Um homem no treino feminino: desmistificando preconceitos


O jiu-jitsu é uma arte marcial que nos proporciona, sem dúvida alguma, inúmeras alegrias e surpresas. Recentemente vivenciei um destes momentos mágicos da arte suave. Fui convidado para participar de um treino feminino de jiu-jitsu mesmo não sendo mulher. E foi uma experiência incrível a qual tenho o privilégio de compartilhar hoje com as leitoras e leitores da Bjj Girls Mag. Foi, com certeza, uma honraria que me foi concedida. E que poucos homens recebem.

Muito já lemos sobre treinos femininos e treinos mistos. Mas um homem no treino feminino é inusitado. Confesso que fiquei bastante surpreso com o convite. E mais espantado ainda com a aceitação de todas que treinaram, pois afinal de contas era um treino apenas para mulheres.

O mais interessante não foi apenas a troca de experiências no tatame, mas também a conversa em roda após o treino. Esta foi muito elucidativa. Fiquei extremamente feliz de ouvir que a maioria das mulheres que atenderam ao treino recebem apoio de seus companheiros para treinar, mesmo dos que não são do meio da arte marcial. Foi gratificante ver pais cuidando dos filhos e filhas enquanto as mulheres treinavam. Pode até mesmo parecer simples, mas é uma cena que nos faz refletir.

E deixo registrado os parabéns para os responsáveis pela Equipe A em Novo Hamburgo, pois este ambiente saudável e inclusivo foi construído. Não nasceu pronto. Nem se fez de um dia para o outro, mas com toda certeza, evidencia que o quanto é importante se dar apoio ao jiu-jitsu feminino.

Houve também um ponto negativo que foi tocante: o preconceito. Mas não aquele que vem de um público geral, mas de uma audiência específica e de dentro dos tatames. Preconceito exercido, mesmo que sem intenção, pelos que treinam com elas. É a propagação cruel de uma cultura que se transmite por “brincadeiras”, por expressões desnecessárias como “mulheres são treino de descanso”, ou mesmo não treinar com mulheres. Realidade triste que permeia em muito as academias de jiu-jitsu pelo Brasil. Não me entendam errado. Há muitos homens legais e que dão grande apoio para o desenvolvimento do esporte, mas há também estes que contaminam nosso meio e espalham apenas preconceitos e inverdades.

Saiba treinar com todos

Me perguntaram como foi o treino. O treino em si foi excelente! Pude fazer rolas com meninas mais graduadas e menos graduadas. Todos proveitosos e com suas dificuldades. Rolar com uma mulher não significa “aliviar” e nem “descansar”. Aliás, descanso foi o que não tive durante os seis rolas do treino. Saber treinar com qualquer pessoa, de qualquer idade e faixa é o caminho de aprendizagem correto para a arte suave.

Foi uma troca de experiência incrível, em que pude ver técnicas muito bem executadas e onde fazer força seria apenas uma ignorância de minha parte. O treino foi duro e leal, como eu esperava que fosse. E agradeço a raspagem que me ensinaram quando o oponente levanta-se estando com ambas as mangas dominadas. Em mim funcionou muito bem!

Gostaria de acrescentar que treinar com mulheres deve ser encarado como um treino igualmente sério de que quando se treina entre homens. Não deve haver orgulho besta, nem preconceito, nem discriminação. Se você é homem e não treina com mulheres, então pare, pense e reveja seus conceitos de ser um artista marcial. Se você pensa que é treino de descanso é porque você ainda não entendeu a essência da arte suave. Mas, se você treina, respeita e apoia os treinos femininos, bem como tenta aprender como treinar com as mulheres, você deve saber que está em um bom caminho!

A brutalidade foi uma das grandes queixas das participantes. Qual o propósito de se treinar com brutalidade? Se você respondeu “nenhum”, então concordamos. Seja com homens ou mulheres. Há uma clara diferença entre treinar duro e treinar com brutalidade. Desenvolva seu jiu-jitsu de forma que você tenha a condição de treinar com qualquer pessoa de forma leal, dura, solta ou como for. Mas com a suavidade que é marca do jiu-jitsu.

No final perguntei pela preferência que as meninas presentes tinham entre treinar apenas com mulheres ou treinos mistos. Em geral a resposta foi que preferem os treinos mistos. Não há como extrapolar esta resposta para todo o jiu-jitsu, pois a amostragem era pequena (em torno de 20 mulheres). Mas isto evidencia o quanto os homens têm responsabilidade frente aos treinos mistos.

Ficamos todos da Bjj Girls Mag na torcida que hajam mais espaços como este que a Equipe A promove. E, para terminar, saibam que após o treino, houve uma excelente confraternização com um típico churrasco!

Bons treinos! Oss!



Clube de Vantagens BGM

Agata Almeida

Ser lutadora de jiu-jitsu não é fácil, né! Por isso, temos que ter muito cuidado com a pele, principalmente do rosto. Pensando nisso, fechamos uma parceria linda de morrer com a Agata Almeida – estamos dando 20% de desconto em qualquer procedimento com ela! >> @agataalmeidaesteticaa

Qual sua reação

Curtir Curtir
1
Curtir
Amei Amei
8
Amei
Haha Haha
0
Haha
uau uau
0
uau
Triste Triste
0
Triste
Grr Grr
0
Grr

Comments 0

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Um homem no treino feminino: desmistificando preconceitos

log in

reset password

Voltar para
log in