O jiu-jitsu é para todos?


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Você já percebeu que nossa atividade esportiva é uma das mais caras no aspecto material? Kimono, mensalidades, transporte, e claro, tempo livre, são alguns dos pontos que posso contar. Muitos dirão que olhar para este problema, a partir deste ponto de vista, nada mais é que um “vitimismo” ou “desculpa”, como algumas frases motivacionais que são disparadas nas redes sociais. Não é porque dentro de minhas condições consigo manter esse aspecto material no jiu-jitsu, que outras pessoas irão conseguir. Aliás, no Brasil, chegamos aos 27,7 milhões de desempregados, segundo o IBGE.

Um levantamento feito pelas nações unidas, em 2015, mostrou que a falta de tempo e as disparidades sociais afetam diretamente no acesso a atividades físicas ou esportivas, de maneira geral, no nosso país. A situação complica ainda mais quando os dados são confrontados em termos de raça, gênero, e instrução escolar. Ou seja, o problema está muito além da simples análise do “eu acho”. Como citado no relatório, a questão está mais ligada a como a sociedade pauta a vida coletiva, do que na esfera individual. Aconselhar indivíduos a praticar atividades sem criar oportunidades efetivas não mudará a situação.

O trabalho deve ser de todos

Diante deste quadro, muitos professores se esforçam e se sacrificam desenvolvendo projetos sociais para fomentar a prática do jiu-jitsu em diversos espaços, públicos ou privados. Uma luta nobre, entretanto, luta que deveria ser papel do estado de acordo com o artigo 217 da Constituição Federal: “É dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não-formais, como direito de cada um”(…). Algo previsto também na lei 9.615  ou lei Pelé.

É importante levar em consideração que, estes professores, ao assumir um compromisso com uma causa espontânea e política, e claro, tão nobre, sofrem consequências diretas relacionadas a remuneração, pois estão exercendo um trabalho voluntário, ou melhor, não pago. Sabemos que na nossa sociedade o tempo é a moeda de maior valor.

Não estou querendo dizer com isso que os professores precisam largar os seus projetos sociais. Gostaria apenas de fundamentar e fortalecer o debate para um provável tensionamento ao poder público de suas obrigações. E claro, salientar que o professor de jiu-jitsu pode sofrer algumas consequências, mesmo com um projeto altamente progressista e humanitário dentro do seu espaço. É só observar o movimento da realidade, onde cada dia se naturaliza o discurso de ódio e a perseguição ao defensores dos direitos humanos ou dos direitos “constitucionais” básicos, como saúde, moradia, educação e segurança, no Brasil.

Precisamos nos unir neste momento e enfrentar a realidade. Precisamos nos aprofundar e ajudar nossos amigos dos projetos sociais entendendo que suas atividades precisam ser reconhecidas. Precisamos romper com a ideia de que esporte e política são coisas distintas, principalmente porque, no pouco que conversamos aqui, pudemos observar que decisões políticas afetam diretamente na vida e no acesso de pessoas ao esporte.

Todo esporte deveria ser para todos. Para isso, é preciso uma ação conjunta do Estado cumprindo suas obrigações, e dos professores e educadores evolvidos com as modalidades. Se já existem tantos projetos sociais de jiu-jitsu maravilhosos por aí, imagina como eles poderiam ser se tivessem apoio e investimento do poder público?



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