Superando traumas psicológicos com o apoio do jiu-jitsu


O tema de hoje deve servir de estímulo para que se treine jiu-jitsu e, mesmo, que haja mais dedicação aos treinos. Como iremos falar de traumas psicológicos, conto com a participação especial da minha amiga psicóloga Alessandra C. V. da Silva (CRP 01/17054), a qual teve uma contribuição intelectual efetiva para que este texto se tornasse uma realidade.

Traumas psicológicos fazem parte da vida de todos seres humanos. E isto sem exceções. Eles estão relacionados com as mais diferentes áreas do viver e remetem às experiências que nos causaram algum dano no emocional. Estes danos podem ser de origem física, fisiológica ou mental. E, como o jiu-jitsu é um estilo de vida, e não somente uma arte marcial, iremos ver como o mesmo pode ajudar na superação de alguns traumas específicos.

Uma expressão muito conhecida é mens sana in corpore sano, que significa uma mente sã em um corpo são. A disciplina exigida na prática esportiva de nossa arte marcial, bem como a necessidade de desenvolvimento do raciocínio, lógica, confiança, empatia, cuidado, inteligência e marcialidade podem, sem dúvidas, ajudar a quem está em treinamento constante. Ajuda esta que também é expressada na organização da vida emocional. Os benefícios para o corpo são muitos, assim como já falamos aqui. Mas a prática com reflexos na superação dos traumas psicológicos pode ser notada através de aspectos simples que ocorrem após o início do treinamento. Coisas aparentemente simplórias como um quarto arrumado (disciplina), evolução na higiene pessoal (cuidado), agilidade de raciocínio (recursos de inteligência), percepções lógicas da realidade (progresso) e melhora de autoestima (confiança) podem ser relacionadas com melhorias psicológicas e superações de traumas que vêm associados aos resultados de um treinamento continuado.

O treinamento na arte suave exige contato físico entre praticantes. Talvez possa parecer simples, mas para muitas pessoas, o contato físico é uma dificuldade enorme. A origem deste trauma pode ser muito diversificada e foge do objeto de interesse deste texto. O treino exige, contudo, o contato físico para o exercício de uma técnica, nos rolas (combates) e mesmo em algumas atividades como alongamentos e alguns aquecimentos. A necessidade do contato físico, bem como a intensidade com que muitas vezes este ocorre, contribui para que este aspecto passe a ser comum na vida de quem está treinando. E, desta forma, vai levando a pessoa que tem este trauma psicológico a conviver com o problema emocional. Em muitos casos o treinamento pode cooperar até para superá-lo de forma efetiva.

Empatia e confiança são conceitos os quais trazem dificuldades para pessoas com traumas neste sentido. O jiu-jitsu, como esporte em que uns dependem dos outros, pode também contribuir neste aspecto. Se faltar confiança em quem treinamos não há como permitir certos movimentos e técnicas nas quais podemos nos machucar. E, sem empatia, podemos machucar as pessoas com quem treinamos. Situação que nos levará naturalmente a exclusão do meio. Repetições exaustivas das técnicas devem trazer um aumento na confiança também, seja em aplicar, seja em deixar que apliquem. Sentir as dores de quem treina e as dificuldades diárias de quem está no tatame nos traz, de forma natural, um aumento da empatia. A tendência é de nos identificarmos mais com os dramas e dores das pessoas que convivem conosco no tatame.

Limites também podem ser dificuldades que nos acompanham. Seja este o limite próprio ou o limite do próximo. O reconhecimento (ou limite) de até onde posso ir com o outro (empatia) e até onde podem ir comigo (confiança) são expressões de respeito próprio e ao próximo. Respeitar nosso limite pessoal e psíquico, bem como compreender o limite das demais pessoas, é um desafio, em especial para pessoas com traumas nestas áreas. Por exemplo, aprender o momento certo de bater (limite próprio) ou de largar (limite da outra pessoa) frente a uma finalização é um exercício diário dentro do tatame. Quem nunca bateu na vida?

Traumas psicológicos relacionados a abusos (sejam sexuais ou não) são mais frequentes do que se imagina. Pense em uma mulher que (infelizmente) sofreu um abuso sexual. Treinar com homens pode ser uma dificuldade tremenda, apesar da importância dos treinos mistos. Esta mulher terá que colocar um homem (no caso) em posição de guarda, que pode ser associada a uma posição comum em estupros. A dificuldade que ela enfrenta pode ser até mesmo inimaginável para quem nunca sofreu este tipo de trauma. Mas o treinamento continuado, onde se aprende muitos ataques e domínios desta mesmíssima posição, pode colaborar no sentido de que a pessoa traumatizada venha a conviver melhor com a questão, pois compreenderá que a guarda pode lhe trazer o domínio sobre a outra pessoa, ou seja, o domínio da situação. Uma inversão total de compreensão onde de dominada a pessoa passa a ser quem domina a situação. Naturalmente, a complexidade envolvida nestes casos é muito grande, mas o poder terapêutico que tem na inversão do conceito também é, em especial porque introjeta no psiquismo a força de autopreservação comumente perdida após o abuso.

Competir também pode contribuir para superação de traumas psicológicos. A superação de medos, a necessidade de se encarar um resultado negativo, um objetivo não alcançado e a compreensão de que nem sempre conseguimos vencer, podem ser aspectos dolorosos para pessoas com traumas relacionados. Quem sobe em um tatame de competição já é naturalmente uma pessoa vencedora! Uma pessoa que está lutando também para superação de medos, decepções e traumas. E voltar a competir pode ter um simbolismo de superação, de não desistência, de recomeçar e de tentar outra vez. Podemos dizer que treinos e competições têm uma forte relação com uma capacidade chamada resiliência. De maneira figurada, resiliência é a capacidade de se recuperar ou se adaptar tanto a infortúnios quanto a mudanças. Isto é muito relacionado aos princípios do jiu-jitsu. Se adaptar a movimentos, finalizações, novas técnicas e novas pessoas.

Terminamos dizendo que terapia é algo muito benéfico para todas as pessoas. Terapia não é coisa de maluco, como absurdamente dizem. E assim como o cuidado do corpo pode ser introjetado, o cuidado da mente pode ser externalizado no corpo. Ajuda profissional é sempre bem-vinda e saudável. Assim como o apoio de ferramentas como o jiu-jitsu!

Nos deixe sua opinião sobre estas questões, é importante para nós! Bons treinos! Oss!


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