante na mão. Talvez uma faca, mas não consegui identificar bem. O estranho levantou a mão para me golpear no rosto com o objeto cortante. Só tive reflexo de proteger minha face com os braços e a jaqueta de couro da minha mãe me ajudou. A mesma foi rasgada com o golpe, mas este era o menor dos problemas. Não foi um tempo fácil. Foi uma eternidade. Ficamos ali por mais de hora. Uma situação triste e traumatizante.

Eu estava muito nervosa. Sentia um pânico terrível. Não foi rápido. Eu perdi a voz de tanto gritar implorando por ajuda. Não entendo as pessoas não se ajudarem. Um outro homem passou por nós de bicicleta, parou e ficou nos olhando. Mas nada fez para me ajudar. Uma mulher assistia da sacada do prédio em frente passivamente. Eu gritava por socorro totalmente em vão. Isto me deixava ainda mais nervosa e entrei em pânico. Por que ninguém me ajudava? Se eu vejo uma situação destas eu me avanço na hora. Como as pessoas podem assistir a isto passivamente?

Chegou um momento eu que percebi que era muito mais. Eu precisaria lutar pela minha vida. O cara iria me matar. Esta foi a minha percepção. Preciso lutar pela minha vida. Preciso me defender a todo custo. Já se passou mais de hora. Muitos pensamentos passam em nossa cabeça nesta situação terrível, mas o instinto de sobreviver é forte.

Para minha sorte sou muito flexível. Eu consegui passar uma das pernas por cima empurrando a cabeça dele para o lado. Eu cravei um dos meus saltos na costela dele e consegui sair de baixo e fugir. Consegui ligar para meu pai e chamar a polícia. As pessoas não me entendiam pela rouquidão que eu estava. Havia gritado muito desesperadamente. Não desejo isto para mulher nenhuma.

O jiu-jitsu auxiliando na superação do trauma

Havia uma professora que dava aula de jiu-jitsu para crianças. Levava meus filhos nas terças e quintas para treinarem. Era a aula anterior ao treino feminino. A professora conversava comigo. Comecei a treinar para me aproximar de meus filhos. O começo não foi fácil, mas minha professora me dava muito apoio. No início fazer guarda era um trauma.

A vida passou por um período muito complicado. Tinha crises de surto. Aconteceu de surtar e chutar um homem que estava em cima de mim com meu consentimento. Morder ou machucar também aconteceu em um ataque de fúria. Era uma fobia muito forte e eu precisava tirar a pessoa de cima de mim a qualquer custo. Os sentimentos se confundem. Reencontrar o saudável e achar o equilíbrio eram desafios imensos. Superar um trauma destes é quase impossível.

O tempo foi passando e jiu-jitsu agindo. No inicio contávamos segundos com alguém dentro da guarda. Os segundos viraram minutos e, por fim, um rola completo. Eu e minha família nos encontramos no jiu-jitsu. Ainda não me sinto confortável em lutar com um homem, mas isso é natural. Hoje moro em outra cidade no litoral gaúcho e vou seguindo minha vida. E com jiu-jitsu.

O epílogo

Esta história verídica nos exemplifica como a arte suave vai muito, mas muito, além dos limites da técnica e do tatame. Obviamente, ajuda profissional é sempre bem-vinda! A vida, por vezes, nos traz acontecimentos tristes e traumáticos. Mas ela também nos trouxe a nossa arte marcial e esta, por sua vez, tem se mostrado uma ferramenta fantástica de transformações de vida e no auxílio na superação de traumas (leia mais aqui). Não duvide nem de você nem do que você poderá fazer com o jiu-jitsu.

Nós da BJJ Girls Mag desejamos todo sucesso e força para Bruna e sua família. E também parabenizamos sua professora pelo suporte dado e incentivo!

Bons treinos! Oss!



Clube de Vantagens BGM

Augusto Haine

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Comments 3

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  1. Parabéns pela matéria! Esse é dos motivos de eu fazer jiu-jitsu também. É uma maneira de aprender a lidar a “dor” e saber administrá-la. Acredito que esse tipo de incentivo, pode ajudar muitas mulheres a superarem esse tipo e outros tipos de traumas. Sou faixa azul e dominar um pouco a autodefesa, já me faz eu me sentir mais confiante e confortável. Osss

  2. Parabéns pela matéria! Esse é dos motivos de eu fazer jiu-jitsu também. É uma maneira de aprender a lidar com a “dor” e saber administrá-la. Acredito que esse tipo de incentivo, pode ajudar muitas mulheres a superarem esse tipo e outros tipos de traumas. Sou faixa azul e dominar um pouco a autodefesa, já me faz eu me sentir mais confiante e confortável. Osss

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